domingo, 18 de agosto de 2019
Economia
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Trabalho com força física tende a perder importância

Ellyka Gomes / 21 de maio de 2019
Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas
As atividades que envolvem força física, classificação e separação de objetos, controle de estoques e operação de máquinas vão perder ainda mais espaço no mercado de trabalho com a quarta revolução industrial. Em contrapartida, profissões que envolvem aptidões cognitivas (raciocínio e o domínio de linguagens), habilidades interpessoais (cuidado e o contato humano), habilidades gerenciais e ligadas às ciências, tanto as da natureza quanto as sociais ou aplicadas, terão maior espaço no futuro.

Foi o que apontou o estudo “Tecnologias Digitais, Habilidades Ocupacionais e Emprego Formal no Brasil”, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O material revelou que houve uma expansão de 19,3% nos anos de estudo dos trabalhadores formais civis no Brasil entre 2003 e 2017. A qualidade das ocupações disponíveis, no entanto, não acompanhou esse crescimento.

A escolaridade mínima média exigida para o desempenho das ocupações civis cresceu apenas 3,5% no país, enquanto o nível médio de habilidades cognitivas exigidas para o exercício dessas ocupações cresceu somente 4,1% no mesmo período. Isso significa que, apesar do crescimento da escolaridade dos trabalhadores, o Brasil não tem conseguido gerar empregos qualitativamente melhores de forma significativa.

“A população está cada vez mais escolarizada, mas isso não tem se traduzido em empregos que exijam melhores habilidades”, ressaltou o economista Aguinaldo Nogueira Maciente, coordenador de Estudos e Pesquisas em Trabalho e Desenvolvimento Rural do Ipea e um dos autores da publicação.

Alerta sobre baixa qualificação



O material faz ainda um alerta para os empregos de baixa qualificação, ainda predominante no país, que poderão ser afetados no futuro próximo com a chegada de novas tecnologias. Os pesquisadores destacaram que os estudos relacionados aos impactos das novas tecnologias digitais sobre o emprego classificam as atividades em rotineiras e não rotineiras. As primeiras seriam as mais afetadas pelas novas tecnologias, passando a ser realizadas por máquinas e/ou computadores.

“Uma tarefa rotineira é aquela passível de desmembramento em passos previsíveis e codificáveis numa sucessão de comandos lógicos”, diz o material.

No entanto, o grau de complexidade das novas tecnologias vem permitindo que máquinas e computadores modernos sejam capazes de desempenhar um conjunto cada vez maior de atividades não rotineiras.

A lista de atividades que poderão ser afetadas negativamente e positivamente pelas novas tecnologias está sendo continuamente deslocada.

"Dirigir carro e traduzir textos em diferentes idiomas, por exemplo, poderiam ser consideradas atividades não rotineiras por não serem passíveis de se codificar via sucessão de comandos lógicos. No entanto, ambas já podem ser desempenhadas por máquinas ou computadores." - Estudo do Ipea.

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