quinta, 25 de fevereiro de 2021

Futebol
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Confusão no Almeidão pode resultar até em perda de mando de campo para o Botafogo

Gabriel Botto / 20 de junho de 2017
Foto: Raniery Soares
O árbitro do jogo do Botafogo-PB diante do Remo-PA, Paulo Henrique de Melo Salmázio, do Mato Grosso do Sul, relatou a confusão que paralisou a partida na súmula do jogo, mas foi brando diante da situação, sem citar as bombas e balas de borracha disparadas pela Polícia Militar contra a torcida no Almeidão. Comente no fim da matéria.

O relato do árbitro em súmula significa que as equipes vão a julgamento e podem sofrer punições que vão desde multa até perda de mando de campo. Segundo o Artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), o clube pode pagar multa de R$ 100 a R$ 100 mil reais ou perder de um até 10 mandos de campo.

"Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir: I - desordens em sua praça de desporto. PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais)", diz o artigo 213 do CBJD.

O fato deve ser julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que fica no Rio de Janeiro, mas ainda não há um prazo estipulado para que isso ocorra, já que o documento do árbitro foi enviado nesta terça-feira (20).

Ainda no artigo 213 do CBJD, caso haja boletim de ocorrência por parte das autoridades policiais da partida, identificando os envolvidos na confusão, a equipe estaria isenta da punição. "A comprovação da identificação e detenção dos autores da desordem, invasão ou lançamento de objetos, com apresentação à autoridade policial competente e registro de boletim de ocorrência contemporâneo ao evento, exime a entidade de responsabilidade, sendo também admissíveis outros meios de prova suficientes para demonstrar a inexistência de responsabilidade".

Entenda o caso

A vitória por 3 a 2 do Botafogo-PB sobre o Remo no estádio Almeidão, em João Pessoa, na noite desta segunda-feira (19), foi marcada por uma confusão entre torcedores na arquibancada do Almeidão que terminou com nove detidos, sendo seis membros de torcida organizada do Belo e três da organizada do Remo.

Segundo testemunhas, depois do gol de empate do Remo, membros da torcida organizada do time paraense teriam passado pelo cordão de isolamento colocado pela Polícia Militar e ameaçado entrar em conflito com torcedores comuns do Botafogo na arquibancada principal (sombra), mas foram interceptados pela polícia. Após o tumulto na arquibancada sombra, torcedores de uma torcida organizada do Botafogo teriam pulado a grade, em direção ao fosso do estádio, afim de entrarem em confronto com os torcedores do Remo que estavam na arquibancada, ainda no primeiro tempo da partida, que teve que ser paralisada por alguns minutos. A Polícia Militar agiu e, com o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha, controlou a situação e conduziu os envolvidos na briga para fora do estádio.

Após a apreensão dos torcedores envolvidos na confusão, a Polícia os conduziu para as viaturas pela área externa do campo, em frente a arquibancada, causando alvoroço por parte da torcida do Botafogo, que lançou garrafas e outros objetos na PM, que respondeu com balas de borracha e bombas de efeito moral, atingindo não só os envolvidos, mas vários inocentes que estavam no local.

Não foram registrados feridos e a bola voltou a rolar normalmente dentro de campo. Os detidos foram direcionados para a Central de Polícia Civil de João Pessoa, no bairro do Geisel, na Zona Sul da cidade.

Segue relato do árbitro sobre confusão na súmula da partida:

"Aos 46 minutos do primeiro tempo de jogo, torcedores das equipes do Botafogo e do Remo iniciaram um princípio de tumulto no setor do estádio que dividiam as duas torcidas. A Polícia Militar prontamente entrou em ação e lançou uma bomba de efeito moral para conter os torcedores. A partida ficou paralisada durante três minutos e reiniciou aos 49 minutos do primeiro tempo, após o respaldo do comandante tenente coronel José Anchieta Leite, que garantiu total segurança a todos. Após a partida, fomos informados pelo delegado do jogo, José Araújo da Penha, que foi lavrado o boletim de ocorrência".

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