quinta, 21 de janeiro de 2021

Economia
Compartilhar:

Tabu impede decisão de planejamento funerário

Rammom Monte / 27 de março de 2017
Foto: Arquivo
Há quem diga que a única certeza que temos na vida é a morte. Mas quantas pessoas você conhece que se preparam financeiramente para este momento? Pois é. Apesar de ser algo que todos irão passar, poucos se preocupam como os familiares terão que arcar com as despesas de velório e sepultamento, entre outros. Decisões devem ser tomadas e elas costumam ter altos custos, portanto é válido traçar um planejamento e garantir menos dor de cabeça aos amigos e familiares. Para Reinaldo Domingos, doutor em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira e autor do best-seller Terapia Financeira, o tema ainda é um tabu e por isto faz com que não se fale muito nele.

“Ainda é um tabu, ninguém quer falar sobre morte. Mas é realístico e vem deixando muitas famílias de forma endividadas em virtude de uma situação que até é esperada, que todos sabemos que um dia passaremos, mas é geralmente deixada de lado”, disse.

Segundo o especialista, é preciso que se planeje para este momento, para que os parentes e amigos que ficaram, não tenham que ter outra dor de cabeça além do sofrimento natural.

“É preciso parar em algum momento e planejar, decidir se eu tenho a vontade de doar os órgãos... A morte não tem a data certa, então a gente precisa mais do que nunca fazer a lição de casa. Não é uma coisa dura, tem que submeter como natural. É claro que ninguém gosta de partir e muito menos quem fica gosta de perder um ente querido. Então para que possa evitar problemas para a família, a pessoa precisa também em algum momento olhar para este tema e resolver, sabedor que se acontecer a qualquer momento, a família terá a tranquilidade e não deixará um problema e sim solução”, explicou.

Ainda de acordo com Reinaldo, não há uma idade certa para que se pense sobre o assunto. Independente disto, ele ressaltou a importância de se precaver e ainda citou um caso que aconteceu em sua própria família.

“Eu conheço pessoas jovens que já se preocupam com isto. Até com seus pais. Os jovens tomam esta iniciativa. Eu mesmo tive uma experiência com o tio da minha esposa que morreu no Paraná, mas viveu muitos anos em São Paulo. Ele não tinha jazigo, mas eu já tinha um e foi a salvação. Agora se não tivesse este, nem sei por onde começaria a buscar. É um impacto psicológico e emocional, todos ficam paralisados e isto é o problema. Então você acaba tendo que lançar a mão de um amigo, mas as vezes não tem essas pessoas. Então você precisa ter como ser um dos pontos a ser planejado e sacramentado. É o investimento mais certo que a gente vai fazer na vida, não tem como fugir. Então há a necessidade de ter no planejamento da família”, afirmou.




Situação de parente fez funcionária pública se planejar

A morte de um familiar fez com que a funcionária pública Valéria Meira prestasse atenção na importância de se precaver financeiramente para a morte. Após o falecimento de uma parente, Valéria decidiu adquirir um plano em um cemitério particular da cidade.

“Decidimos porque após  a gente presenciar o transtorno de uma família da gente, de umas primas nossas que, além da mãe morrer, se pegaram sem ter um canto para sepultar, nada, a gente viu o desespero, correndo atrás do local para sepultar a  mãe. Então a gente viu a necessidade de não passar por este constrangimento, então a gente comprou este terreno e graça a Deus passamos quase uns 12 anos sem usar. E quando aconteceu o falecimento do meu pai foi tranquilo, a gente não teve que passar por este aperreio de estar procurando um local para fazer o sepultamento, foi tudo tranquilo, a própria empresa providenciou tudo e a  gente não teve nenhum desconforto neste momento, que era um momento triste”, relatou.

Segundo ela, o investimento vale a pena, já que poderá evitar problemas futuros.

“Com certeza vale a pena, se a pessoa puder, vale a pena. Você já tem a preocupação e a tristeza de perder uma pessoa e você ainda ir procurar um local para fazer o sepultamento, são duas coisas que não combinam muito”, finalizou.



Custos

A reportagem fez uma breve pesquisa nos valores para planos de sepultamento e cremação. Um terreno em um cemitério particular de João Pessoa varia de R$ 4.500 (com direito a uma gaveta) a R$ 18.500 (com direito a três gavetas). Os valores podem ser divididos em até 24 meses. Alguns planos em até 40 meses. Além disto, é importante lembrar que há uma taxa de anuidade e outros custos.

Já para a cremação, os valores variam de R$ 4.150 a a R$ 5.700 e podem ser divididos em até 10 vezes. É importante ressaltar que os valores acima citados são uma média e que podem variar de acordo com o estabelecimento.

Relacionadas