terça, 24 de novembro de 2020

Economia
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Sem água e com energia mais cara: seca deve prolongar a tarifa extra nas contas de luz

Redação / 27 de novembro de 2015
Foto: Divulgação
A permanente seca no Nordeste do Brasil, intensificada pelo fenômeno climático El Niño, aumenta as chances de ser preciso manter termelétricas ligadas ao longo de 2016, o que significa que os consumidores de energia continuariam pagando um adicional nas contas de luz para custear essa geração, mais cara.

Os reservatórios das hidrelétricas da região estão com 5,2 por cento da capacidade de armazenamento, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com nível de 1,5 por cento na represa de Sobradinho. No reservatório de Três Marias, há 8,7 por cento da capacidade, e na usina Itaparica, 10,2 por cento.

“Tem que chover muito para recuperar, e essa chuva não está parecendo muito que vá ocorrer”, afirmou o ex-diretor do ONS, Carlos Ribeiro.

A cobrança extra é disparada quando há usinas térmicas em operação com custo acima de 388 reais por megawatt-hora.

Se a última térmica ligada tiver custo entre 200 e 388 reais por megawatt-hora, é acionada a bandeira amarela, que cobra 2,5 reais extras a cada 100 kilowatts-hora. A bandeira verde, que representa o retorno à tarifação normal, só é acionada quando estiverem desligadas todas térmicas com custo acima de 200 reais.

“Você vai ter que manter térmicas ligadas também para atender os momentos de pico de carga do sistema... e (a seca) que a gente vem observando deve continuar em 2016. Acho que não tem condição de termos bandeira verde tão cedo”, afirmou o meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento.

Na visão de Ribeiro, ex-ONS e hoje diretor da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), um cenário otimista de chuvas poderia permitir passar à bandeira amarela, mas a necessidade de térmicas no Nordeste deve evitar o retorno à tarifação normal, da bandeira verde.

“Se houver uma afluência grande nas usinas do Sudeste, que dê uma garantia de abastecimento, você poderia desligar as térmicas de lá, as do Sul... mas não as do Nordeste”, disse.

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