terça, 13 de novembro de 2018
Atletismo
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Capitã da Polícia, paraibana ultrapassa limites ao lado de filho com paralisia

Lídice Pegado / 11 de outubro de 2018
Foto: Antônio Ronaldo
Na história de Campina Grande, os Tropeiros da Borborema eram sinônimo de força e coragem, marcando o desenvolvimento urbano da jovem Rainha da Borborema e superando limites antes inimagináveis. Hoje, nos 154 anos de emancipação de Campina, a história de coragem, força e superação é de Mônica Rodrigues, cidadã campinense que lutou para ultrapassar todas as barreiras da deficiência do seu filho Davi Rodrigues, se tornando maratonista junto com ele.

Policial, maratonista e mãe. Essas são as missões encaradas por Mônica que, aos 38 anos, correu a primeira maratona da sua vida, mas com um detalhe todo especial: na companhia de Davi, de apenas 3 anos. Ele tem paralisia cerebral e ela prometeu que daria o mundo ao filho. Dentro dessas promessas, estava a de completar um circuito de 42 quilômetros com ele.

Nascida e criada em Campina Grande, Mônica decidiu seguir carreira militar para defender a cidade onde vive. Para estar sempre bem fisicamente, ela precisava ter uma rotina intensa de exercícios físicos. Por isso, ela sempre correu dez quilômetros a cada treino. Com o tempo, foi pegando gosto pela atividade e passou a se dedicar para o percurso de 21 quilômetros, a meia maratona.

A primeira prova foi realizada sozinha e quando Davi estava prestes há completar dois anos ela prometeu que iria se preparar para que ele fosse seu companheiro. Há um ano e meio, ela treinou para o maior desafio da vida de ambos.

A preocupação de Mônica é estar sempre bem para atender às necessidades físicas, cognitivas e psicológicas de Davi. Ver o mundo, as pessoas e fazer coisas diferentes fizeram com que Davi se tornasse o principal companheiro dela nos desafios das pistas e da vida. A partir disso, a mãe percebeu que ser e estar era uma condição única e exclusivamente de querer.

Para provar isso ao filho, ela precisou fazer história e romper as barreiras do preconceito, das limitações e dos julgamentos. No dia 30 de setembro, o circuito de 42 quilômetros equivalente a uma maratona completa foi cumprido por Mônica e Davi, em Foz do Iguaçu-PR.

Muitos relatos prepararam os dois para tudo o que eles poderiam enfrentar durante a competição, pois Foz do Iguaçu é uma cidade de clima imprevisível. Dificuldades existiram e sempre existirão a cada competição em que Mônica decidir participar com o filho, mas isso nunca foi suficiente para pará-los.

Para a surpresa de Mônica, eles estavam entre os dez primeiros colocados. Ela completou todo o percurso em 4 horas e 23 minutos, debaixo de muita chuva e muito frio, conquistando o oitavo lugar da classificação geral da categoria competida.

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