domingo, 19 de novembro de 2017
Economia
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Juros altos do cartão reduzem o poder de compra

Maurílio Júnior / 28 de outubro de 2015
Foto: Divulgação
Os juros aos consumidores estão cada vez mais altos. De agosto para setembro o juro médio total cobrado no cartão de crédito subiu 4,2 pontos porcentuais, conforme informou o Banco Central. Com a alta na margem, a taxa passou de 93,7% ao ano em agosto para 97,9% ao ano no mês passado. Para a economista e Fiscal do Conselho Regional de Economia da Paraíba (Corecon-PB), Walquiria Cybelle Fernandes, as consequências desse aumento são imediatas na vida do cidadão que vê seu consumo ser reduzido.

“O crédito mais caro (juros elevados) reduz o consumo dos mais pobres, pois ele é um grande facilitador de venda. Pessoas que não podem comprar determinado bem à vista recorrem a esse mecanismo financeiro para suprir suas necessidades. Assim, os juros elevados começam a reduzir o consumo. Já para o cidadão que pretende investir ou empreender, a taxa de juros elevada desestimula essa ação, pois é melhor receber juros elevados pelo seu capital disponível do que correr o risco do investimento. Essas duas consequências combinadas podem levar a economia para uma recessão”, reforçou.

A economista alerta para o perigo de comprar a prazo e acabar provocando um descontrole financeiro. “O Brasil tem uma maneira equivocada de utilizar o crédito. As pessoas utilizam essa opção como renda e é onde mora o perigo, pois o seu limite de crédito não pode ser confundido com sua renda. Quando isso ocorre a consequência é o descontrole financeiro. Portanto, a causa do descontrole financeiro é a confusão que o cidadão faz entre o que é sua renda real e o que é crédito. As pessoas precisam adequar seu padrão de consumo a sua renda, quando você utiliza uma linha de crédito para manter um padrão de consumo superior a sua renda surgem os problemas financeiros”, explicou Walquiria Cybelle.

13º para pagar dívidas não deve ser opção

Com a proximidade do fim de ano, muitos devedores recorrem ao pagamento do 13º salário como forma de, no mínimo, amenizar os débitos no cartão, contudo, a economista enxerga outra alternativa viável: a renegociação com a operadora credora para amortização da dívida. “A utilização do 13º salário para quitar dívidas de cartão de crédito é uma solução. Mas, caso o salário extra não seja suficiente, é interessante que o cidadão negocie uma amortização da dívida com sua operadora e cuide melhor dos seus gastos para conseguir sair da dívida do cartão”, ressaltou.

Para escapar desses problemas, a dica é ter prudência. “Uma dica importante é não utilizar o cartão de crédito para o pagamento de despesas fixas como alimentação e combustível, pois isso pode levar o individuo a manter um padrão de vida mais caro do que aquele que a renda dele permite”, finalizou.

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