sábado, 20 de outubro de 2018
Botafogo
Compartilhar:

Esposas dos jogadores do Botafogo-PB quebram a imagem de ‘Maria Chuteira’

Luís Eduardo Andrade / 08 de março de 2018
Foto: Luís Eduardo Andrade
O preconceito ainda é um mal presente no dia a dia das mulheres brasileiras. No trabalho, na sociedade e também nos relacionamentos, as mulheres sofrem com rótulos e estereótipos. Quando se trata das esposas de jogadores de futebol, essa carga de preconceito é ainda mais forte. Porém, as mulheres dos craques do Botafogo da Paraíba mostram que a relação com os atletas é baseada no amor, na parceria e no companheirismo, contra o título pejorativo de ‘Maria Chuteira’.

Casada há 16 anos com o capitão e zagueiro do Belo Gladstone, Rafaela Menezes relata que está com o marido desde antes dele se tornar profissional. Depois de mais de 15 anos de relacionamento e dois filhos, o amor pelo esposo e pelo trabalho dele é o que sustenta a relação. “Acompanhei toda a carreira dele. Eu gosto muito dessa rotina. Sou Gladstone Futebol Clube e amo o que ele faz. É por amá-lo”, relata Rafaela.

Karen Dias, esposa do volante Allan Dias, também está casada com o jogador desde antes dele se tornar profissional e relata a satisfação em ver o marido feliz. “A gente se acostumou com as mudanças, por isso somos felizes por ele realizar um sonho de menino. A gente se conheceu na escola e eu acompanhei o sonho dele. Fico muito feliz em vê-lo realizar esse sonho”, diz emocionada.

Dificuldades e preconceito

Porém, nem tudo são flores na jornada das esposas acompanhando os maridos pelos campos de todo o Brasil. Eduarda Castillo, recém-casada com o meia Mazinho, fala do preconceito e do rótulo de ‘Maria Chuteira’.

“Eu era a melhor amiga dele, não tinha intenção alguma, até nos encontrarmos depois de um tempo distantes e casarmos. Falam muitas coisas que não existem porque não vivem o que a gente vive”, relatou Eduarda.

Além disso, as constantes mudanças de cidade prejudicam os estudos dos filhos, como relata Andressa, esposa do lateral esquerdo Fábio Alves. “Já passei por 11 cidades diferentes com o Fábio, temos dois filhos que nos acompanham e a parte mais difícil é a escola das crianças, que a cada ano muda. Mas o propósito é manter a família unida, independente de onde for”, diz Andressa.

Amizades amenizam a dor

Em meio às dificuldades, uma grande amizade surge no grupo das ‘Belas’. Após uma confraternização de ano novo, as esposas dos jogadores decidiram se unir e formar uma grande família alvinegra.

“Ficamos meio tristes com a distância dos nossos familiares e isso dói bastante, mas encontramos outras famílias, que são as mulheres e os filhos dos jogadores. Já passei por muitos clubes com ele, mas aqui me identifiquei muito. A gente vê uma união muito grande”, relata Amanda Alves, esposa do volante Rogério. Casada há quatro anos com o camisa 10 da equipe do Belo, Marcos Aurélio, Rita Coutinho, acredita que a amizade ultrapassa os limites do futebol.

“Estamos juntos há quatro anos. A gente conhece lugares, pessoas e me adapto bem. Essas mulheres são abençoadas. Somos o porto seguro umas das outras. Acabamos sendo família”, finalizou.

Relacionadas