sexta, 18 de agosto de 2017
Economia
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Franquias do setor educacional fomentam o mercado e contribuem com a sociedade

Rammom Monte / 21 de março de 2016
Foto: Rammom Monte
Paulo Freire já dizia que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. E por conta disto, e aliado a uma oportunidade de ter seu próprio negócio, que uma área de empreendimento vem chamando atenção na Paraíba, principalmente em João Pessoa: a franquia de estabelecimentos do setor educacional. De 2014 para 2015, o Estado registrou um aumento de 22,8% no número desses empreendimentos, em vários segmentos, como: alimentação, hotelaria, vestuário, entretenimento e educação. E foi exatamente neste último setor que dois empresários decidiram abrir seus negócios na capital paraibana. Giuseppe Lúcio e Yuri Sousa são exemplos de empreendedores que deixaram suas carreiras de lado, para investir no setor educacional.

Coincidentemente, ambos têm uma trajetória no setor financeiro, trabalhando em bancos. Visando serem donos dos seus próprios negócios, eles visualizaram no setor de franquias a oportunidade de serem seus “próprios patrões”. E foi exatamente no segmento educacional que eles deram o primeiro passo para abrirem seus próprios empreendimentos. Atualmente, Giuseppe é dono da unidade de João Pessoa da Escola Bilíngue Canadense Maple Bear. Já Yuri, abriu a microfranquia Tutores – Educação Multidisciplinar. Enquanto o primeiro já tem uma vasta experiência no setor de franquias, o segundo ingressou há pouco tempo no ramo, mas garante que não pensa  em sair.

Franquias 2015

Escola Bilíngue em uma capital nordestina

Com uma visão de empreendedor desde a infância, Giuseppe, mais conhecido como Pepe, é natural de Patos e vem de uma família de 12 irmãos. Filho de um ex-bancário do extinto banco Paraiban e de uma professora, Pepe começou sua trajetória empreendedora ainda na infância, vendendo gravetos nas ruas de Patos. Depois de um tempo, mudou-se para Brasília, local no qual vendeu jornal e também foi flanelinha. Tempos depois, teve a oportunidade de ingressar no Banco do Brasil como menor aprendiz, onde chegou até o cargo de Chefe do Centro de Processamento.

Graduado em administração pela Universidade Federal da Paraíba e com MBA em Gestão Empresarial na Fundação Getúlio Vargas, Pepe, que é pai de cinco filhos, decidiu largar a promissora carreira bancária em 1997, para abrir seu primeiro negócio: uma franquia da escola de idiomas Yázigi, em João Pessoa.

Pepe teve essa franquia até 2011, quando decidiu ser franqueado em outra escola de idiomas em 2012, o CNA, que foi dono até 2014. E foi também em 2012 que ele deu seu principal passo no setor de franquias e abriu a primeira, e até hoje única, unidade da Escola Bilíngue Canadense Maple Bear na capital paraibana. Pepe diz que um dos principais objetivos de abrir este empreendimento na Paraíba foi o fato da Maple Bear se diferenciar das escolas regulares. Ele fala também que, apesar do risco de se abrir um negócio no Brasil, tinha certeza que atingiria o objetivo.

“Conhecemos (a Maple Bear) através de uma ex-professora que foi trabalhar em Recife e nos ligou dizendo que lá tinha iniciado uma escola que era a nossa cara (Pepe e Lúcia, sua esposa). Como trabalhávamos em uma escola de idiomas (Yázigi) e na época eu era Conselheiro da Diretoria, o estudo do mercado e ameaças/oportunidades para o segmento eram sempre debatidos. Então, dentro deste contexto optamos por abrir a MapleBear antes que outra pessoa o fizesse. No Brasil, todo investimento é de risco. Porém, tínhamos a certeza de que conseguiríamos atingir nosso objetivo de buscar a melhor opção de escola bilíngue para a cidade. Hoje, nossa escola está muito bem conceituada não só na cidade como também dentro da franquia. Atualmente Lúcia faz parte do Conselho Pedagógico Nacional da MapleBear e eu fiz parte até o último ano do Conselho de Marketing”, explicou.

Outros fatores apontados por Pepe para abrir a Maple Bear em João Pessoa foram: aumentar a concorrência das escolas de idiomas com as bilíngues; melhorar o ensino de idiomas nas escolas regulares; e que, mais cedo ou mais tarde, alguém abriria uma unidade da Maple Bear na capital paraibana.

Dificuldades

Além das dificuldades corriqueiras de se abrir um negócio no Brasil, Pepe afirma que enfrentou outros obstáculos no momento de trazer a Maple Bear para João Pessoa.

“Além de ser uma proposta inovadora (escola bilíngue com imersão), havia a necessidade de convencer o nosso público para esta nova proposta. Temos o custo do investimento, pois para cada sala de aula de 70 metros quadrados (não existia local com estas especificações), tivemos que construir o espaço e equipá-lo (incluindo 200 livros para cada sala – é lido no mínimo um livro por dia). Outro desafio é a mão de obra especializada, porém este é quase sempre o maior desafio dos empresários do segmento”, afirmou.

Com 10 anos atuando no Brasil, a Maple Bear está presente em vários lugares do mundo como, China, Marrocos, Índia, Emirados Árabes Unidos, Coreia do Sul, Cingapura e Vietnã. De acordo com Pepe, as principais diferenças dela para as escolas ditas regulares são os programas oferecidos e as práticas tomadas em sala de aula.

“As Escolas Maple Bear oferecem programas completos e inovadores, elaborados por experientes educadores canadenses e brasileiros a partir das práticas que fazem do ensino canadense um dos melhores do mundo”, disse.

Pepe ainda listou alguns dos princípios da metodologia canadense:

- Educação holística - o aprendizado acontece em todas as esferas: física, intelectual, emocional e social.

- Incentivo à experimentação, ao desafio intelectual, à descoberta e à solução de problemas.

- Ensino integrado, com matérias que se completam em unidades temáticas.

- Respeito às características e ao ritmo individual dos alunos. São proporcionadas às crianças oportunidades para explorar o mundo de forma prática e em seu próprio tempo.

- Incentivo a criatividade e auto expressão.

- Salas de aula amplas, estimulantes, acolhedoras e equipadas com Centros de Aprendizado, materiais manipulativos e livros.

- Primazia da comunicação.

Exigências para abrir uma unidade da Maple Bear

Sobre as exigências para se abrir uma unidade da Maple Bear, Pepe disse que não diferenciam muito das outras franquias na área de educação. Segundo ele, o fato de já ter uma experiência de 15 anos em uma franquia de idiomas foi fundamental para a aprovação.

Atualmente, a unidade da Maple Bear em João Pessoa conta com 340 alunos, de idades entre 1,5 até 9 anos. Pepe afirma que a ideia é ser uma escola pequena, com apenas uma sala de cada turma por turno. Segundo ele, a expectativa é de que daqui a cinco anos, quando a escola estiver toda completa, com 14 turmas, tenha em torno de 640 alunos.

Tutores - Reforço escolar diferenciado

tutores

Assim como Pepe, Yuri Sousa também vem de uma carreira trabalhando em bancos. Porém, diferentemente do primeiro, ele só entrou no mundo do empreendimento, mais precisamente da franquia no setor educacional, após se aposentar como bancário. Ao todo, foram 35 anos lidando com contas e números, o que lhe fez pensar em, ao se aposentar, abrir uma franquia neste ramo. Contudo, ele tomou um rumo completamente diferente.

“Fui bancário durante 35 anos. Minha carreira toda foi em banco. Aposentei-me em 2012 e ainda passei um ano e meio na secretaria municipal de saúde de João Pessoa, mas não era minha praia. Então, eu e minha esposa começamos a procurar algo para a gente, uma franquia. Como eu trabalhei em banco, eu pensei em algo relacionado à corretagem de seguros. Vi até uma franquia também, mas acabou que não me animou muito. Depois, procurando mais, a primeira franquia que apareceu foi a Tutores, na área de educação. Como eu sempre gostei muito, apesar de não ser da área, nós entramos em contato com a Tutores”, disse.

Formado em administração e com uma vasta carreira no setor financeiro, Yuri disse que sempre teve vontade de abrir seu próprio negócio, mas que nunca havia pensado em ter algo no setor educacional, apesar de ter afinidade com a área. Ele revela que teve um pouco de temor no início, mas que estava certo do que queria.

“No dia em que eu fiz o depósito do pagamento da franquia, minha esposa me perguntou se eu estava satisfeito e eu disse que sim, mas por dentro bateu um medo grande, porque é um risco que você está correndo. Tudo é um risco, porque você está empregando dinheiro, não foi uma importância alta, mas é dinheiro. O medo de não dar certo”, explicou.

Em busca de recursos

Outro fator que aumentou o temor de Yuri foi o fato de ter que buscar recursos para poder iniciar o seu próprio negócio. Segundo ele, o fato de poder gerar uma nova dívida, aumentou a sua preocupação.

“A gente teve que pegar empréstimo. Isso aumentou a preocupação. Porque se eu tivesse o recurso disponível, seria diferente, porque você não estava criando dívida. E o negócio não traz retorno de imediato, tem um tempo de maturação. Ano passado tivemos uma consultoria do Sebrae, que foi muito importante, deu para a gente alguns pontos que precisávamos corrigir.

A Tutores

A Tutores – Educação Multidisciplinar é uma microfranquia, eleita a melhor do Brasil em 2013 pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e com Selo de Excelência em Franchising  pela Associação Brasileira de Franchising de 2013 a 2015, voltada para o reforço escolar multidisciplinar. Atendendo alunos da Educação Infantil ao Ensino Superior, além de cursos voltados para a Terceira Idade, a Tutores visa estabelecer uma ligação com o aluno além da sala de aula, como explica Yuri.

“É uma proposta inovadora, porque a gente não trabalha apenas com o reforço escolar tradicional, a gente vai mais além, porque o nosso entendimento é um acompanhamento de forma integral. Para isto, a gente faz uma avaliação com o aluno, uma entrevista com os pais, para entender as dificuldades do aluno, então nós trabalhamos, com muitos alunos com dificuldades de aprendizagem, não só com eles, mas também com eles. A nossa intenção é desenvolver o aluno de forma integral. Não é só chegar aqui e passar o conteúdo para ele. Eu respeito os concorrentes, mas qualquer outro reforço pode fazer. A nossa preocupação foca mais no aluno, no desenvolvimento da pessoa também. O conteúdo vai vir por consequência”, explicou.

Yuri explica que não há muita dificuldade para se obter uma franquia da Tutores. Outra coisa que facilita para os franqueados é a possibilidade de trabalhar como home based, ou seja, trabalhar em casa, sem a necessidade de uma unidade física. Atualmente, Yuri já tem duas franquias da Tutores, uma com unidade física e a outra no sistema home based.

“Não tem muita dificuldade (para abrir). Você entra em contato, eles enviam um informativo da franquia e vão fazer uma entrevista para saber se você tem habilidades para gerir o negócio, lidar com pessoas. Não há muita dificuldade. Primeiro vem o contato, aí eles vão mandando as informações por email, tem a entrevista, depois a documentação, o processo é muito rápido. Se você for uma pessoa mais objetiva, com 15, 20 dias, você já está franqueado. Não há exigência da unidade física. É uma opção do franqueado”, afirmou.

Paraiba 5 cidades registram maior número de crescimento de franquias

Franquias x bancos

Com 35 anos trabalhando em bancos e com apenas um ano e meio no mundo das franquias, Yuri não sabe dizer ainda qual setor prefere. Para ele, cada um tem seu encanto. Mas, apesar de ainda não ter uma preferência, ele afirma que o sonho de ter seu negócio próprio falou mais alto e que não pretende voltar para os bancos.

“Sair do banco foi difícil. Foram 35 anos, é como se fosse um casamento. Então não foi fácil. Para eu me separar emocionalmente, foi um ano e meio, ainda hoje ainda sinto saudade. Eu acho que gosto tanto da área educacional, como gostava do banco. Mas nos últimos anos do banco eu estava muito desgastado por conta da pressão, porque tem que bater metas e tal. Eu gostava do que eu fazia, mas o desgaste emocional estava muito grande. Aqui eu não tenho esse tipo de pressão. Quem pressiona a mim, sou eu mesmo e eu não me pressiono no nível que eu era pressionado. Mas eu gosto muito do que eu faço”, disse.

Por fim, ele deu conselhos para quem quer abrir seu próprio negócio.

“Eu acho que planejamento, antes de tudo, é essencial, para você conhecer o que você quer fazer, seja na área de educação ou qualquer outra área, é importante você conhecer, tenha paciência. A gente tem que ter sempre o equilíbrio e deixar que o racional trabalhe um pouquinho. A gente vai na empolgação, mas mantendo o racional. É bom fazer um planejamento, plano de negócios, se não quiser fazer, contrate alguém para fazer, porque é importante, para você conhecer o seu negócio. Mesmo que seja uma franquia, que já tem o sucesso do seu franqueador, mas de qualquer forma não custa nada você conhecer o seu negócio”, finalizou.

Cursos e capacitações

É inegável o crescimento do setor de franquias em todo o país. Mas até que ponto os futuros empreendedores estão preparados para entrar no mercado? Uma boa forma de se capacitar para empreender são os cursos oferecidos pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Através do seu núcleo de educação, a ABF oferece atualmente dois cursos para os interessados: Programa de Capacitação em Franchising e Entendendo Franchising (Projetos Franquias Brasil).

O Programa de Capacitação em Franchising (PCF) - aborda desde a análise de franqueabilidade de um negócio às estratégias para manter o bom relacionamento com a rede. Dividido em 11 módulos de 8 horas/aula – que podem ser feitos por completo ou avulsos.

Entendendo Franchising (Projeto Franquias Brasil) - parceria entre a ABF e o Sebrae que em 2016, vai passar por 18 estados e 104 cidades, de Norte a Sul do País.

A custo popular e com duração aproximada de 8 horas, o curso inclui em seu conteúdo conceitos do franchising, aspectos legais, vantagens e desvantagens do sistema, entre outros temas. As vagas são limitadas.

“A interiorização do franchising e a educação são dois dos pilares da atuação da ABF, daí a importância de unirmos a nossa expertise à do Sebrae para levarmos o conhecimento sobre o franchising e o empreendedorismo a todo o Brasil”, afirma a presidente da ABF, Cristina Franco.

A presença do franchising nos municípios brasileiros atingiu 40% no ano passado, confirmando o movimento de interiorização do franchising que a ABF vem verificando nos últimos anos. A região Nordeste, por exemplo, representa 15,3% do mercado nacional de franquias em número de unidades.

“Cada vez mais a capacitação tem se mostrado como a melhor forma para o crescimento profissional. Ela é também a base para o desenvolvimento do empreendedorismo de sucesso. Por outro lado, o setor de franchising apresentou um grande crescimento na última década, exigindo constante formação de novos executivos e líderes empresariais para cobrir todas as oportunidades oferecidas por este importante setor da economia”, afirma Juarez Leão, diretor de Treinamento, Cursos e Eventos da ABF.

Selo de Excelência   

Visando incentivar as boas práticas do franchising, a ABF lançou há 25 anos o Selo de Excelência em Franchising (SEF). O SEF registra a cada ano um número maior de empresas inscritas e condecoradas. Em 2015 com sua 25ª edição, o Selo teve a maior adesão de sua história, com 232 redes participantes e destas, 205 foram chanceladas.

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