terça, 11 de dezembro de 2018
Economia
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Sindsprev afirma que ‘Meu INSS’ não resolve demora

Bárbara Wanderley / 17 de julho de 2018
Foto: Rafael Passos
O autoatendimento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) pelo site “Meu INSS” não resolverá a demora na concessão de benefícios e deve trazer mais problemas do que soluções. É o que afirma o diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde, Previdência e Trabalho do Estado da Paraíba (Sindsprev-PB), Sérgio Fonseca. Diversos serviços prestados pelo órgão só serão realizados mediante agendamento pela internet ou por telefone, mudança que começou a valer desde essa segunda-feira (16).

Criado para melhorar o fluxo de atendimento nas agências, o site Meu INSS permite aos usuários realizar consultas e solicitar benefícios sem a necessidade de ir à agência. Nos casos em que haja necessidade de atendimento presencial, o segurado deve agendá-lo pelo site ou pelo telefone 135.

Sérgio Fonseca afirmou, no entanto, que grande parte da população tem dificuldade em lidar com o autoatendimento online, pois, além de nem todos terem familiaridade com a tecnologia, a concessão de benefícios possui regras muito específicas, que nem todos conhecem. Com isso, é comum chegarem pessoas nas agências afirmando que não conseguiram resolver o que precisavam pela internet.

“Muitas pessoas não conseguem nem agendar por telefone, chegam contando que ligaram várias vezes e ninguém atendia”, disse.

Instituto tem defasagem de servidores e vai piorar

Segundo o diretor do Sindsprev-PB, o INSS tem uma defasagem de cerca de 15 mil servidores em todo o país. Além disso, dos 30 mil servidores que trabalham no instituto, apenas cinco mil estão aptos a fazer a concessão de benefícios. Na Paraíba, há duas superintendências, uma em João Pessoa e outra em Campina Grande. Apenas cerca de 100 funcionários fazem o trabalho de análise dos pedidos de aposentadoria, dos quais 70 na capital paraibana.

O que acontece, de acordo com Sérgio Fonseca, é que forma-se uma fila digital de processos para analisar. “Tenho no meu computador 150 solicitações, mas eu só consigo fazer quatro por dia e está sempre chegando mais”, destacou. Para ele, a solução está na contratação de mais funcionários. “Tem até um concurso em aberto, mas ninguém está sendo convocado”, frisou.

Sérgio Fonseca explicou que há muito tempo o sindicato lutava pela manutenção após a aposentadoria, de uma gratificação salarial dos servidores do INSS chamada G10. O valor, que segundo ele corresponde à metade da remuneração desses servidores, era perdido após a aposentadoria.

Após negociações, o sindicato conseguiu a manutenção de 80% da gratificação, com a mudança começando a valer em dezembro deste ano. Com isso, muitos servidores que já possuem os requisitos mínimos para a aposentadoria planejam sair da ativa. “Muita gente vai se aposentar a partir de dezembro. A defasagem de funcionários vai ficar ainda maior”, disse.

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