segunda, 20 de maio de 2019
Economia
Compartilhar:

Gasolina sobe mais de 3,5% em um mês

Fábio Cardoso com assessorias / 26 de março de 2019
Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas
Dados do levantamento semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) apontam que preço médio do litro da gasolina comercializada em postos de combustível de todo o país fechou a semana passada em R$ 4,319. Essa foi a quarta alta semanal do produto, que acumula um aumento de preço de 3,5% em um mês, já que, na semana de 17 a 23 de fevereiro, o litro era vendido a R$ 4,172.

Na Paraíba, os postos de combustíveis de Campina Grande já cobram mais de R$ 4 pelo litro da gasolina, enquanto os de João Pessoa começaram a semana indicando que deverão repassar o novo aumento para os consumidores.

Até quarta-feira passada, o litro nos postos da capital era cobrado a R$ 3,699, o valor mais barato; e a R$ 4,399, o mais caro, conforme pesquisa do Procon Municipal. Ontem, a maioria dos postos já estava cobrando R$ 3,999 à vista e R$ 4,190 a prazo.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo da Paraíba, Omar Hamad Filho, o mercado precisa se ajustar à política de preços da Petrobras e não há como prevê quem vai ou não reajustar os preços nos próximos dias em função do novo patamar imposto pela estatal. No entanto, segundo ele, já há reflexo negativo no setor, com a demissão de funcionários, forçando com que os postos trabalhem com o mínimo possível de pessoal. “Os postos ainda não fecharam, mas muitos já estão à venda”, revelou.

Mais grave

Em Campina Grande, a situação é ainda mais grave. Mesmo com a alegação do presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Interior da Paraíba, Bruno Agra, de que os postos de combustíveis estão apenas repassando em mais ou menos 4,5% os aumentos anunciados pela Petrobras aos consumidores - de 18,25%, no período de 31 de janeiro a 15 de março -, o coordenador do Procon-CG, Rivaldo Rodrigues, disse estar atendo aos reclamos dos consumidores.

Se ficar comprovado, alertou Rivaldo Rodrigues, “após a averiguação das notas fiscais de compra do combustível nas distribuidoras, que houve aumento abusivo no preço dos combustíveis, os revendedores podem sofrer sanções, entre elas a multa, além de ações cíveis públicas na Justiça”, informou.

O Procon de Campina também vai solicitar ao Ministério Público do Consumidor para, em conjunto, realizar uma reunião com donos de postos de combustíveis da cidade e com o Sindicato, no intuito de tentar esclarecer o que de fato acontece em Campina Grande, onde os preços dos combustíveis são sempre mais altos que em outras cidades da Paraíba.

"Entendemos que o reajuste nos postos locais está bem abaixo do repassado pela Petrobras, mas ainda assim é um aumento considerável para o bolso do consumidor e ocorreu sem nenhum aviso prévio. Vamos solicitar as notas fiscais de compra de combustíveis nas distribuidoras e comparar os valores de aquisição e revenda para o consumidor, em busca de uma explicação para o aumento." - Rivaldo Rodrigues, coordenador do Procon-CG

Federação reclama dos custos elevados



Na semana passada, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) divulgou uma nota à imprensa, informando que os custos da gasolina nas refinarias Petrobras aumentaram 27,8%, de 10 e janeiro de 2019 a 19 de março de 2019. Segundo a entidade, desde que a Petrobras alterou sua política de preços, passando a acompanhar “as cotações internacionais dos combustíveis, a revenda de combustíveis vêm respondendo à imprensa e aos órgãos de defesa do consumidor pelos aumentos. Porém, tanto as altas como as queda de preços refletem as oscilações do livre mercado.”

A federação ressaltou, que os preços da gasolina nos postos de combustíveis estão ligados diretamente aos preços das companhias distribuidoras, “ou seja, se elas aumentam, geralmente, os postos também repassam os custos. Isto deve-se ao funcionamento da cadeia de combustíveis, que é composto por refinarias, distribuidoras e postos. Pelas regras atuais, os postos não podem comprar gasolina e diesel direto das refinarias, adquirindo apenas das companhias distribuidoras, que são responsáveis por toda a logística do abastecimento nacional em todos os estados brasileiros.”

Destacamos que os preços dos combustíveis são livres em toda cadeia, do poço ao posto. A Fecombustíveis não interfere no mercado da revenda. Cabe a cada posto revendedor decidir se irá repassar ou não as altas ou quedas de preços ao consumidor, de acordo com as suas estruturas de custo.

Relacionadas