sexta, 22 de janeiro de 2021

Tecnologia
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UFCG é o celeiro de novos projetos de desenvolvimento de aplicativos

Wênia Bandeira / 05 de fevereiro de 2017
Foto: CHICO MARTINS
Hoje em dia, é difícil encontrar quem não tenha pelo menos um ponto de acesso à internet, gratuita ou não, e que use corriqueiramente o acesso ao mundo virtual. Foi pensando nisso, que a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) começou a envolver os alunos no desenvolvimento de aplicativos e programas que podem ser usados tanto pelo público em geral, quanto por empresas e organizações governamentais e não governamentais, sempre visando facilitar a vida das pessoas e aproxima-las de informações antes de difícil acesso.

“Se você pensar direitinho, cada pessoa, por menor poder aquisitivo que tenha, tem pelo menos um ou dois computadores com internet, pronto para ser usados, em suas mãos. São telefones, tablets,notebooks e outros equipamentos tão comuns nos lares e no meio da rua também”, comentou o vice-diretor de centro de pesquisa de computação da UFCG, Jorge Aragão.

De acordo com ele, a forma moderna de aliar pesquisa e desenvolvimento fez com que este trabalho acontecesse. Jorge explicou que a mente dos professores e, principalmente, dos alunos, é sempre muito fértil, o que fez com que a UFCG chegasse a um número até incontável de aplicativos para celular em desenvolvimento.

“Sempre surgem ideias novas e a internet permite que facilite a vida da população. Por isso, hoje nós temos mais de cem projetos em desenvolvimento e, como são grupos autônomos que trabalham dentro da universidade, não temos nem mesmo como acompanhar a quantidade de projetos, até porque sempre surge um novo”, disse.

Entre todos os aplicativos, há os mais diferentes assuntos abordados, envolvendo diversas áreas. “Hoje em dia, está na moda a veia da corrupção e, nesse momento, temos problemas também com a quantidade e qualidade da água. Vemos um interesse também com relação à segurança, à saúde e a transporte público. Nós temos aplicativos em desenvolvimento para tudo isso e muitos outros. Tempara tudo que você imaginar”.

Experiência e renda

Participar de criação e desenvolvimento de projetos não é obrigatório no calendário acadêmico, mas quem participa das equipes conquista experiência e renda fixa. É os estudantes que são aprovados para fazer parte das pesquisas recebem uma bolsa de incentivo, cujo valor pode variar de mil a três mil reais.

“Nós somos beneficiados pela Lei de Informática, que vem de uma iniciativa público privado. As empresas investem em nossos trabalhos e este dinheiro é também repassado para pagar a bolsa para os estudantes”, falou a professora coordenadora de um dos projetos de capacitação da UFCG, Renata Fonseca.A Lei de Informática (leis 8.248/91, 10.176/01, 11.077/04 e 13.023/14) concede incentivos fiscais para empresas do setor de tecnologia que invistam em pesquisa e desenvolvimento.

Quem ingressa no curso de Ciência da Computação pode já começar a trabalhar na área desde o primeiro dia de faculdade. Para tanto, basta apresentar notas e currículos, que serão analisados pela coordenadoria. Renata disse que aqueles alunos que nunca foram reprovados em qualquer disciplina, não têm faltas acumuladas e tem boas notas preenche os requisitos necessários para o trabalho que é de 20 horas semanais.

“Se é um projeto que está iniciando agora e é longo, o aluno precisa apenas ter matrícula ativa, porque se ele tem boas notas e nunca perdeu uma disciplina a gente entende que ele é dedicado e vai se dedicar ao projeto. Já nos projetos que já estão no fim, precisa ser um aluno mais avançado no curso. Nós tentamos reproduzir a vida profissional fora da universidade. Nós temos metas e compromissos como qualquer empresa”, explicou.

A participação nas equipes pode contar como o estagio supervisionado, que é obrigatório para finalização do curso, ou como créditos para cadeiras optativas, dispensando até dois anos de créditos. Os universitários que finalizam o curso com bom desempenho nos projetos acabam sendo empregados dentro dos próprios projetos como profissionais.

A professora informou ainda que não tem restrição de cursos. Alunos de outras faculdades podem participar dependendo do projeto e ela falou que já teve alunos de engenharia elétrica, por exemplo.



App anticorrupção

Ano passado, um aplicativo criado pela UFCG, A Diferentona, foi vencedor de um concurso de projetos de enfrentamento a corrupção, feito pelo Ministério da Justiça, que teve mais de 50 trabalhos concorrendo. O professor que coordena o desenvolvimento do app, Nazareno Andrade, disse que a ideia é facilitar o acompanhamento de obras e programas realizados pelos municípios com recursos oriundos do Governo Federal.

“O objetivo é ajudar a entender como sua cidade é diferente comparada a outras cidades pelo país. Vamos dizer que você é de Santa Terezinha. Ela é diferente de João Pessoa, mas é bem parecida com várias outras cidades pelo Brasil. Santa Terezinha gasta muito ou pouco em saúde, por exemplo, comparado com as cidades parecidas com ela. Talvez ela tenha gasto muito em esporte, então porque ela gastou tanto. Santa Terezinha, claro, é só um exemplo”, falou Nazareno.

Com as informações em mãos, as pessoas podem discutir, saber quais obras estão em andamento, verse estão cumprindo o cronograma e denunciar para a CGU (Controladoria-Geral da União) caso encontre qualquer traço de irregularidade no uso do recurso federal. “Você pode descobrir que tem uma praça próxima à sua casa que deveria estar pronta há seis meses e não está. Então você pode denunciar pelo próprio aplicativo”.

A equipe do professor Nazareno tem ainda outros projetos de cunho político, como VereadorCG, que pretende auxiliar a população campinense a acompanhar o trabalho realizado pelos vereadores da cidade, mostrando quem mais levou projetos para votação relacionado à saúde ou a trânsito, por exemplo. “O aplicativo mostra também quem é o vereador que é especialista em dar nomes a ruas ou títulos campinenses a pessoas. A gente quer acompanhar para poder discutir com eles”. O app pode ser baixado no endereço www.vereadorcg.cc.

Nazareno informou que a Câmara Municipal de João Pessoa já mostrou interesse, apesar do trabalho feito em Campina não ter qualquer parceria com a Casa Legislativa do município.

A equipe ainda desenvolveu, durante as eleições municipais, um aplicativo para que a população das cidades pudesse saber de onde vem o dinheiro das eleições. “Nós descobrimos que os candidatos de Campina Grande tenderam a colocar recursos próprios, então são só pessoas que tem muito dinheiro que se candidatam em Campina Grande?”. Este app já foi retirado, mas o professor pretende voltar a disponibiliza-lo através da loja virtual do Google.



App para Polícia Federal

Com o objetivo de economizar com custos com papel e agilizar o trabalho, a Polícia Federal colocou em uso um aplicativo para dispositivos móveis planejado pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Pelo menos 600 mil reais serão poupados na produção de cartas de inquérito. O e-pol já está presente em oito estados brasileiros e a perspectiva é chegar a todo o país até o final de 2017, de forma progressiva.

O Delegado da Polícia Federal, Heleno Freire, responsável pela implantação do projeto, explicou que além da economia de papel, o sistema está melhorando o acesso às informações. Isso torna a investigação mais ágil, principalmente quando outras cidades ou estados precisam acessar o que já foi investigado.

“A partir de agora, o trabalho é integrado com as várias unidades do Brasil. O acesso pode ser feito a distância, o que facilita a transmissão da investigação de uma pessoa para outra. Hoje, quando temos uma investigação em Campina Grande, por exemplo, que precisa ser continuada em outro local, há extravio e demora dos papéis”.

Atualmente, os inquéritos são físicos, em formato de caderno, e estão em processo de migração para tramitar de forma eletrônica. Todos os processos abertos desde maio, quando o projeto piloto foi implantado em Campina Grande, já estão informatizados e sem papeis utilizados. “É um serviço prestado para a sociedade, se está mais ágil fica mais rápido para a população que terá resultados em menos tempo”. Os processos antigos tendem a acabar porque a vida da investigação é de um a dois anos em média até sua conclusão.

São em torno de 150 processos circulando no e-pol e outros 1500 processos físicos em processo de informatização. Além da Paraíba, o aplicativo está em funcionamento nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Acre e Rondônia. O próximo passo será abranger a região Norte com o sistema desenvolvido por estudantes da UFCG.

O gerente de projetos da universidade, Bruno Dias, explicou que o objetivo de implantação no Norte é vencer as dificuldades de internet instável visto na região. “Por vezes, os agentes do Norte perdem o acesso, então temos que fazer um sistema otimizado para que o uso de internet seja o mínimo possível. Muitas áreas pelo Brasil encontram este problema, por isso o Norte é nosso início de resolução”, falou.

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e o Distrito Federal terão um processo de implantação mais lento, isto em razão da alta carga de uso. “Eles terão apenas os casos tidos como normais, sem os flagrantes até para que os usuários possam se familiarizar com o sistema”.

O pequeno custo de logística e de papel deve pagar a implantação do sistema até 2018, segundo garantiu Bruno. Ele explicou que os papeis que seriam utilizados em mais de 100 mil inquéritos por ano e a logística de transporte deste material entre as unidades da PF não existirão daqui para frente. “Serão 14 milhões de papeis economizados e mais de 600 mil reais a menos. É uma economia que paga as despesas de implantação”.

O aplicativo pode ser utilizado em computadores e dispositivos móveis, mas a segurança é assegurada por um trabalho conjunto entre a UFCG e a polícia. De acordo com o gerente de projetos, o sistema é configurado nos telefones dos agentes apenas no momento de utilização e desconfigurado logo após finalizar o acesso.

“Nenhum civil pode acessar o sistema sem estar dentro da infraestrutura da PF. E os agentes não ficam com o aplicativo configurado sempre. Isto acaba com o perigo do aparelho ser roubado, por exemplo, e outra pessoa ter acesso. Além disso, tudo só pode ser acessado com login e senha, mesmo dentro da infraestrutura da polícia”, acrescentou Bruno.

Os processos passam também por políticas de backup para guardar uma réplica dos dados, caso o processo seja corrompido e a informação seja perdida.

 

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