terça, 22 de agosto de 2017
Economia
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Microempresários adotam cautela e deixam de investir

Ellyka Akemy / 19 de março de 2016
Foto: Divulgação
Pesquisa mais recente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que sete em cada dez Micro e Pequenos Empresários (MPEs) não pretendem investir em seus negócios nos próximos três meses. Em uma escala de zero a 100, o Indicador de Propensão a Investir do MPE registrou apenas 21,52 pontos em fevereiro. No mês anterior, o indicador marcou de 24,68 pontos.

Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, a recessão da economia com a queda do PIB em 3,8% em 2015 e a taxa Selic chegando a 14,25% são os principais fatores que explicam a baixa propensão ao investimento. “Diante desse cenário, e sem a perspectiva de breve retomada econômica, falta confiança aos micro e pequenos empresários para que assumam novos investimentos em seus negócios”, explicou Pinheiro.

Apenas 16,4% disseram que querem fazer algum investimento nos próximos três meses, a menor proporção dos que pretendem investir desde o início da série histórica. “Outro motivo que explica porque os empresários estão reticentes em investir é a insegurança com relação ao retorno do capital investido, agravada pela crescente tensão política, que interdita o ajuste na economia”, comentou o presidente.

Apenas 6,6% têm intenção de tomar crédito nos próximos meses 

Diante do cenário atual, sem a perspectiva de breve retomada econômica, também falta confiança aos micro e pequenos empresários para que assumam compromissos financeiros. O Indicador de Demanda por Crédito do MPE registrou um baixo patamar em fevereiro, registrando 11,98 pontos, menos que os 12,15 registrados em janeiro. Os empresários que manifestam a intenção de tomar crédito nos próximos três meses somam apenas 6,6%, a menor proporção desde o início da série histórica, em maio de 2015.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a crise econômica explica em parte o receio dos empresários. “Um terço daqueles que não pretendem contratar crédito alega que não pensam em realizar investimentos que exijam recursos de terceiros. A maior parte, porém, rejeita tomar recursos emprestados porque consegue manter o negócio com recursos próprios”, destacou.

Os Indicadores de Demanda por Crédito e de Propensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário, calculados pelo SPC Brasil e pela CNDL, levam em consideração 800 empreendimentos com até 49 funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior.

Paraíba registra aumento de MEI nos primeiros meses

Embora o cenário econômico se mostre instável, o número de Microempreendedores Individuais (MEI) na Paraíba aumentou 23% nos primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2015. Até o dia 12 deste mês, foram abertos 3.346 novos MEI, enquanto que, no mesmo período de 2015, foram instalados 2.377. Atualmente, são 82.387 empreendimentos deste tipo no Estado.

 

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