terça, 02 de março de 2021

João Pessoa
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Negligência familiar é campeã de registros em Conselhos Tutelares de JP

Beto Pessoa (Correio da Paraíba) / 10 de junho de 2017
Foto: Andre Borges/Agência Brasília
 

Desatenção, menosprezo e descuido são algumas das palavras usadas para definir a negligência familiar, situação que, apesar de por em risco a saúde e o desenvolvimento das crianças e adolescentes, segue sendo a campeã em números de denúncias junto aos conselhos tutelares de João Pessoa.

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Em toda a Capital foram registradas mais de 300 denúncias deste tipo somente nos cinco primeiros meses deste ano, dados que revelam o perigo e a fragilidade enfrentados pelos mais jovens, destaca a psicóloga infantil, Roberta Monteiro. “Essas crianças crescem sem referencial, já que os pais as deixam de lado. Podem desenvolver uma série de transtornos, desde se tornar uma pessoa altamente introspectiva, depressiva ou até um indivíduo violento”, disse.

O promotor da Infância e Juventude de João Pessoa, Alley Escorel, disse que é preciso, antes de tudo, esclarecer esse tipo de situação. “A negligência se dá quando uma família tem condições de proteger e tomar medidas a favor da criança ou adolescente e não o faz. Muitas vezes se chama de negligente uma família em estado de vulnerabilidade, o que está incorreto, uma vez que a negligência, nestes casos, é do poder público que não dá oportunidades a esta família”.

A negligência familiar, então, está ligada ao desprezo dos familiares em relação às crianças e adolescentes, casos que exigem medidas firmes dos órgãos de proteção, destacou Alley Escorel.

O promotor explica que o encaminhamento às casas de acolhida é o último passo para a proteção desses jovens. “Primeiro se tenta localizar e encaminhar a criança para um familiar próximo. Também procuramos pessoas que possuam qualquer relação socioafetiva com essa vítima, porque nem sempre essa criança tem laços com um familiar, mas tem com algum outro conhecido. Caso não encontremos, ele é encaminhado para uma instituição de acolhimento”, explicou Alley Escorel.

Carência afetiva

Outro tipo de abandono dificilmente chega a um conselho tutelar e está cada vez mais naturalizado: a negligência afetiva. De acordo com a psicóloga Roberta Monteiro, tem crescido o número de crianças e adolescentes que, à medida que se desenvolvem, ficam mais distantes dos pais. Uma das razões para este cenário é o ritmo acelerado que têm muitos chefes de família, muitas vezes delegando as funções afetivas para terceiros. “Os pais têm uma longa jornada de trabalho e acabam delegando funções suas às babás, professores, entre outros profissionais. A criança vai crescendo e não tem sua necessidade afetiva suprida, isso tem criado jovens com depressão e introspectivos”, explicou.

Proximidade

A profissional defende que o desenvolvimento dos jovens depende também dos laços afetivos que ele constrói durante seu crescimento. “Eles precisam de referenciais, de pessoas que se preocupem em saber do seu dia. Por menor que seja o tempo, os pais devem se aproximar, perguntar sobre a escola, como estão as amizades. Não precisa de muito tempo, basta um pouco de atenção para que essas crianças se sintam acolhidas”, destacou Roberta Monteiro.

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