sábado, 23 de fevereiro de 2019
Esportes
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Com distrofia muscular, garoto é exemplo na prática do rapel

Lídice Pegado / 08 de setembro de 2018
A distrofia muscular congênita faz com que Ícaro tenha dificuldade para executar ações simples do dia a dia, como ficar de pé e andar. Porém, a sua vontade de viver mostrou que é possível ultrapassar qualquer barreira e isso fez com que a sua família procurasse alguém para acompanhá-lo em uma modalidade esportiva. Foi então que descobriram o instrutor de rapel e escalada, Humberto Anastácio, que proporcionou a primeira aventura do garoto.

Durante uma tarde de domingo, Ícaro desceu de rapel, pela primeira vez, na Pedra do Marinho que tem 35 metros de altura e fica localizada em Chã do Marinho (distrito de Lagoa Seca). A vontade de fazer isso era tão grande, que ele não sentiu nenhum pouco de medo, enquanto sua mãe registrava tudo com o coração na mão.

O garoto nunca teve receio de altura e sempre teve muita vontade de viver. As rodas nunca foram problemas para Ícaro se acomodar. A primeira aventura dele foi na tirolesa de uma pizzaria de Campina Grande, mas para ele, a emoção não foi suficiente. Segundo ele, a sensação de descer de rapel foi de liberdade e superação.

Ícaro achava que nunca poderia fazer rapel, mas no dia da tirolesa na pizzaria, o dono do estabelecimento disse que haviam aparatos de segurança e toda uma estrutura por meio dos profissionais e instrutores dessa prática esportiva, e que não havia restrição por limitações físicas ou neurológicas. Segundo ele, foi a partir daí que surgiu a vontade de se aventurar.

“Eu fiz a tirolesa, mas achei pouca emoção. Então fiz o rapel, e a sensação foi libertadora. Agora quero fazer escalada, pular de paraquedas e até mergulhar”, comentou o garoto.

A oportunidade de trabalhar com pessoas deficientes surgiu por um acaso. Humberto fez uma viagem com um grupo e uma mãe tinha uma filha deficiente. Durante a viagem, ela perguntou se a filha poderia participar das atividades e foi onde aconteceu a primeira experiência, usando técnicas de resgate de rapel para descer com as pessoas limitadas fisicamente.

Segundo o instrutor, esse tipo de prática esportiva faz com que o organismo libere mais endorfina do que o normal e a sensação de liberdade aumenta. Ele diz que Ícaro tirou de letra e fez todo o percurso de forma muito tranquila, afinal, ele estava muito seguro do que queria.

“O primeiro ponto positivo é o sentimento de liberdade e sensação de superação. No rapel, existe todo um aparato de segurança que faz com que as pessoas percam o medo da prática desse esporte. Ícaro já não tinha medo de altura, então facilitou bastante o percurso”, disse o instrutor.

O maior número de procura vem das crianças que desejam viver experiências diferentes e aventureiras, mas ele garante que o principal é o apoio da família e a iniciativa de incentivar e não barrar os desejos dos filhos, compreendendo que as cadeiras de rodas não os impedem de viver.

Esse trabalho é motivacional para Humberto, pois ele vê o quanto as crianças têm vontade de viver e o quanto uma limitação se torna um detalhe tão mínimo diante das dificuldades que os deficientes físicos enfrentam todos os dias.

Para ele, a melhor recompensa de exercer esse trabalho é quando ele consegue colocar pessoas que, por conta das barreiras, não conseguem fazer a prática de algum esporte e nem ter contato com a natureza.

“É muito recompensador quando conseguimos levar crianças e adultos para esses locais. Muito mais gratificante do que remuneração financeira”, concluiu Humberto.

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