quinta, 26 de novembro de 2020

Economia
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Projeto para estaleiro de reparos de navios deve sair do papel em 2020

Ellyka Gomes / 24 de fevereiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Seis anos depois do anúncio da construção do estaleiro de reparos de navios na cidade de Lucena, Litoral Norte da Paraíba, finalmente, o projeto deve sair do papel no início de 2020. As últimas etapas antes da execução da obra preveem uma série de reuniões entre o Governo do Estado e os representantes da empresa chinesa IMC-YY, que assinou, há dois meses, o contrato de operação do estaleiro com a empresa norte-americana McQuilling. A crise político-econômica brasileira, que se arrastou até as eleições presidenciais de 2018, vinha deixando os investidores reticentes, motivando o adiamento desses encontros.

Os empresários chineses sinalizaram que querem investir em outros empreendimentos na Paraíba. O presidente da IMC-YY, Chen Yong, que esteve pela primeira vez na Paraíba no ano passado, já está com agenda prevista para voltar ao Estado no início de abril. Na oportunidade, estará também o diretor comercial da McQuilling, David Saginaw, quando o Governo do Estado vai apresentar uma cartilha de oportunidades, com projetos já elaborados que podem ser desenvolvidos por meio de parcerias público-privadas.

Projetos para o porto





  • Terminal de passageiros em Cabedelo


  • Ponte para interligar as cidades de Cabedelo e Lucena


  • Terminal de múltiplos usos


  • Reativação do terminal pesqueiro (atualmente inativo para pesca industrial) e da malha ferroviária Cabedelo-Cajazeiras


  • Dois polos industriais, sendo um em Lucena e outro em Cabedelo




Navios de grande e pequeno porte



Os navios de médio e grande portes passam por manutenção, em média, a cada três anos. Para continuar operando dentro da legalidade, as embarcações são levadas para um estaleiro com certificação internacional, para serem vistoriados e receberem o seguro marítimo. Equipamentos dessa natureza ficam localizados, principalmente, nos países asiáticos. E essa rota é onerosa para empresas com operações no Ocidente.

O custo médio apenas para deslocar a embarcação para manutenção é de U$$ 500 mil (mais de R$ 1,8 milhão). O estaleiro que será construído em Lucena será o primeiro do Atlântico Sul com capacidade para atender navios de médio e grande portes e realizar manutenção de leme e eixo, serviços estes realizados por poucos estaleiros.

“A McQuilling, que atua no mercado internacional como contratante de frete marítimo, quer dispor de um estaleiro no Atlântico Sul para fazer o reparo dos navios de seus clientes”, explicou o consultor Roberto Braga, sobre o interesse da empresa norte-americana em trazer o empreendimento para o Brasil.

Geração de Emprego. A estimativa da McQuilling é de que a construção do estaleiro demande a contração de três mil trabalhadores. Quando tive em plena operação, vai requer outros 1.500 funcionários. Além da geração de emprego, um empreendimento dessa natureza exige a instalação de outras 16 atividades, pois boa parte das operações de um estaleiro é realizada por terceirização.



Edital da dragagem do Porto de Cabedelo



O edital de licitação da dragagem do Porto de Cabedelo deve sair até junho deste ano. A informação é da presidente da Companhia Docas da Paraíba, Gilmara Temóteo. O governador João Azevedo irá se reunir com o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, no próximo dia 26 de março, em Brasília, onde serão definidos os últimos ajustes antes do lançamento do certame. Os governos Federal e Estadual asseguraram R$ 100 milhões para a realização da obra.

O Porto de Cabedelo tem um canal de acesso com calado de 9.14 metros. Com a dragagem, a profundidade chegaria a 11 metros, ampliando em 20 mil toneladas a capacidade de operação. O último serviço desse tipo foi realizado em 2010. Porém, devido a estudos técnicos mal elaborados, que não previu a remoção de pedras, 10% do canal não foram dragados. A presidente da Companhia Docas da Paraíba garantiu que, desta vez, todas as análises necessárias foram feitas para evitar surpresas durante a execução do serviço.

“A empresa que realizar a dragagem vai contar com amostras de todos os tipos de materiais encontrados no fundo do canal”, ressaltou. Segundo Temóteo, devido ao problema do raso calado, o Porto de Cabedelo deixou de realizar importantes operações ao longo dos anos. A exportação de granito foi uma delas. Extraído no interior da Paraíba, o granito passou a ser enviado para a Itália através do Porto de Fortaleza.

“Em geral, os navios chegam aos portos carregados com outros materiais. Quando atracam no Porto de Cabedelo, eles podem ser abastecidos com até 35 mil toneladas. E isso limita a operação de certas cargas, como foi o caso do granito” explicou. A dragagem vai permitir ao Porto de Cabedelo operar embarcações com até 55 mil toneladas de carga, abrindo forte concorrência com o Porto do Recife, que atualmente sofre com problemas de assoreamento.

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