quarta, 19 de dezembro de 2018
Economia
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Jovens da Geração Y estão mais preocupados com bem-estar do que com dinheiro

Bárbara Wanderley / 22 de junho de 2018
Foto: Reprodução
A geração Y, também conhecida por millennials, formada por jovens nascidos a partir dos anos 80 até o início dos anos 90, representará 75% da força de trabalho no mundo nos próximos dez anos. É o que aponta uma pesquisa liderada pelo join.me, ferramenta de colaboração online da LogMeIn. Na Paraíba há cerca de 910 mil jovens desta geração, de acordo com dados da pesquisa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que data de 2015.

O mercado de trabalho se modifica muito de acordo com os profissionais que estão atuando dentro das empresas. “Essa geração é mais preocupada com bem-estar, conhecimento, viagens, meio ambiente. Claro que o dinheiro é importante, mas eles têm essas preocupações também”, avaliou o economista Francisco Barros.

Com a presença dos jovens, o ambiente de trabalho também tende a mudar. “Hoje em dia se tem metas mais do que horários. Há a tendência do home office, de o funcionário não estar na empresa toda hora. O importante é produzir”, disse Francisco Barros.

De fato, trabalhos com horários mais flexíveis, e que dão autonomia de poder fazer home office pelo menos uma vez por semana, são cada vez mais procuradas pela geração Y, de acordo com o headhunter Marcelo Liutti, que destacou que muitos profissionais desta geração hoje já ocupam cargos de lideranças em grandes empresas.

Headhunter é aquele profissional preparado para ‘caçar­­’ os melhores profissionais do mercado.

Para Marcelo, os objetivos destes jovens variam de acordo com os diferentes momentos da vida. “Profissionais nascidos no início dessa geração normalmente estão em uma fase de vida de construção de família, alguns até já com filhos, e por isso, olham mais a questão da estabilidade na empresa e buscam um plano de carreira mais estruturado”, comentou.

Também há a busca por equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. “É preciso atingir resultados, mas sem sacrificar todos os dias o tempo com a família”, explicou Marcelo.

“Já profissionais das próximas décadas (anos 90 e 2000), estão mais preocupados com questões como meritocracia, pensam em crescimento rápido, por isso, buscam empresas que tenham culturas que possibilitem essa ascensão mais acelerada. E isso se reflete até na mudança contínua de emprego, o que para seus pais era um tabu e até visto com maus olhos, para essa geração a mudança é uma necessidade constante em suas vidas e elas são vistas como grandes oportunidades”, completou.

Startups

De acordo com Marcelo Liutti, as startups já nascem mais preparadas para receber os jovens, pois muitas delas são criadas justamente por pessoas dessa geração.

“Não é que elas estejam mais preparadas frente às outras, mas é que elas já nascem com uma cultura mais aberta, mais informal, menos hierárquica e burocrática. Diferentemente de empresas mais tradicionais, em que a implementação de uma mudança de cultura e uma transformação tão rápida, são mais difíceis, já que isso envolve aprovações, diretrizes e mindsets globais”.

Segundo Marcelo Liutti, transformar a empresa não será simples nem rápido, mas existem ações que podem ser criadas e rapidamente implementadas para começar.

O pacote de benefícios também é bastante avaliado e atrativo para a geração Y, e o oferecimento de transporte, pagamento de curso de idiomas e/ou pós-graduação, auxílio creche, etc, tendem a ser um diferencial que esses talentos procuram na hora de mudar de emprego.

“A questão cultural talvez seja a mais importante para a criação de uma boa imagem no mercado, ambientes mais informais e menos hierarquizados, cultura que valore mais a meritocracia do que o tempo de empresa”, disse Marcelo Liutti.

Conquistar os funcionários

A MVarandas, uma startup paraibana de inovação e tecnologia com foco em P&D, mudou toda a sua estratégia de relacionamento com os funcionários após o diretor da empresa Marcus Varandas visitar o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), em 2015, após ganhar um prêmio, quando buscou entender o mundo tecnológico.

O Vale é uma região conhecida por ser o maior polo de inovação do mundo.

Além de mergulhar no conhecimento de experiências de empresas como o Facebook, Apple e Google, Varandas entendeu que a melhor forma de tirar o melhor de seus funcionários é dar liberdade para que eles criem, deixando que façam o que querem na hora em que estão dispostos a fazer, a pensar. Existem as metas a serem cumpridas, mas sem pressão, e a empresa está aberta ao diálogo, atrás de pessoas boas e com liberdade para pensar.

Na sede da MVarandas as pessoas já percebem que é uma empresa diferenciada. Logo na recepção, há uma sala com freezer e TV, onde os funcionários podem descansar e assistir TV a qualquer momento. Está sendo construído um novo ambiente, onde serão instalados jogos como sinuca - que foi inaugurado nessa quinta-feira (21) -, para distração dos funcionários.

Na área da tecnologia da informação, segundo Marcus Varandas, as empresas é que precisam conquistar os funcionários. Atualmente, a MVarandas conta com 31 colaboradores.

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