sexta, 18 de outubro de 2019
Economia
Compartilhar:

Queda no movimento de clientes provoca crise no Mercado Central de JP

Edson Verber / 03 de abril de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
A queda no movimento de clientes que já vinha ocorrendo desde o ano passado se acentuou nos últimos três meses, registrando uma queda de cerca de 20%. O fato tem provocado crise no setor de alimentos populares no Mercado Central de João Pessoa, onde os preços são mais baixos, podendo um almoço ficar na casa entre R$ 8 e R$ 10.

Para não fechar os estabelecimentos, todos estão abrindo mão de parte dos lucros e investindo para atrair e manter a clientela, face a concorrência entre mais de 30 lanchonetes, na Praça da Alimentação do Mercado Central, em João Pessoa.

O mais antigo entre todos os microempresários é João Severino da Silva, da Barraca Estrela Central. Há mais de 20 anos no Mercado, ele disse que “o movimento caiu uns 20% nos primeiros meses desse ano, mas já vinha caindo desde o ano passado, porque o desemprego vem crescendo, com o fechamento de empresas e as pessoas ficam em casa, não tendo que gastar com alimentação no Centro da cidade”.

Segundo João Severino, quase todos os dias chegam empresários no estabelecimento dele que dizem tem três lojas e que iria fechar, no mínimo, uma delas, porque as vendas estão fracas e não dá mais para pagar a folha dos funcionários sem prejuízo. “Eu mesmo e outros amigos que vendem refeições não fechamos porque não temos o que fazer. Aqui, pelo menos, dá para empatar a despesa e o apurado, e ganhar um pouco”, afirmou ele. Somente de água, o custo chega a R$ 130 por mês, afirmou.

Sujeira

João Severino afirmou que muitas pessoas deixaram de frequentar o Mercado Central para se alimentar em decorrência da sujeira do local, em especial, em dias de chuva. “A prefeitura abandonou o Mercado e não é de hoje. Não existe qualquer providência no sentido de limpar o local, que está a cada dia pior. Por isso que as pessoas prefetem outros lugares”.

Comerciante baixa preço

Mas, em meio a crise, o micro empreendedor Severino José da Silva Filho, apelidado de Tico, resolveu arriscar e passou a ocupar um boxe na Praça da Alimentação do Mercado Central com o estabelecimento Tico Refeições. “Eu entrei para concorrer e estou vendendo a preço diferenciado, a partir de R$ 8 faz 15 dias. O movimento tá fraco, mas tá dando para cobrir as despesas e tirar uns trocados. Não dá é para ficar em casa reclamando”.

Já Ernane Francisco de Souza, do Self Service do Cebola, resolveu apelar para a criatividade e passou a servir a refeição com carne assada na brasa, sendo o único no local, mas ele disse que teve uma conseqüência. “Enquanto o movimento melhorou uns 20%, o lucro da gente caiu, porque a carne para assar é mais cara do que a cozida e, para completar, dá muito trabalho apra assar, tem quentura do fogo, tem fumaça. Mas tá dando para tocar o negócio, nos manter e garantir alguns empregos. Entretanto, nos últimos meses a situação tá piorando com a queda no movimento, pra todos”.

Relacionadas