sexta, 22 de novembro de 2019
Economia
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PB já tem sete cervejarias artesanais e mercado segue em expansão

Bárbara Wanderley / 13 de janeiro de 2019
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O mercado de cervejas artesanais vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. De acordo com um levantamento feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as marcas de cervejas artesanais cresceram 130% nos últimos cinco anos no país. Na Paraíba, esse mercado ainda é bem iniciante, mas já conta com sete cervejarias devidamente registradas, segundo o presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais da Paraíba (ACerva), Dan Melo.

“O mercado consumidor é carente, precisa de cerveja artesanal. A Paraíba, assim como os outros estados, tem crescido os olhos para este mercado, mas, comparando com nossos vizinhos, somos pequenos. A mais nova cervejaria não chega a ter um ano”, disse. O estado de Pernambuco, por exemplo, possui 17 cervejarias registradas no Mapa. Em todo o Brasil são cerca de 700 cervejarias, mas o ministério não faz diferenciação entre cervejaria artesanal, especial, gourmet, ou qualquer outro termo comumente utilizado.

Dan explicou que, entre as cervejarias locais, apenas três trabalham com produção própria e as outras quatro trabalham com modelagem cigana, inclusive a empresa da qual é sócio, a cervejaria Quebra-quilos. A produção cigana ocorre quando a cervejaria não possui fábrica própria. “Temos a receita e todo o processo criativo, mas não temos fábrica própria, então alugamos uma para produzir para nós”, disse.

Segundo ele, a desvantagem da modelagem cigana é que as cervejas que vêm de fora do estado acabam saindo mais caras do que as que são produzidas aqui, pela cobrança de impostos. Os impostos, aliás, são a principal dificuldade do setor, segundo o empresário, pois tornam o valor do produto elevado.

“O maior impasse para o público é o preço. Eu costumo dizer que o preço é justo, pela quantidade de impostos e os custos da produção, mas não é acessível para todos. A gente não atinge certas classes da sociedade”, comentou.

Além disso, por se tratarem de pequenos negócios, a maioria das cervejarias não tem condições de fazer investimentos altos e a concorrência com cervejarias que trabalham na informalidade acaba sendo desleal. “Tem gente que produz em casa, não tem registro nem paga impostos, aí consegue colocar no mercado por um preço bem mais baixo”, afirmou. Dan alertou, no entanto, que a cerveja é um produto altamente perecível e classificado da mesma forma que os alimentos. A fabricação, portanto, deve obedecer a série de cuidados e requisitos de higiene.

Para se destacar na área, a Quebra-quilos optou por carregar uma carga de história e conhecimento, que vai desde o nome da marca, que remete à revolta ocorrida no fim do Segundo Império, até os rótulos das cervejas. “Com o nome, o conceito, os rótulos, queremos proporcionar, além de somente beber, que o cliente possa degustar, entender o conhecimento envolvido, o processo de produção”, disse Dan.

Ele também afirmou que mesmo não sendo produzida na Paraíba, a cervejaria utiliza diversos insumos locais e os artistas, as pessoas que criaram a identidade da marca e também os rótulos, são paraibanos.

Origem do nome



Na Revolta de Quebra-quilos, os revoltosos não aceitaram a adoção do sistema métrico francês de pesos e medidas. Além de refletir a identidade nordestina do produto, o nome sugere uma quebra de padrões no modo de fazer cerveja, conforme explicação da marca.

Revenda dos produtos



Além da produção de cerveja, outra forma de explorar esse mercado está na revenda dos produtos. João Pessoa tem pelo menos duas lojas cuja especialidade são as cervejas artesanais, nacionais e importadas, além de diversos bares que oferecem algum desses produtos em seus cardápios, embora com variedade menor.

Um exemplo é a loja Mestre-cervejeiro.com, franquia que possui mais de 60 unidades espalhadas pelo país. O proprietário da unidade de João Pessoa, João Paulo Pontes, contou que ele mesmo era um apreciador desse tipo de cerveja e queria investir em um negócio próprio, quando percebeu o nicho de mercado na cidade e resolveu abrir a loja, há três anos. De lá para cá, o público só aumentou, segundo ele.

O empresário destacou que a loja possui um conceito completamente voltado para a cultura cervejeira, promovendo cursos de degustação e produção de cerveja. “Como sou sommelier, às vezes eu mesmo ministro os cursos, mas muitas vezes trago profissionais de fora também”, disse. E os cursos fazem sucesso. “Até agora, todas as turmas que abrimos foram completamente preenchidas”.

João Paulo estima que a loja comercialize entre 200 e 250 diferentes rótulos de cerveja, sendo que destes, quatro são paraibanos, além de contar com quatro torneiras de choppe. As cervejas são oriundas de diversos estados brasileiros, além de países como Alemanha, Bélgica, Estados Unidos e Holanda. Os choppes, segundo ele, também têm feito bastante sucesso.

Para João Paulo, o crescimento desse mercado ocorre pela qualidade do produto, seu sabor e sua diversidade de estilos. “Se o cliente quer uma cerveja mais amarga, nós temos opções. Uma cerveja mais maltada, de sabor mais doce, com gosto de café. Temos as fruit beers, que são as cervejas com sabor de frutas”, disse, explicando que há opções para agradar todos os gostos.

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