segunda, 15 de julho de 2019
Economia
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Mulher segue distante de ocupar cargos de chefia

Ellyka Gomes / 08 de março de 2019
Foto: Divulgação
Elas são sensíveis, observadoras, flexíveis e comunicativas. Segundo especialistas, essas são algumas das habilidades femininas que fazem a diferença na liderança dos negócios. Mas, na realidade, elas ainda são raridades nos cargos de chefia. Uma análise da revista americana Fortune identificou que a cada 100 CEOs, apenas seis são mulheres. E a projeção não é animadora. Até 2025, a previsão é de que o índice aumente 20%.

A CLO (terminologia em inglês para assessora jurídica) da SG - Aprendizagem Corporativa, Flora Alves, apontou que essa realidade é reflexo de uma cultura patriarcal que ainda enxerga o público feminino como aquele que presta cuidados ao lar, necessita de licença-maternidade e ampara os filhos. Enquanto que os homens conseguem crescer profissionalmente com mais facilidade até conquistarem as posições de liderança.

A diretora executiva da franquia SPA Express, Luciana Piquet, afirmou que entende bem esses desafios. Luciana, paraibana de 31 anos, começou a trabalhar cedo, aos 16. Segundo ela, foi esse diferencial que a fez ganhar uma maturidade para desenvolver um modelo de negócio sólido antes dos 30. “Eu estava num consultório médico aguardando atendimento, quando pensei que esse tempo ocioso poderia ser usado para fazer manicure”, contou.

Luciana amadureceu a ideia e, em 2011, nascia o SPA Express, quando ela tinha 23 anos. O negócio começou com um carrinho adaptado que ia até os consultórios médicos para realizar os serviços de manicure e pedicure. Ao longo dos anos, o modelo foi se adaptando, tanto para atender às necessidades dos clientes quanto às tendências do mercado. Hoje o SPA Express é uma franquia que oferece procedimentos estéticos corporais e faciais, com 18 unidades, presentes em 12 cidades brasileiras.

“Em geral, a mulher alcança a maturidade profissional aos 30, mesmo período em que ela começa a focar numa família. Então é difícil para ela aprofundar na carreira, uma atividade que demanda tempo, dedicação... Ao passo em que também precisa dar atenção aos filhos e o marido”, comentou. “Eu tive a oportunidade de começar a trabalhar cedo. Hoje, aos 31 anos, alcancei um determinado sucesso na carreira e posso me dedicar a minha vida pessoal. Mas nem toda mulher tem essa mesma chance”, complementou.

Para a CLO da SG - Aprendizagem Corporativa, as empresas devem estimular transformações em seus ambientes que empoderem o público feminino. “Um local que investe na diversidade sai na frente da concorrência ao apresentar uma pluralidade de ideias”, ressaltou.

Habilidades que as tornam excelentes líderes



Comunicação

A líder feminina tem facilidade de estabelecer uma comunicação de confiança com o time, esclarecendo os objetivos da organização, o papel de cada um nesta missão e os caminhos a serem percorridos no alcance do desempenho desejado

Sensibilidade

É uma característica que tende a priorizar o bem-estar e o desenvolvimento do colaborador. Com isso, a líder irá construir uma equipe capaz de lidar com os novos desafios do cotidiano organizacional sem pecar na qualidade de vida das pessoas.

Observação

As mulheres prestam mais atenção aos detalhes do que os homens. Então, acabam desenvolvendo uma visão sistêmica. A característica é importante na identificação de falhas a serem aprimoradas e de fatores positivos a serem fortalecidos.

Flexibilidade

Além de aumentar o caráter persistente nas adversidades, a necessidade de cumprir uma jornada dupla leva as mulheres a adquirirem uma flexibilidade indispensável para não se renderem à pressão e solucionarem os desafios com agilidade. A competência também permite que a líder otimize o tempo ao realizar diversas atividades simultaneamente, sem perder o fio da meada em nenhuma.

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