sexta, 19 de abril de 2019
Economia
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Mulheres seguem ganhando, em média, 20,5% a menos que os homens

Bárbara Wanderley / 09 de março de 2019
Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil
Mais um Dia Internacional da Mulher se passou sem que uma das principais reivindicações da luta pela igualdade de gêneros fosse resolvida: a diferença salarial. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as mulheres continuam ganhando, em média, 20,5% a menos do que os homens. Em alguns casos, a diferença pode chegar a 35,2%.

Em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas com entre 25 e 49 anos de idade foi de R$ 2.050, o que equivale a 79,5% do recebido pelos homens da mesma faixa etária, cuja média de rendimento foi R$ 2.579.

Considerando-se a cor ou raça, observou-se que a mulher branca recebe menos ainda, ficando com o equivalente a 76,2% do rendimento do homem branco, enquanto mulheres pretas ou pardas recebem 80,1% do rendimento de homens de cor preta ou parda. Uma possível justificativa para essa desigualdade menor entre os pretos e pardos é o fato dessa população ter maior participação em ocupações que frequentemente são remuneradas pelo salário mínimo. A população ocupada de cor preta ou parda recebe em média 40% a menos do que os brancos.

Ainda no grupo etário dos 25 aos 49 anos, o valor médio da hora trabalhada pelas mulheres era de R$ 13, ou 91,5% da hora trabalhada pelos homens (R$ 14,2). As mulheres trabalhavam, em média, 4,8 horas semanais a menos do que os homens, considerando apenas o trabalho fora do lar. É preciso lembrar, no entanto, que a maior parte das mulheres enfrenta duplas jornadas de trabalho, sendo responsáveis pelo cuidado com a casa, os filhos e outros membros da família que precisem de atenção especial.

Considerando-se as ocupações selecionadas, a participação das mulheres era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).

Disparidade maior em grupos mais instruídos

Em 2018, as mulheres tinham participação de 41,8% no grupo de Diretores e gerentes, mas os cargos de liderança não garantiram uma diferença salarial menor em relação aos homens. O rendimento médio das mulheres deste grupo (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já entre os Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres era maioria (63%), mas recebiam apenas 64,8% do rendimento dos homens.

As ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais. Entre os Professores do Ensino fundamental, as mulheres recebiam 90,5% do rendimento dos homens. Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, cuja participação (49,8%) era próxima a dos homens, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens.

Outras ocupações de nível de instrução mais elevado, como Médicos especialistas e Advogados, mostravam participações femininas em torno de 52% e uma diferença maior entre os rendimentos de mulheres e homens, com percentuais de 71,8% e 72,6%, respectivamente.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

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