sábado, 23 de fevereiro de 2019
Trabalho
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Programa procura inserir profissionais trans nas empresas lutando contra o preconceito

Bárbara Wanderley / 22 de julho de 2018
Foto: RAFAEL PASSOS
“Quero crescer dentro da empresa, me tornar supervisor”. A ambição do jovem Mateus Martins, de 22 anos, reflete a dedicação ao trabalho de operador de telemarketing, seu primeiro emprego, conquistado há cerca de dois anos. A história de Mateus, à primeira vista igual à de qualquer outro jovem, é na verdade uma exceção, pois ele precisou quebrar as barreiras do preconceito que impede a maioria dos transgêneros de se inserir no mercado de trabalho.

“Eu enviava meu currículo com meu nome de registro e nome social, então as pessoas já sabiam que era uma pessoa trans e nunca me chamavam nem para entrevista”, contou.

Foi por meio do programa Transcidadania, da Coordenadoria Municipal de Promoção à Cidadania LGBT e Igualdade Racial de João Pessoa, que Mateus conseguiu uma oportunidade na Liq, empresa especializada em atendimento ao cliente. Hoje, além de almejar um cargo mais alto dentro da empresa, Mateus também pensa em exercer a profissão de educador físico, graduação que terminou recentemente.

O preconceito e a falta de oportunidades para qualificação profissional ainda são barreiras para que pessoas trans encontrem empregos formais no mercado de trabalho. Com a ajuda de campanhas educativas e ações como a Transcidadania, porém, algumas empresas já estão abrindo espaço para essa força de trabalho e não se arrependem. “Não há diferença intelectual e nem de compromisso”, disse o coordenador de Recursos Humanos da Liq, Everson Araújo.

Atualmente, a Liq possui 12 pessoas trans em seu quadro de funcionários, sendo nove homens trans, ou seja, que nasceram mulheres, mas se reconhecem como homens; e três mulheres trans, que nasceram homens, mas se reconhecem como mulheres.

Marginalizados dentro de casa

Segundo o coordenador-geral LGBT do município, Roberto Maia, quase a metade das pessoas trans atendidas na coordenadoria, não chegou a completar a segunda fase do ensino fundamental. Ele explicou que transgêneros de modo geral, mas principalmente as mulheres, são marginalizadas, muitas vezes rejeitadas pela própria família e vivenciam preconceito nas escolas e universidades.


A falta de dinheiro aliada à falta de empatia dos colegas de classe acaba fazendo com que muitas desistam de estudar. Por isso, além da parceria com empresas para incluir os trans no mercado de trabalho, o programa também encaminha para cursos profissionalizantes e cursos de línguas.


Mateus lembrou que passou por muitas dificuldades para se formar em Educação Física. “Foi uma fase muito difícil para mim, porque eu ainda estava me descobrindo e sofri muito preconceito. Os colegas não me escolhiam para os trabalhos em grupo, não conversavam comigo”.


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