segunda, 10 de maio de 2021

Economia
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Plano Real faz 24 anos estabilizando inflação

Celina Modesto / 30 de junho de 2018
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo Agência Brasil
Neste domingo (1º), o Plano Real completa 24 anos de implementação no país, com o lançamento da nova moeda, o Real. Depois de 13 tentativas de estabilização da inflação, por meio de outros planos tais como Cruzado 1 e 2, Verão e Collor 1 e 2, o Real conseguiu atingir o objetivo de conter a hiperinflação, porém a retomada do crescimento econômico de forma sustentável ainda é um desafio a ser vencido.

De acordo com o integrante do Conselho Federal de Economia (Cofecon), José Luis Pagnussat, o plano Real conseguiu manter a inflação sob controle até os dias atuais. “Uma característica desse plano em relação aos anteriores foi que ele considerou as diversas fontes da inflação e, dessa forma, enfrentou o problema de forma ampla. Além disso, o plano também considerou o impacto de uma inflação menor nas contas públicas”, explicou.

Pagnussat afirma que, inicialmente, foi criado um fundo social de emergência para liberar parte dos recursos vinculados obrigatórios, tendo em vista que o orçamento brasileiro é considerado rígido.

“Com a inflação baixa, seria possível perder o controle das contas públicas e, por isso, houve antecipação ao problema com a criação do fundo social de emergência. O fundo garantiu uma parcela maior do orçamento discricionário, necessário para ter superávit e atender determinadas políticas públicas. O plano foi bem feito, avaliando todas as causas e consequências da estabilização que viria com as medidas adotadas”, explicou.

O economista também destaca a âncora cambial que acabou resultando em consequências negativas. “A âncora cambial propiciou o crescimento de importações baratas de maneira artificial, do ponto de vista cambial. Isso ajudou a segurar a inflação, fazendo com que os preços internos permanecessem baixos, porém, gerou crescente desequilíbrio externo, provocando privatizações. Houve fuga de capital do Brasil porque havia expectativa de que o país não conseguiria cumprir compromissos externos, mas depois o quadro foi revertido e o país até mesmo passou a ser credor do FMI”, avaliou.

Desde 1999, quando o Brasil passou por uma grande crise na economia, foi criado o chamado tripé da macroeconomia: câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação. Os três conceitos são usados para manter a inflação sob controle até hoje. “A partir de então, por causa da ideia de câmbio flutuante, a expansão das importações foi favorecida e ajudou no alcance do reequilíbrio externo”, disse Pagnussat. Câmbio flutuante é o sistema em que as operações de compra e venda de moedas funcionam sem controle sistemático do governo, ou seja, o valor das moedas estrangeiras “flutuam” conforme a oferta e demanda do mercado.

Plano foi bem sucedido

De acordo com o economista do Cofecon, as medidas iniciais adotadas por meio do Plano Real “colocaram ordem na casa”. “Do ponto de vista histórico, o plano Real foi bem sucedido e conseguiu conter a inflação. A inflação vai continuar sob controle e não vejo um cenário de desequilíbrio. Temos reservas internacionais muito fortes e qualquer país nessa posição tem como controlar o mercado de preços. Neste sentido, o Brasil está numa situação confortável”, argumentou.

Porém, mesmo tendo o maior período da história do país com certa estabilidade nos preços, o plano também tem falhas. De acordo com Pagnussat, o plano não foi capaz de resolver a questão da retomada do crescimento econômico do país de forma sustentável. “O Brasil ainda não encontrou o caminho da retomada sustentável do crescimento. É preciso uma reforma na área do sistema financeiro nacional. Mesmo com uma taxa selic baixa atualmente, o Brasil ainda é um dos países com a taxa de juros mais alta do mundo, o que representa um freio para a economia. Uma taxa de juros elevada reduz a atividade econômica e os investimentos e impede geração de empregos. Por isso, é urgente uma reforma que ponha os juros num patamar mais baixo, de forma que não freie a economia, mas que também não sofra com a pressão inflacionária, que é um risco que se corre com esse tipo de reforma”, explicou.

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