sexta, 27 de novembro de 2020

Economia
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Plano Nacional de IoT é apresentado no Futurecom 2017

Celina Modesto / 08 de outubro de 2017
Foto: Reprodução
O Governo Federal já elaborou um projeto ligado à IoT. Na última quarta-feira (04), durante o Futurecom, realizado em São Paulo, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o consórcio liderado pela McKinsey & Company, com a participação da Fundação CPqD e do escritório de advocacia Pereira Neto | Macedo apresentaram a estrutura e as principais ideias do Plano de Ação do Estudo de Internet das Coisas. Esse é o documento técnico que subsidiará a elaboração do Plano Nacional de IoT.

Os quatro ambientes que serão priorizados pelo estudo são rural, cidades, saúde e indústrias. De acordo com o chefe de departamento de indústrias de Tecnologia da Informação e Comunicação do BNDES, Ricardo Rivera, para o ambiente cidades, a projeção é o incremento de US$13 a US$27 bilhões de dólares no produto interno bruto em 2025. Além disso, há potencial de diminuição de 15% no tempo gasto com trânsito e de 20% em índices de criminalidade.

Já na área da saúde, o impacto será de US$5 a US$39 bilhões de dólares, com destaque para a redução de até 30% na incidência de crises graves geradas por doenças crônicas e 40% nos custos de manutenção de equipamentos médicos, além de melhorias na promoção da saúde da população e na prevenção de epidemias.

“O ambiente de mais fácil implantação é o rural, pois verificamos que as soluções de IoT neste segmento já estão crescendo muito rapidamente”, destacou Rivera. O estudo calculou um impacto de US$5 a US$21 bilhões de dólares em 2025 com adoção de IoT nesta área. Outras projeções apresentadas corroboram essa expectativa, como a alta de até 25% na produção das fazendas brasileiras e a queda de até 20% no uso de insumos agrícolas (agrotóxicos, fertilizantes, etc).

“A indústria é a área onde poderá haver maior impacto, de 11 bilhões a 45 bilhões de dólares”, anunciou Rivera, referindo-se tanto a aplicações para fábricas quanto para indústrias de base. As aplicações de IoT, segundo o chefe de departamento do BNDES, ajudarão a resolver questões críticas do setor, com destaque para a produtividade – há potencial de aumento de 40% na produtividade das fábricas.

Regulação é necessária

No aspecto regulatório, o advogado Caio Mario da Silva Pereira Neto, do escritório Pereira Neto | Macedo, defendeu a necessidade de adaptações e avanços. “O marco regulatório de IoT precisa criar um ambiente de soluções melhor, tanto mais inovador, quanto mais seguro”, afirmou. No estudo, segundo o advogado, as recomendações para o tema de “regulação, segurança e privacidade” se dividem em quatro frentes, denominados objetivos específicos: aperfeiçoamento da regulamentação das telecomunicações; a criação de um marco regulatório de proteção de dados pessoais; o enfrentamento dos desafios de privacidade e segurança na internet das coisas; e a identificação e tratamento de questões regulatórias específicas nas áreas priorizadas.

O coordenador do estudo de IoT no CPqD, Vinícius Garcia de Oliveira, reconheceu que a infraestrutura no Brasil traz desafios ao avanço das soluções de IoT. Um dos pontos que levantou foi o fato de o modelo regulatório vigente privilegiar a cobertura de telecomunicações em áreas altamente povoadas. Oliveira lembrou que é essencial ter conectividade no campo para que se alcance o impacto potencial sobre setores como o agronegócio, que colaboram para o progresso da economia como um todo.

O especialista apontou três objetivos que constam do estudo para abordar tais questões: a articulação do tema em políticas públicas para ampliação de soluções e infraestrutura para conectividade, o aumento da oferta de redes de comunicação, e o incentivo e a promoção da interoperabilidade e da padronização de redes. “Não acreditamos que a política pública tenha de forçar a adoção de padrões. O que elas podem é incentivar determinados padrões em detrimento de outros por meio, por exemplo, de compras governamentais e linhas de financiamento mais atrativas”, explicou.

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