quinta, 24 de janeiro de 2019
Economia
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Presidente da Fiep diz que Sistema S não sofrerá cortes

Bárbara Wanderley / 20 de dezembro de 2018
Foto: Assuero Lima
O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep), Francisco Buega Gadelha, que, no estado, também responde pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional de Aprendizagem na Indústria (Senai) não acredita que o novo governo insista no corte de verba para o Sistema S. O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, determinou à equipe uma meta de corte de 50% dos recursos do sistema, conforme informou nesta semana o economista Marcos Cintra, que vai comandar a secretaria especial da Receita Federal.

“Não estamos trabalhando com essa hipótese”, disse Buega. Segundo ele, apesar de ser um sistema privado, 66% das matrículas dos mais de 80 cursos oferecidos pelo Sesi/Senai são gratuitas. Anualmente, o sistema forma milhões de alunos em todo o país, que conseguem se inserir no mercado de trabalho graças ao conhecimento adquirido nos cursos.

Buega lembrou ainda, que o sistema já havia enfrentado ameaça semelhante, quando Fernando Haddad foi ministro da Educação. “Ele também tinha essa visão de reduzir 30% dos recursos do sistema, mas quando ele se aproximou e conheceu melhor o nosso trabalho, ele criou o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e passou a nos pagar para dar cursos profissionalizantes, além de oferecer bolsas aos alunos. Aqui na Paraíba formamos 10 mil pessoas naquele período”, afirmou.

Neste ano, o Sesi, que oferece educação básica para os trabalhadores da indústria, matriculou 19 mil alunos na Paraíba. Para 2019, a meta é chegar a 25 mil matrículas no estado. Já o Senai, que cuida da educação profissional e a prestação de serviços de assistência técnica e tecnológica à indústria, ainda não consolidou os números do período, mas a estimativa é de que 21 mil alunos tenham se matriculado este ano.

O método de ensino do sistema, que oferta tanto educação básica quanto profissionalizante, tornando o aluno pronto para o mercado de trabalho, já foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Comércio



O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Paraíba (Fecomércio), Marconi Medeiros, acredita que o corte é uma maneira de colaborar com o país e que os empresários devem fazer um esforço para contribuir com a nova gestão, mas admite que haverá dificuldade.

Segundo ele, mesmo que a medida se concretize não haverá demissão em massa. “Se chegar a haver demissão será muito pouco, porque os nossos quadros de funcionários já são bastante enxutos”, disse.

Marconi Medeiros afirmou que os diretores do sistema terão que fazer ajustes para se adequar ao novo orçamento, mas que deve manter todas as atividades e cursos profissionalizantes funcionando normalmente. Ele não soube explicar, entretanto, como terá recursos para manter as atividades se o corte realmente acontecer.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae) é outra entidade que faz parte do Sistema S e pode ser prejudicado com o corte. Procurada pela reportagem, porém, a diretoria do Sebrae Paraíba preferiu não se manifestar sobre o assunto.

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