segunda, 20 de maio de 2019
Futebol
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Suspensão do Gol de Placa gera apreensão nos cartolas paraibanos

Gabriel Botto e Halan Azevedo / 29 de janeiro de 2019
Foto: Arquivo
Todo clube de futebol profissional inicia a temporada com desafios e objetivos a serem conquistados dentro de campo. Mas, antes de traçá-los, os dirigentes das equipes fazem primeiro o planejamento para conseguirem alçar os alvos durante o ano. Dentre o planejamento, um dos principais quesitos é o financeiro, pois sem pensar nas finanças, clube nenhum consegue atingir êxito no mundo do futebol.

Recentemente, o Programa Gol de Placa, do Governo do Estado, uma das principais fontes de renda dos clubes paraibanos, foi alvo de uma investigação do Jornal Folha de São Paulo, que questionou supostas fraudes cometidas pelas equipes. O programa incentiva o torcedor a pedir a nota fiscal em estabelecimentos e, em contrapartida, troca esses cupons, por ingressos para os jogos dos campeonatos que essas equipes disputam.

No último sábado, o Governo do Estado publicou no Diário Oficial do Estado (DOE), a suspensão do Gol de Placa e também do repasse dos valores arrecadados para os clubes. Esse ato trouxe o assunto à tona no meio futebolístico do estado, preocupando os dirigentes dos clubes que são beneficiários do programa.

Consultando alguns dirigentes de alguns dos clubes que recebem o apoio financeiro do Programa Gol de Placa, uma afirmação é dita por todos eles: o programa é fundamental para as despesas do clube ao longo da temporada. Mas e agora? Como se planejar para as competições sem os recursos de um dos ‘patrocinadores’? A questão tem diferentes posicionamentos, mas o planejamento financeiro deve ser refeito sem contar com o recurso.

Para o presidente em exercício do Sousa, Danilo Cazé, o Programa é importantíssimo para os clubes, pois há muita dificuldade em conseguir outros patrocinadores, então acaba que o Gol de Placa se torna uma das principais fontes financeiras dos clubes, principalmente aqueles que não disputam competições no segundo semestre.

“É um programa de suma importância para a saúde financeira dos clubes. Sempre encontramos dificuldade em conseguir patrocínios, então o Gol de Placa nos ajuda bastante. Então essa suspensão nos prejudica mais ainda, pois fazemos o planejamento e esse dinheiro já fazia parte do nosso orçamento anual”, disse Danilo Cazé.

Já o presidente do Treze, Walter Júnior, falou que o clube, caso não receba a verba do Gol de Placa, vai buscar outros meios de se manter financeiramente ao longo desta temporada.

“É importante, claro. É uma ajuda substancial. Vai fazer falta sim ao Treze, é um valor que iríamos receber e agora, momentaneamente deixaremos de receber. Mas nem por isso vamos baixar a cabeça. Se o Gol de Placa não vier, vamos buscar outras formas de seguirmos os trabalhos de forma plena”, afirmou o presidente do Treze, Walter Júnior.

Por outro lado, o presidente do Botafogo-PB, Sérgio Meira, falou em relação ao torcedor mais carente, que necessita do Programa Gol de Placa para acompanhar seu clube do coração nas partidas oficiais. Ele também já está otimista com o retorno do programa já para a partida do próximo sábado, contra o Fortaleza-CE, no Estádio Almeidão.

“O programa Gol de placa é o principal patrocinador dos clubes que participam da primeira divisão do campeonato paraibano. O Botafogo-PB tem cumprido as normas estabelecidas na lei e aguarda as orientações da Sejel para dar prosseguimento na troca de cupons por ingressos, já para o jogo do próximo sábado contra o Fortaleza”, pontuou o dirigente do Belo.

Já pode voltar em fevereiro



Em entrevista ao Portal Correio, o secretário de Juventude, Esporte e Lazer do Governo do Estado, José Marco, esclareceu que a homologação é o ‘ok’ da Sejel para que a Receita Estadual emita parecer dando liberação para que a Energisa, empresa parceira do Gol de Placa, libere recursos aos clubes. Sem essa homologação os clubes não recebem dinheiro.

“Foram duas portarias, uma nossa (Sejel), que suspendeu a homologação, e uma da Receita, suspendendo os recursos para os clubes. A homologação, que é quando conferimos e atestamos a veracidade das informações prestadas pelos clubes sobre a quantidade de ingressos trocados por jogo com o Gol de Placa e o registrado no borderô da FPF, será retomada quando terminarmos de implementar modificações no sistema”, afirmou o secretário.

Ainda segundo José Marco, a Sejel solicitou aos clubes o repasse de documentações da troca de ingressos referentes aos últimos cinco anos. Com esses documentos, será feita uma auditoria para analisar se algum clube fraudou o programa.

A expectativa do secretário é que o novo sistema entre em funcionamento a partir do dia 2 de fevereiro, retomando a troca de ingressos.

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