terça, 11 de maio de 2021

Economia
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Greve dos caminhoneiros faz faltar produto no interior e gera prejuízos na PB

Wênia Bandeira, Celina Modesto, Edson Verber e Érico Fabres / 30 de maio de 2018
Após nove dias de greve dos caminhoneiros, o comércio das pequenas cidades paraibanas agoniza com dificuldades para continuar atuando. Com mercadorias encalhadas nos estoques e sem renovação de produtos, os empresários dizem estar temerosos com o resultado no fim do mês. A Alpargatas reduziu a produção.

Darlan Santos, gestor de uma loja de bicicletas, em Soledade, falou que teve uma queda nas vendas em torno de 60%. De acordo com ele, as atividades pararam em alguns setores da empresa.

“Eu tenho dois vendedores externos que não saíram porque não conseguiram combustível. Estamos com várias mercadorias paradas nas transportadoras que não chegam e com depósito cheio que não pode sair porque os caminhões não passam nas barreiras”, comentou.

A empresária Renata Batista, de Lagoa Seca, afirmou que deixou de receber mercadorias. Ela ainda acrescentou que o movimento de clientes diminuiu pela metade esta semana.

“No fim do mês vamos sentir este peso, nós sabemos que vamos passar por dificuldade. A contabilidade ficou até difícil de ser feita, mas teremos problemas para arcar com as obrigações”, lamentou. Ela disse que as mercadorias são adquiridas por revendedores, mas eles não estiveram na loja esta semana.

Alpargartas para produção

A empresa Alpargatas em Campina Grande decidiu reduzir a produção. Segundo a assessoria de imprensa da indústria o recebimento de matéria-prima diminuiu substancialmente em razão da greve dos caminhoneiros. A fábrica produz 1 milhão de pares por dia e, em oito dias, estocou cerca de 8 milhões de pares, segundo o presidente da Federação das Indústrias da Paraíba, Buega Gadelha.

“A Alpargatas necessita de matéria-prima para as fábricas operarem normalmente. Em Campina Grande já começa a sofrer com desabastecimento. Por isso, houve uma redução, momentânea, da produção em algumas unidades industriais. Tão logo a greve dos caminhoneiros termine e as matérias primas sejam recebidas, a empresa retomará a produção”.

Prejuízo para pequenos e grandes

Barracas fechadas, poucos clientes e mercadorias em falta. O pouco que resta, é vendido a “a preço de ouro”. Essa é a situação de um dos maiores mercados da Capital, o Central, que sofre com os efeitos da greve dos caminhoneiros, que entra hoje em seu 10º dia. Em apenas um corredor, nove estabelecimentos estavam fechados. O único que ainda permanecia aberto tinha apenas uma TV ligada. Nada para servir a um possível consumidor – que também se tornou figura escassa diante desta crise. A ordem agora é poupar.

Em outras áreas, o ambiente de preocupação se repete, a exemplo de comerciantes de pequenas e grandes lojas do Centro da cidade que estão contabilizando o prejuízo nas vendas desses últimos dias. Empreendedores individuais também estão fazendo o que podem para não parar de trabalhar totalmente.

A comerciante Elisabeth Pereira Vasconcelos, que trabalha com marmitaria e almoços no Mercado Central há 20 anos, contou que está sem coragem de “pôr na ponta do lápis” para descobrir quanto vai ser o prejuízo neste mês.

“Só tenho um botijão de gás e que dura até quinta-feira. Reduzi de cinco para dois tipos de carne e de três para dois tipos de feijão desde ontem porque não sei quando vai voltar a ter gás. Meus colegas fecharam as bancas porque não tem mais verdura e legume para vender, então, também estou fazendo uma salada reduzida. Está tudo reduzido e estamos ‘rebolando’ para dar conta. Mesmo sofrendo assim, apoio a greve porque é preciso muita coragem para fazer o que estão fazendo. Prefiro deixar as contas para fazer depois”, contou, entre sorrisos.

Já a comerciante Andreia Soares parou o atendimento aos clientes para poupar o restinho de gás de cozinha que ainda tem. Ela deixou de faturar R$ 200 por dia desde a última segunda-feira porque, mesmo se tivesse gás de cozinha e insumos, não tem o mais importante: quem comprar. “Não tem movimento. Ainda por cima, só tenho metade de um botijão de gás, então, o que cozinho é para mim, meus dois filhos e meu marido. Estou preocupada porque não tem gás, não tem verdura, a carne que tem é cara, mas ainda vou ter conta para pagar no fim do mês. A gente vai ter de se virar para pagar. Estou rezando para essa greve acabar logo”, salientou.

Quem quiser se arriscar a comprar itens como tomate, batata e cebola, infelizmente, vai ter de desembolsar um pouco mais do que estava acostumado. A feirante Luciane Silva já no início da tarde de ontem estava com a barraca completamente vazia. Tudo o que ainda tinha em estoque foi vendido – mesmo com preço em dobro. “Ainda tinha cebola, batata, tomate, alface, chuchu e coentro, mas logo acabou. Comprei uma caixa com 30 kg de tomates no Ceasa por R$ 100. Antes, comprava por R$ 35. Então, vendi o pacote com 400 g por R$ 2, mas antes ele era R$ 1. Meu fornecedor me contou que perdeu R$ 200 mil em tomate e batata que estão parados por causa da greve. Nunca passei por isso, em 30 anos trabalhando aqui”, relatou.

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