sexta, 19 de abril de 2019
Futebol
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Nas bodas de prata do Tetra, Mazinho fala sobre Seleção Brasileira

Gabriel Botto / 03 de março de 2019
Foto: Wilson de Carvalho/CBF
Em 2019 completam 25 anos desde a conquista do tetracampeonato mundial pela Seleção Brasileira, nos Estados Unidos, em 1994. Um dos craques que trouxeram o título para o Brasil foi o paraibano Mazinho, que ganhou a titularidade nas oitavas de final do torneio, no lugar do camisa 10, Raí, e permaneceu no time principal até a final do torneio, contra a Itália.

Naquele ano, o Brasil vivia um jejum de 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo. A última taça conquistada até então, foi a de 1970, no México, em um show do time capitaneado por Pelé. Até 1994, equipes de peso, como a de 1982, bateram na trave na busca pelo tetra, sendo o plantel da dupla de ataque Bebeto e Romário, o responsável por trazer o título para o Brasil.

Vivendo um momento bem diferente do de 25 anos atrás, Mazinho agora curte a aposentadoria dos gramados, mas não distante deles. Atualmente ele mora na Europa e atua como empresário de seus próprios filhos, Rafinha e Thiago Alcântara, que jogam no Barcelona da Espanha e Bayern de Munique da Alemanha, respectivamente.

Em visita à Paraíba, Mazinho falou sobre o momento atual da Seleção Brasileira, mostrando a semelhança entre o jejum vivido em 1994 e o que a ‘Canarinha’ enfrenta hoje em dia, sem conquistar um mundial há 17 anos.

“Brasil é Brasil, independente se a Seleção consegue ou não o título mundial. Já faz muito tempo que não conquistamos a Copa, algo semelhante ao que aconteceu na minha época. Estávamos há 24 anos sem ganhar o Mundial e, em 1994, nós conseguimos e logo em seguida, em 2002, veio outro título e agora estamos na fila outra vez, esperando esse objetivo”, disse o ex-atleta da Seleção Brasileira, Mazinho.

Em busca do encanto. O ex-craque falou sobre o trabalho executado pelo treinador Tite, que caiu nas quartas de final para a Bélgica na Copa da Rússia, no ano passado. Mazinho destacou que o comandante da Seleção busca devolver aos brasileiros o estilo de jogo que encantou várias gerações de torcedores e amantes do futebol. O ex-atleta está otimista, afirmando que em breve os jogadores trarão a taça novamente para o Brasil.

“Acho que o Tite faz um trabalho espetacular, buscando ter uma formação maravilhosa. Eu noto que ele busca um estilo de jogo que possa encantar de novo o povo brasileiro e também a quem admira o esporte no mundo inteiro”, falou.

Paraibano barrou o craque Raí durante a competição



O paraibano começou o torneio daquele ano no banco de reservas. O titular, capitão e camisa dez do meio campo da Seleção Brasileira era, nada mais nada menos, que Raí, um dos grandes craques da década de noventa, principalmente defendendo as cores do São Paulo, onde consagrou-se como ídolo. Porém, o craque não começou bem o torneio, marcou apenas um gol, de pênalti, o único do atleta em uma Copa.

Sem poder contar com Raí em uma boa forma, o técnico Carlos Alberto Parreira escalou o paraibano Mazinho, dono da camisa 17 da Canarinha para as oitavas de final do torneio mundial contra os donos da casa, Estados Unidos. Mazinho jogou os noventa minutos daquela partida, em que o Brasil superou os americanos por 1 a 0, gol do atacante Bebeto, após brilhante jogada do baixinho Romário.

“Substituir um jogador como o Raí era difícil. Nossas características eram diferentes. Mas eu fazia a função que exigia o Parreira. A minha sorte é que eu já tinha atuado em várias funções. E jogar no meio-campo pelo lado-direito não gerava dificuldades, então pude cumprir a função tática que o Parreira estava exigindo”, contou Mazinho.

Depois de uma ótima partida contra os donos da casa, Mazinho foi mantido na equipe titular nas quartas de finais contra a Holanda.

Um dos jogos mais emocionantes do torneio, que ficou marcado pela histórica comemoração de gol feita pelo atacante Bebeto, em homenagem ao seu filho que tinha acabado de nascer. Na partida que terminou em 3 a 2 para o Brasil, Mazinho foi substituído aos 34 do segundo tempo, dando lugar ao camisa 10, Raí.

Mazinho se consolidou na titularidade da Seleção Brasileira, mas nas semifinais contra a Suécia, Parreira optou por substituir o paraibano já no intervalo, deixando a vaga novamente para Raí. A partida terminou em 1 a 0 para a Seleção Brasileira, com gol de Romário aos 35 do segundo tempo.

A final do torneio foi, sem dúvidas, aquela partida de deixar qualquer torcedor eufórico. Um jogo disputado, contra uma seleção acostumada a ganhar títulos mundiais e com uma elenco estrelado, com jogadores como o craque da Juventus, Roberto Baggio. A partida contra a Itália terminou empatada em 0 a 0, deixando as emoções do título, pela primeira vez na história, para as penalidades.

Depois de oito pênaltis cobrados, o placar das penalidades estava 4 a 2 para o Brasil e a responsabilidade da partida caiu logo nos pés do astro italiano, que isolou a cobrança, para a alegria dos brasileiros, que voltaram a levantar um troféu mundial após 24 anos.

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