terça, 25 de junho de 2019
Economia
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Brasileiro passa 37 dias no trânsito por ano

Érico Fabres / 07 de janeiro de 2018
Foto: Rafael Passos
O tempo perdido pelos brasileiros no deslocamento para o trabalho nas regiões metropolitanas devido às más condições de mobilidade urbana geram um custo adicional de R$ 62,1 bilhões por ano à economia, cerca de oito vezes o que o país investe anualmente na área, mostra estudo liderado pelo economista Armando Castelar, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Esse custo estima o tempo em que as pessoas poderiam estar produzindo. Por ano, brasileiro passa, em média, um mês e sete dias no trânsito. Nas cidades médias como João Pessoa, que têm entre 500 mil e 1 milhão de habitantes, o tempo despendido para locomoção é de quase 40 minutos por dia.

A falta de alternativa para deslocamento e o preço estão entre as principais razões para o público que recorra ao transporte público no dia a dia. Segundo estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes (CNDL), 35% dos entrevistados afirmam se locomovem de transporte público porque ele é mais barato do que os demais tipos de transporte e 28% contam apenas com esse meio de locomoção disponível.

A maioria dos brasileiros diz que mudaria a opção de transporte escolhida atualmente para se locomover na sua cidade caso tivesse opções melhores. A conclusão é do levantamento inédito sobre os hábitos e percepções da mobilidade urbana no dia a dia dos brasileiros.

Caso houvesse uma boa alternativa de transporte coletivo, seis em cada dez (60%) motoristas reconhecem que deixariam de utilizar seus veículos particulares, seja carro ou moto, para trajetos do dia a dia. Apenas 17% são mais resistentes e manteriam o hábito de se locomover apenas com seus veículos.

O estudo do SPC Brasil e da CNDL também descobriu que, com exceção das idas ao supermercado e das compras dentro do próprio bairro - que geralmente são feitas a pé - o transporte coletivo é o mais utilizado para todas as demais atividades do dia a dia do brasileiro, como ir ao trabalho (53%), se deslocar até a escola ou faculdade (28%), ir a uma consulta médica (58%) ou realizar compras em locais mais distantes (51%).

O ônibus lidera a preferência especialmente por atender as camadas mais carentes da população, entre as classes C, D e E, que são a grande maioria no Brasil. Atualmente, caronas coletivas ou aplicativos de transporte no estilo Uber também têm feito as pessoas mudarem seu comportamento em alguns momentos, visto que o transporte, em especial na capital paraibana, ainda caótico.

Quando consideradas as atividades de lazer, como ir ao cinema, parques, festas, bares e restaurantes, 43% dos entrevistados disseram que utilizam ônibus e para ir ao supermercado, a caminhada é a forma mais utilizada (44%).

Para presidente da CNDL, Honório Pinheiro, um sistema de transporte planejado, integrado e de qualidade, seria capaz de proporcionar menos emissão de poluentes, reduzir o número de acidentes no trânsito e também traria benefícios para a economia e para o bolso do consumidor.

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