quarta, 18 de outubro de 2017
Economia
Compartilhar:

Minha Casa Melhor gera dívidas e inadimplência já chega a 35,2%

Ellyka Akemy / 22 de março de 2016
Foto: Assuero Lima
O programa Minha Casa Melhor gerou um prejuízo de R$ 534,4 milhões aos cofres públicos, segundo relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O programa foi criado em 2013 pelo Governo Federal e concedia empréstimos em condições especiais para a compra de eletrodomésticos e móveis para beneficiários do Minha Casa Minha Vida. Em 2015, as contratações de novos cartões do Minha Casa Melhor foram suspensas.

No Brasil, o índice de inadimplência do programa chegou a 35,2%. Em linhas similares oferecidas pela Caixa Econômica para a compra dos mesmos produtos, o calote médio gira em torno de 10%, segundo o Banco Central.

Para o economista Celso Mangueira, um conjunto de fatores contribuiu para que a inadimplência do programa chegasse a esse percentual, mas foram as facilidades que impulsionaram as pessoas, na época, a solicitar o empréstimo sem dimensionar se realmente poderiam arcar com as prestações.

“Infelizmente, o brasileiro não tem a cultura de fazer orçamento doméstico. Muita gente foi atraída pelo crédito fácil, mas não considerou, por exemplo, que a compra de um ar condicionado novo implicaria, além do pagamento pelo empréstimo do programa, no aumento da energia elétrica. À medida que são estimuladas, as pessoas acabam assumindo compromissos maiores, sem saber se realmente podem pagar”, comentou.

Essa empresa foi criada pelo governo para absorver prejuízos dos bancos com clientes inadimplentes. Além disso, a CGU também constatou indícios de irregularidades no programa, onde foram concedidos empréstimos a pessoas que não faziam parte do Minha Casa Minha Vida. Se confirmados, os prejuízos nesses casos somariam mais R$ 6,9 milhões.

A Caixa vendeu R$ 1 bilhão de crédito “podre” do Minha Casa Melhor, de uma carteira total de R$ 2,7 bilhões, para a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), vinculada ao Ministério da Fazenda.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

Relacionadas