domingo, 29 de novembro de 2020

Economia
Compartilhar:

Profissões repaginadas abrem mercado de trabalho

Ellyka Akemy / 04 de setembro de 2016
Foto: Assuero Lima
O mercado de trabalho está se reconfigurando e abrindo possibilidades para novas carreiras. Talvez não tão novas, digamos que elas estão adquirindo novas roupagens. O profissional de Compliance, por exemplo, desempenha em uma empresa o papel semelhante ao do tradicional gerente. A diferença está no adicional de responsabilidades que foi atribuído ao primeiro, que, entre outras funções, precisa orientar e incentivar sua equipe a respeitar as regras da organização, bem como às exigências da Lei Brasileira Anticorrupção.

Os especialistas em Carreiras ouvidos pela reportagem afirmaram que as empresas estão em busca de profissionais versáteis, criativos e inovadores. Os empregadores esperaram que, além de sua formação, como Direito, Administração e Ciências Contáveis, os profissionais possam trabalhar em equipes multidisciplinares. São os chamados consultores. Para desempenhar a função, o inglês é fundamental.

Esses profissionais precisam ter visão generalista de mercado, organização e liderança, rápida adaptação às rotinas e tolerância a constantes viagens. “Cada vez mais, as grandes organizações estão terceirizando suas funções para agentes especializados”, destacou o professor Gilmar de Oliveira, orientador de carreiras e responsável pelo Programa de Apoio Psicopedagógico do Unipê.

“Ao invés de procurar um escritório de advocacia ao se formar, os profissionais devem focar em uma Consultoria de Negócios, por exemplo, que é uma área bastante promissora”, acrescentou Oliveira. Funções tradicionais e pouco valorizadas, como a de professor, chegam ao mercado com novas características. Professores podem atuar, por exemplo, como educadores coorporativos ou consultores.

Isso porque as grandes empresas, principalmente, do setor de indústria e comércio procuram investir na educação continuada de seus empregados. “São professores que oferecem revisões em áreas de cálculo, estimulam o desenvolvimento de novas habilidades e a melhora da escrita em Português ou Inglês, por exemplo. Mas fazem isso diversificado o ensino com aulas de etiqueta ou teatro, para incentivar a criatividade e o domínio de situações tensas, como uma negociação”, explicou o orientador de carreiras.

O velho ofício dentro da nova função proporciona aos professores a fuga do tradicional ensino, muitas vezes mal remunerado, e a vivência e aulas criativas dentro da Educação Coorporativa, recebendo salários acima de R$ 80 por hora/aula. Tecnologia da Informação (TI) é outra área promissora. A coach em Carreira Kalline Nóbrega deu destaca às seguintes funções: Chief Data Officer (CDO) e profissional de Segurança da Informação.

O primeiro desempenha a função semelhante ao de diretor executivo de TI. Mas, além da função técnica, ele age como elo entre a área e os objetivos comerciais da empresa. “A evolução dos negócios e da tecnologia tem gerado, cada dia mais, uma necessidade de atuação menos técnica e mais estratégica dos profissionais. O CDO precisa entender de TI, mas também ter liderança situacional, facilidade de relacionamento, comunicação clara, equilíbrio emocional, empatia e resiliência”, comentou a coach.

O profissional de Segurança da Informação está em alta e deverá se manter por muito tempo nesse patamar em virtude do avanço constante da tecnologia. Nóbrega ressaltou que se destacará no mercado “profissionais com facilidade de relacionamento, comunicação eficaz, que sejam dedicados ao conhecimento de normas e procedimentos de áreas diversas, para que tenham uma visão global dos vários tipos de negócios”.

“Como sempre acontece com as profissões que estão em destaque, haverá uma concorrência acirrada, o que considero muito saudável. É essa ‘disputa’ que estimulará em cada profissional a busca pelo conhecimento e pela constante evolução na sua área de atuação. E é essa dedicação que vai mostrar aos empresários de organizações quem são os melhores para suas empresas, sejam elas de qualquer ramo ou porte” análise da coach de carreira Kalline Nóbrega sobre a concorrência promissoras.



AL-Carreira-promissora-tec-da-informacao-ASL_4195-(1)

“É necessário dinamismo, criatividade, iniciativa, praticidade e muito bom humor, pois a educação precisa se renovar e ampliar os horizontes, já que nunca se deixa de aprender” – comentário do professor e orientador de carreiras Gilmar de Oliveira sobre a nova roupagem que a profissão de professor está ganhando no mercado de trabalho.

Demanda é alta por profissionais de novas Engenharias, Biotecnologia e Logística

Os engenheiros formados nas novas engenharias, como de Petróleo e Gás; Pesca; e Ambiental, também têm um mercado promissor pela frente. É o que garante o professor e orientador de carreiras Gilmar de Oliveira. Segundo ele, o mercado nestas áreas já é muito valorizado no exterior. Os salários variam. Nas estatais, geralmente, a remuneração é acima de R$ 10 mil. Em empresas privadas, o salário é menor, mas ainda assim atrativo.

O que o mercado busca nesses profissionais? Além de conhecimento técnico relacionado à área de atuação, que eles sejam dedicados, saibam integrar equipes multiprofissionais e desenvolver liderança e competências diversas, como projetos, investimentos estrangeiros e parcerias. “São áreas novas, que necessitam de pessoas ecléticas e preparadas para o dinamismo de desempenhar multitarefas”, ressaltou Oliveira.

A entrada de multinacionais de petróleo, em decorrência do Pré-Sal, aqueceu a área de Engenheira de Petróleo, que ainda tem muito a desenvolver no Brasil. De acordo com o professor Oliveira, muitos executivos e engenheiros estrangeiros estão sendo substituídos por brasileiros, mas a oferta de mão de obra é pequena, o que faz crescer o salário.

Profissões novas, com Biotecnologia, Biomedicina e Biofísica, também serão muito promissoras na avaliação do orientador de carreiras. As recentes gerações de remédios, por meio da nanotecnologia, de engenharia genética e novas máquinas para tratamentos menos invasivos, são os fatores responsáveis pelo impulsionamento dessas profissões.

NORDESTE

De acordo com Oliveira, a região Nordeste é um bom mercado para profissionais que atuam em Logística, que serão beneficiados com a construção do Porto de Lucena, na Paraíba, e o aumento da demanda no Complexo de Suape, em Pernambuco. “A demanda será grande por profissionais que dominem rotas em rodovias e aeroportos, transporte, estocagem e distribuição de mercadorias, despacho e desembaraço aduaneiro”, revelou.

O técnico de Logística precisa dominar cálculo, ser organizado, articulado, atento e ter iniciativa e capacidade de se comunicar em Português e Inglês, bem como excelente domínio em Informática. Oliveira revelou ainda que os salários pagos a esses profissionais ainda não são altos, mas a tendência é que um profissional com experiência ganhe, em média, dez salários mínimos mensais.

Ensino superior precisa mudar para oferecer ao mercado profissionais com visão ampla

A questão é: o mercado oferece de forma vasta o preparo profissional para seguir essas carreiras promissoras? Infelizmente não. Mas, não pelo número restrito de cursos. E sim, porque a educação tradicional oferecida nas instituições de ensino superior não estimula o aluno universitário a ter uma visão mais ampla das funções que ele pode desempenhar dentro de sua área de atuação.

Para o professor e orientador de carreiras Gilmar de Oliveira, é preciso mudar a cultura do ensino brasileiro onde os alunos universitários estudam para fazer uma prova, sem que vivenciem de forma continua a pratica. “Acredito que o aluno é quem faz a instituição de ensino. Aluno e professor devem estar atentos aos novas configurações do mercado de trabalho, para que possam exigir das instituições melhores preparos”, destacou.

A coach em carreiras Kalline Nóbrega comentou que, como alguns cargos são muito específicos, com exigência de qualificação permanente e muita prática na respectiva área, caberá às empresas investir no treinamento e desenvolvimento do profissional. “Quando unimos o conhecimento prático oferecido pelas empresas à expertise de um orientador de carreira, seja da própria organização ou terceirizado, que tenha o foco em ‘formar’ esse profissional, o sucesso é garantido”, destacou Nóbrega.

Relacionadas