sábado, 17 de abril de 2021

Economia
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Médios e pequenos construtores denunciam que Caixa não faz repasse de venda

Fábio Cardoso / 18 de outubro de 2017
Foto: Reprodução
A Caixa Econômica Federal, que detém 70% das operações do setor imobiliário no país, está “engavetando” contratos de venda de imóveis na Paraíba cujo volume de recursos chega a R$ 100 milhões. O setor de imóveis dos pequenos e médios construtores pode entrar em colapso, parar as construções e demitir cerca de mil funcionários.

O alerta foi feito pelo presidente da ACL - Associação dos Construtores e Incorporadores da Construção Civil Leve de João Pessoa, Ricelly Lacerda, que confirmou a realização de um protesto amanhã dos empresários, a partir das 10h. A concentração será na Praça da Independência, de onde seguem caminhando para a Praça dos Três Poderes, no Centro da cidade.

Minha casa, minha vida

De acordo com Ricelly Lacerda, existem mais de 100 pequenos e médios construtores em João Pessoa, que vendem em média 8 apartamentos por ano - a maioria relacionados ao Programa Minha Casa Minha Vida, no valor médio de R$ 120 mil. Seriam mais de 800 imóveis vendidos no período com os valores passando pela Caixa Econômica. Sem receber o repasse da Caixa Econômica, as empresas ficam sem capital para tocar os outros projetos, sem pagar os fornecedores e, principalmente, sem pagar os salários dos funcionários.

O grande setor da construção civil da Paraíba também sendo o reflexo negativo do “engavetamento” dos contratos de venda de imóveis, apesar de ser em menos escala. Existe um maior capital de giro nessa fatia do mercado, mas que começa a sentir os efeitos da falta de recursos. Lacerda revelou que, pelo porte das empresas, o setor tem maior força de pressão junto à Caixa e o dinheiro é liberado com maior rapidez.

Além de não repassar os recursos da venda dos imóveis para o setor, o “engavetamento” do dinheiro na Caixa prejudica diretamente os correspondentes bancários e os corretores de imóveis. Para cada imóvel vendido, os correspondentes recebem 2% de comissão do valor, enquanto os corretores de 4% a 5%. “Vendi dois imóveis no Valentina de Figueiredo, o construtor assinou contratos na Caixa, as chaves foram entregues, porém, o banco não repassou o dinheiro, é caos absoluto”, revela o corretor Luiz Conserva.

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