segunda, 19 de agosto de 2019
Economia
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Novo conceito: casa do futuro terá mais de uma família

Arthur Araújo / 11 de agosto de 2018
Foto: Rafael Passos
Você já pensou em morar em uma casa cujo os espaços sejam compartilhados com outras famílias e de conceito cada vez mais integrado ao meio-ambiente?

Pois essa é a perspectiva de especialistas do mercado da construção civil sobre o futuro próximo da habitação, em um prazo de ao menos dez anos.

De acordo com o relatório “Habitação - 10 anos no futuro”, da Comissão de Materiais e Tecnologia da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o conceito atual de paixão pela durabilidade e posse darão lugar a uma nova tendência, com espaços colaborativos e sustentáveis.

O diagnóstico do estudo é que existe uma demanda por melhores soluções, produtos e serviços, mas que qualidade de vida, sustentabilidade e socialização estão limitadas pelos atuais modelos sociais, econômicos e urbanos. Com isso, emergem as casas com transformações no tamanho e com serviços prontos para se adaptar aos usos e demandas, novos materiais, novos desenhos de bairros e o chamado coliving, moradias privadas com espaços e atividades compartilhadas.

Nesse esquema, que vamos traduzir para coabitação, casas ou apartamentos se agrupam em torno de um espaço em comum, seja um pátio, jardim, uma rua para pedestres ou um beco recuperado.

“Existem projetos de apartamentos de 20 m² privativos, mas com uma diversidade de áreas comuns, que estimulam essa experiência compartilhada”, explicou o presidente da Comissão, Dionyzio Klavdiano. Ele participou esta semana do III Fórum Inovar & Construir, que aconteceu em João Pessoa.

A ideia traz a reboque o conceito de coworking, já que ambientes como esses propiciariam também o compartilhamento de espaços de trabalho, como salas de escritório que poderiam ser utilizadas por qualquer morador de acordo com a necessidade.

“A dinâmica destas trocas permite o desenvolvimento de redes de contato e de trabalho”, aponta o texto.

Mudança de material e métodos

Os materiais e métodos de construção também acompanham as mudanças. Nessa perspectiva, eles ganham foco na redução de resíduos e do desperdício no canteiro de obras, aumento da segurança no trabalho e redução no tempo de construção. Algumas soluções são a impressão em 3D, que reduz o tempo de serviço e o custo em até um quinto da construção convencional; e a construção modular. Onde partes do imóvel são construídas em fábricas e o projeto geral é montado posteriormente.

Klavdiano afirma que as previsões são fruto de uma verificação de tendências, e que não é possível dizer em definitivo que essa será a realidade. “É o futuro que queremos, mas isso vai depender tanto de políticas públicas que o viabilizem quanto da disseminação de uma cultura no setor”, afirmou.

Políticas protecionistas e conservadoras teriam que ser substituídas por outras modernas e que estimulem a inovação. Por outro lado, o setor precisaria abraçar uma cultura voltada para o futuro. “Nossa missão é criar um caldo para que cada construtor ache o seu caminho”, complementou.

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