quarta, 19 de dezembro de 2018
Futebol
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Sem critérios, interventor indica Femar para disputa da Copa São Paulo

Allan Hebert e Raniery Soares / 03 de outubro de 2018
Foto: Rafael Passos
Um dia antes das eleições na Federação Paraibana de Futebol (FPF), o interventor João Bosco Luz fez um pedido à Federação Paulista, para que uma vaga na Copa São Paulo de Futebol Júnior fosse disponibilizada para o Femar, mas sem deixar claro quais foram os critérios para esta indicação.

O time não chegou a ser semifinalista, sendo eliminado pelo CSP (que foi o campeão) nas quartas de final. Se o critério utilizado fosse mérito, Nacional de Patos e Botafogo foram eliminados por CSP e Queimadense, campeão e vice, respectivamente e por isso, teriam todo o direito de serem os escolhidos.

O CORREIO analisou alguns fatos que antecederam o ofício, na tentativa de buscar uma resposta para o acontecimento: no dia 16 de agosto, o Botafogo enviou um documento, solicitando que uma nova vaga fosse pleiteada pela FPF na Copa São Paulo, alegando que o Belo foi o terceiro colocado no Paraibano sub-19, possui a melhor posição no ranking da CBF e é o único time que conseguiu passar para a segunda fase na competição paulista por duas vezes. O documento foi recebido por João Bosco Luz e encaminhado para a Federação Paulista no dia 30 do mesmo mês.

No dia 3 de setembro, um documento foi assinado pelo presidente do Femar, Severino Ferreira, declarando apoio à candidatura de Eduardo Araújo às eleições da FPF. Depois, em 19 de setembro, o grupo da presidente Michelle Ramalho protocolou um documento onde Ferreira passa a apoiá-la e retira o seu nome da lista de clubes que referenciavam o outro candidato.

Nove dias depois, na véspera das eleições da FPF, o interventor João Bosco Luz encaminhou um documento à Federação Paulista pedindo uma nova vaga, desta vez indicando o Femar, mas sem apresentar nenhuma justificativa plausível para tal.

Em contato com o CORREIO, João Bosco Luz garantiu que a sua atitude se deu porque os clubes o procuraram. “O Femar e o Botafogo foram os clubes que me procuraram. O Botafogo, inclusive, foi o terceiro colocado na competição. Quantos clubes tivessem me procurado e me pedido, eu teria indicado”, disse.

Um dos semifinalistas, o Nacional de Patos, não foi indicado. Segundo o presidente do conselho deliberativo, José Ivan dos Santos, o Canário do Sertão entrará em contato com as entidades para saber os motivos do Verdão Maravilha não ter sido indicado.

“Eu não estou sabendo dos detalhes. Pelo que eu sei, a Copa São Paulo tem um período determinado para inscrições de atletas e clubes, por isso não sei dizer se essa indicação do São Paulo tem viabilidade. Eu vou entrar em contato com Federação Paraibana e Paulista para saber os detalhes dessa história”, relatou.

O diretor de futebol de base do Botafogo, Aderson Alves, declarou que o clube chegou a enviar um documento à FPF solicitando uma terceira vaga na Copa São Paulo, mas que acabou desistindo do pleito pela situação conturbada que o clube atravessa e porque este ano é ano será de eleições no Alvinegro da Estrela Vermelha.

“Se abrissem uma terceira vaga, ela seria nossa por direito, já que terminamos o sub-19 na terceira colocação. Enviamos um ofício à Federação para tentar essa vaga, mas desistimos porque esse ano tem eleições no Botafogo e preferimos nos preparar melhor, para que ano que vem, possamos tentar disputar a Copinha em 2020”, explicou.

Ao CORREIO, o presidente do Femar, Severino Ferreira disse que não entende porque está sendo questionada a participação do Femar e disparou contra o Botafogo.

“A prioridade do Botafogo é porque compra a arbitragem (sic). Aí agora que é o Femar que vai, todo mundo quem questionar. O Botafogo todo ano vai comprando arbitragem e a imprensa toda mostrou isso. O Femar tem serviço prestado e trabalha. Nós agora nos igualamos a Pernambuco e Rio Grande do Norte, com mais uma vaga. Eu lamento profundamente com essa postura do Botafogo e queria muito que eles fossem cuidar de apagar essa imagem que eles deixaram para o futebol paraibano”, afirmou, ainda destacando:

“O meu apoio a Michelle se deve a Josivaldo, presidente do CSP. Na época, quando eu negociei Paulo Henrique por R$ 450 mil, ele não me pediu nenhum centavo. Há muito tempo ele vem me ajudando e devo muito a ele”, finalizou.

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