domingo, 28 de fevereiro de 2021

Escravidão
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Mais de 800 paraibanos foram resgatados do trabalho escravo entre 2003 e 2017

Beto Pessoa / 28 de julho de 2017
Foto: Reprodução
Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostram que 840 paraibanos já foram resgatados do trabalho escravo entre 2003 e 2017. Todos estavam em outros Estados, o que coloca a Paraíba em 16º lugar no ranking dos maiores exportadores de mão de obra escrava do País.

Do total de resgatados, 362 residiam na Paraíba antes de irem para outros Estados, enquanto 478 eram nascidos em cidades paraibanas. Os dados do MPT-PB apontam que a cada seis dias, um paraibano (de nascimento ou residência) é resgatado do trabalho escravo no País. Patos, no Sertão paraibano, foi o município que mais exportou paraibanos para a escravidão (com 64 egressos naturais e 67 residentes).

Uma das dificuldades em se combater o trabalho escravo está na diminuição do orçamento para as fiscalizações e resgates, que tem diminuído o número de operações em todo País. Entre 2013 e 2016 a queda foi de quase 40%, passando de 189 ações para 115. Consequência disso é a queda dos resgates, que passou de 2.808 para 885. Segundo informações da assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho da Paraíba (MPT-PB), o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, informou ao procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, só ter recursos garantidos para essas fiscalizações até o próximo mês. No entanto, comprometeu-se em buscar soluções que assegurem as ações até o final deste ano. Ronaldo Fleury destacou a importância das fiscalizações para coibir a ação dos aliciadores. “Os próprios fazendeiros, sabendo que podem ter suas fazendas inspecionadas, já começam se preocupar. Mas, o Estado saindo, naturalmente tende a haver um relaxamento. Havendo o afastamento do Estado (na fiscalização), nós estaríamos sujeitando a relação do trabalho à terra de ninguém”, afirmou.

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