terça, 26 de janeiro de 2021

Economia
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Uma em cada cinco pessoas que possuem vale alimentação não controla os gastos

Celina Modesto / 12 de março de 2017
Foto: Divulgação
Parece ser um verdadeiro milagre quando o mês termina e ainda resta algum crédito no vale alimentação ou refeição. Milagre porque o mais comum é, de fato, o valor do benefício acabar antes do previsto. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), uma em cada cinco pessoas que possuem vale restaurante e/ou alimentação não controla os gastos feitos (20%).

Além disso, 27% admitem extrapolar o valor dos benefícios, sendo necessário complementar o total. “Geralmente, os benefícios vêm no cartão e a pessoa tem a falsa sensação de que não está gastando. Além de controlar com caderninho, também tem o comprovante que mostra o quanto pode gastar até o final do mês ou até mesmo o próprio aplicativo do cartão, com sugestão do quanto gastar por dia”, sugeriu a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O vale refeição é o benefício utilizado exclusivamente para alimentação fora de casa, enquanto o vale alimentação pode ser usado em compras no supermercado. “O benefício é fácil de controlar, então, 27% é um percentual muito alto de pessoas que o extrapolam. O ideal é que toda a população fizesse o controle. A gente precisa lidar com isso todo dia. A consequência do não controle é extrapolar”, disse.

O levantamento também identificou que, embora seja uma prática não recomendada, 20% dos entrevistados que possuem ticket restaurante e/ou alimentação costumam vender o benefício para complementar a renda, sobretudo entre quem pertence às classes C, D e E (22%). “Vale ressaltar, porém, que a venda do benefício é uma prática não permitida, já que o benefício tem destino certo: a alimentação do colaborador”, afirmou Kawauti.

A venda pode, inclusive, gerar punições severas por parte da empresa, culminando até na demissão do trabalhador. “O ideal é que o trabalhador se organize para destinar o valor do benefício somente em alimentação para si mesmo, usando o seu salário para os outros gastos. A venda do benefício, além de não permitida, gera uma perda do valor total recebido pelo trabalhador, uma vez que a venda é sempre feita com ágio”, disse a economista.

Kawauti alertou acerca da importância de controlar o uso do ticket. “O ticket alimentação ou restaurante é um benefício financeiro que precisa ser bem administrado para impactar positivamente a renda da pessoa”, recomendou.

Refeição média custa R$ 34

Uma refeição completa feita fora de casa custa hoje em média R$ 34,36 em João Pessoa, de acordo com dados da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador. Os dados foram divulgados esta semana com base em pesquisas realizadas em novembro de 2016, porém, correspondem ao preço médio para 2017. Na capital paraibana, 52 estabelecimentos comerciais foram avaliados.

A média corresponde aos valores praticados por restaurantes que ofertam autosserviço, comercial, executivo e à la carte. Entre as capitais do Nordeste, João Pessoa ocupou a terceira posição entre a maior média da refeição completa fora de casa, perdendo apenas para São Luís (R$ 36,96) e Aracaju (R$ 35,62). Por refeição completa, compreende-se: prato, bebida (refrigerante, água ou suco), sobremesa (frutas ou sobremesa) e café (expresso ou coado).

Considerando o salário médio de R$ 2.015,00 por trabalhador, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o gasto total com alimentação representa cerca de 30% do rendimento, segundo estimativa do SPC Brasil. “Por esse cálculo se pode ter ideia da importância de um benefício como o vale restaurante e alimentação”, calculou a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

De acordo com os dados divulgados pela Assert, em João Pessoa o preço médio da refeição completa do tipo comercial é a mais barata: R$ 28,63 - mas ainda é a segunda mais cara do tipo entre as cidades do Nordeste que foram avaliadas. Já o prato do autosserviço custa em média R$ 30,58; o do executivo, R$ 56,25; e, do à la carte, R$ 64,27.

É pouco. A economista-chefe do SPC Brasil admitiu que, em muitos casos, o valor do benefício é pouco. No entanto, afirmou que, neste caso, é mais importante saber controlar os gastos do vale alimentação ou refeição. “Em alguns locais, o ticket não dá até o fim do mês, mesmo com muito controle. Neste caso, a pessoa tem que ser mais controlada porque sabe que o dinheiro é curto e tem que separar o dinheiro do orçamento para comprar”, disse.

Além disso, “As pessoas com orçamento mais apertado também devem ter mais cuidado. O agravante é que quando o ticket está acabando, o dinheiro do mês também está acabando. Então, isso pode piorar a falta de controle. Se já sabe que isso pode acontecer, o ideal é guardar dinheiro e se preparar para isso, em vez de passar sustos”, alertou Marcela Kawauti.

Até 82% do salário mínimo

Um trabalhador que ganha apenas um salário mínimo e não recebe qualquer tipo de subsídio ou ticket para alimentação da empresa gasta até 82% do rendimento com refeição fora de casa. Considera-se, para esse cálculo, o salário mínimo no valor de R$ 880 e 22 dias úteis de trabalho. Se o trabalhador recebe dois salários mínimos, o gasto cai para a metade: 41%. No entanto, o percentual ainda é considerado bastante elevado.

Já o trabalhador que recebe cinco salários mínimos, gasta apenas 17% do total com refeição fora de casa. Além disso, a alimentação fora de casa ficou 8% mais cara para o brasileiro desde o resultado da última pesquisa realizada pela Assert, divulgada no ano anterior, passando de R$ 30,48 em 2015 para R$ 32,94 em 2016. Dessa forma, o aumento registrado ficou acima do ICPA do período – que ficou em 6,29% de acordo com o IBGE –, mas acompanhou a inflação de alimentos e bebidas (8,62%).

Para a pesquisa, a Assert contatou 4.574 estabelecimentos de todo o Brasil, que servem almoço de 2ª a 6ª feira, nos sistemas Comercial, Autosserviço, Executivo e À la Carte e que aceitam voucher refeição. Foram coletados 5.545 preços e os resultados indicam que o preço médio de uma refeição completa no Brasil em 2017 – ano base 2016, ou seja, o prato acrescido de sobremesa/fruta, bebida e café, é de R$ 32,94. Decompondo esse valor, tem-se que o prato custa, em média, R$ 18, 94; a sobremesa, R$ 6,76; a bebida, R$ 4; e o café, R$ 3,25.

Dicas para controlar os gastos

▶ Tentar comer em restaurante por quilo (ou autosserviço), especialmente para quem come pouco

▶ Cortar bebidas e sobremesas para não extrapolar

▶ Se usar o ticker para jantar ou em ocasiões especiais, apertar nos dias seguintes para compensar o valor gasto

▶ Observar o aplicativo para saber quanto gastar em média por dia

▶ Atentar para o valor da refeição gasto diariamente

▶ Se for possível cozinhar e levar o almoço para comer na empresa, melhor ainda. Sai mais em conta

 

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