quinta, 01 de outubro de 2020

Economia
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Inflação consome 1,2 salário do trabalhador em um ano

Érico Fabres / 09 de junho de 2016
Foto: Arquivo
O índice da inflação oficial do país voltou a acelerar e atingiu 0,78% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior índice desde 2008, quando ficou em 0,79%. No ano, de janeiro a maio, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula avanço de 4,05%, e, em 12 meses, de 9,32%. O percentual próximo aos 10% faz com que um trabalhador que ganha um salário mínimo (R$ 880), em 12 meses, perca R$ 984, o equivalente a 1,23 salário e o que, com os gastos básicos, compromete 80% dos rendimentos do mês, de acordo com o economista Paulo Fernando Cavalcanti Filho. “Quanto menos a família ganha, mais ela sente o peso da inflação. Se os rendimentos da família são vultuosos, o peso é bem menor que o da classe média/baixa”, conta.

Em maio de 2015, o índice havia ficado em 0,74%. Segundo o advogado especialista em direitos do consumidor e consultor financeiro, Dori Boucault, a alta da inflação e o aumento do desemprego contribuem para o crescimento das dívidas das famílias brasileiras. A inadimplência nas contas de água e luz bateu mais um recorde nesse ano. As contas de serviços básicos representam 17,9% dos 239 milhões inadimplentes no país, registrado em março deste ano pelo Serasa Experian.

A taxa de água e esgoto, integrada ao grupo habitação, foi o item que mais pressionou a taxa de inflação em maio (10,37% de alta). Contudo, para o país, outros itens também exerceram impacto, como a energia elétrica, que teve variação em maio de 2,28%.

O setor de serviços básicos ficou em segundo lugar na lista de contas atrasadas, sendo superado apenas por dívidas bancárias que representam 27,2% do total da inadimplência registrada em março. Para quem está com as contas atrasadas o planejamento financeiro é essencial para sair do vermelho. “Organizar o orçamento não é impossível. Basta controlar os gastos”, explica Dori.

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