quinta, 21 de janeiro de 2021

Economia
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Marcado para sofrer: Poupança e a ‘maldição’ da Selic

Celina Modesto / 24 de setembro de 2017
Foto: Ilustração
A taxa básica de juros (Selic) caiu para 8,25% no começo deste mês – o que é bom para tentar conter a inflação e aumentar a confiança dos brasileiros, mas ruim para a boa e velha poupança perde em rendimento, assim como todos os investimentos de renda fixa que sejam atrelados à Selic.

A poupança, que até o último mês rendia 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial – ou 0,5% ao mês mais a TR –, agora terá retorno anual limitado a 70% da Selic, mais a taxa. Essa alteração no cálculo do rendimento da caderneta acontece desde maio de 2012, quando entrou em vigor uma medida do governo que prevê esse corte cada vez que a taxa de juros básica ficar abaixo dos 8,5% ao ano.

Mas até quanto é rentável termos na poupança, que que não tem taxa de administração nem incide Imposto de Renda? Alguns analistas de mercado dizem que é rentável manter na poupança até R$ 5 mil, outros asseguram que pode-se ir até R$ 25 mil.

Para diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro, ainda é negócio ter na poupança até R$ 5 mil.

“Nos últimos anos, as taxas de juros vêm sofrendo um processo de redução e o governo percebeu que se não mexesse nas regras da poupança, iríamos chegar numa situação na qual ela iria render muito mais que outros investimentos”, explicou o

“E isso não seria bom?”, um leitor mais atento poderia perguntar. “Mais ou menos. Se a poupança se tornasse um investimento mais atraente, as pessoas retirariam dinheiro de outros investimentos para aplicar nela. O governo teria dificuldades em pôr títulos públicos no mercado e, consequentemente, pagar as dívidas públicas. Assim, criaram essa regra que limita os rendimentos da poupança. Mas isso não quer dizer que a poupança foi prejudicada”, afirmou Ribeiro.

Mesmo com a alteração da metodologia, o fato de não ter taxa de administração e ser isenta de Imposto de Renda mantém a poupança como boa alternativa de investimento, defendeu o pesquisador. “Outros investimentos também estão rendendo menos, a exemplo do CDB (Certificados de Depósitos Bancários) e do Tesouro Direto, que têm a selic como base”, disse.

Já para Rodrigo Guedes, assessor da SIR Investimentos, o ideal é manter na poupança até R$ 25 mil. “Acima de R$ 25 mil, o investidor já começa a ter rendimentos bem mais atrativos em renda fixa”, explica.

Rodrigo Guedes disse que o investidor terá de fazer um esforço e procurar entender mais dos investimentos para buscar algo mais rentável do que a poupança.

Aprender. “Procurar rentabilizar mais, mas com segurança. Desde o início da queda da Selic, várias pessoas têm nos procurado para migrar da poupança e de outras aplicações, para aplicações mais rentáveis, algumas delas, inclusive, procurando fundos multimercados de bons gestores”.

Poupança é útil para o País

A poupança não serve apenas para ser uma reserva em tempos de emergência para o cidadão, mas também é útil ao país. “É através dela que o governo utiliza os bancos para promover o desenvolvimento do país, principalmente na aplicação do sistema financeiro de habitação. O banco tem que investir parte do dinheiro aplicado para poder remunerar e boa parte dele deve ser aplicado no sistema financeiro de habitação, incentivando a construção civil, a geração de empregos e a movimentação da economia”, explicou João Bosco Ferraz.

O diretor da Anefac salientou que um país “sem poupança” é um país que cresce menos. “Isso porque significa menos dinheiro disponível para investimentos. A poupança é importante para o país e para si próprio, para se ter uma reserva, realizar um sonho ou se prevenir numa urgência. A poupança é muito importante e esse é um grande problema porque o brasileiro é muito imediatista e, por estarmos num momento de crise, guardar dinheiro fica mais difícil. No entanto, devemos ser como a cigarra da fábula e sempre ter a preocupação com o futuro. Tem que guardar dinheiro, mesmo que pouco. Esse trabalho de conscientização deveria ser feito já nas primeiras aulas da escola”, afirmou.

Em relação à crise, o presidente do Corecon-PB comentou que é o período no qual as reservas da poupança são mais utilizadas. “As pessoas perdem o emprego, recebem indenizações, mas ficam com a renda comprometida. Então, o dinheiro guardado vai servir para o pagamento de dívidas e para manter o padrão adquirido por um tempo na expectativa de conseguir um novo emprego. Então, nesse período há uma redução na poupança e também no saldo do FGTS, por causa da redução dos empregos com carteira assinada. Esses dois grandes pilares da economia, que são a poupança e o FGTS, sofrem e, com isso, o financiamento da casa própria também é impactado”, esclareceu.

O presidente do Corecon-PB, João Bosco Ferraz, recomendou buscar os fundos de investimento. “Eles dão um ganho melhor. Quanto mais tempo deixar e quanto mais se investir, maior é o poder para negociar com os bancos”.

Simulador traça perfil e ajuda investidor iniciante

O Tesouro Direto lançou na última semana um simulador de investimentos que deverá ajudar principalmente a quem deseja começar a investir. Para isso, a ferramenta, que já está disponível no site do programa (https://simulador.tesourodireto.com.br/index.html#/inicio), realiza uma série de perguntas com base no perfil e nas possibilidades do investidor, além do que ele pretende fazer com o rendimento.

Com a simulação, o investidor vai poder comparar a projeção de desempenho do título que escolheu com as principais alternativas de aplicação em renda fixa disponíveis no mercado – poupança, CDB, LCI/LCA e Fundo DI. Para quem não sabe em qual título investir, o Simulador do TD vai indicar o melhor papel no qual aplicar, com base em poucas perguntas: “O que pretende conquistar (aposentadoria, férias, pé de meia, entre outros)?”; “Qual é o prazo de aplicação?”; “O que prefere saber (preservar o poder de compra ou saber quanto vai ganhar exatamente com a aplicação)?”; e “Como prefere receber a remuneração?”.

Escolhido o título, o investidor poderá fazer dois tipos de simulação – fixando os aportes mensais para descobrir quanto receberá no fim de um certo período, ou, ao contrário, traçando a meta de quanto gostaria de resgatar em um determinado momento do futuro para saber o valor que precisa aplicar mês a mês até chegar lá. Além de realizar simulações com depósitos mensais, a ferramenta também permite fazer o cálculo com aporte único ou com uma combinação de aporte inicial e parcelas mensais regulares.

Ainda, a simulação traz a rentabilidade bruta e líquida do investimento, já descontados impostos e taxas. O investidor também terá a liberdade de personalizar o cenário, alterando os parâmetros e refazendo os cálculos.

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