terça, 13 de novembro de 2018
Economia
Compartilhar:

Fracasso na escolha da profissão

Ellyka Akemy / 18 de setembro de 2016
Foto: Arquivo
Já dizia o pensador e filósofo chinês Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. Em contrapartida, a escolha errada de uma profissão poderá desenvolver um profissional frustrado ou fazê-lo perder tempo tentando se encontrar no mercado de trabalho. Mas como tomar uma decisão tão importante como essa com apenas 17 anos, idade média dos adolescentes que cursam no 3º ano do ensino médio?

A situação é preocupante: a cada dez estudantes que se matriculam nas universidades públicas federais na Paraíba, apena um conclui o curso.

Os dados são do Censo do Ensino Superior 2014, que é elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). As informações da publicação sobre o ano de 2015 ainda não foram publicadas este ano.

Os especialistas em carreira ouvidos pela reportagem afirmaram que a forma como os jovens brasileiros estão sendo orientados para encontrar a profissão está ultrapassada e defenderam adequações urgentes, para não direcionamos às universidades estudantes sem conhecimento de como é o curso e o mercado de trabalho naquela determinada área.

Para o professor Gilmar de Oliveira, orientador de carreiras e responsável pelo Programa de Apoio Psicopedagógico do Unipê, os estudantes do ensino médio estão tão sobrecarregados com as exigências escolares, que mal sobra tempo para o que realmente é importante: a escolha uma profissão. “Há escolas que dividem matemática em cinco áreas, Português em três, além de Biologia, Química... Os alunos chegam a ter mais de 25 professores, cada qual com suas cobranças”, ponderou.

Oliveira acrescentou que essas exigências tiram o fôlego e o ânimo dos adolescentes, que acabam não tendo tempo suficiente para pesquisar sobre a área de atuação que decidiram seguir.

Resultado: muitos jovens estão entrando nas universidades desconectados com a realidade do mercado de trabalho.

Desenvolver as habilidades

Segundo o orientador Gilmar de Oliveira, o mercado de trabalho vai além de feira de profissões que as escolas oferecem. O mais importante, na opinião dele, é apresentar aos estudantes quais habilidades ensinadas nas disciplinas se encaixam nas mais diferentes profissões e como isso poderá ajudar à sociedade de alguma forma. “Muitas das desistências no ensino superior se devem a estudantes que não se habituaram a pensar e a construir o conhecimento de forma autônoma”, enfatizou.

A psicóloga Fernanda Gonçalves, gerente nacional de carreiras da DeVry Brasil, ponderou outro fator que atrapalha nesse processo. “Muitos jovens escolhem a profissão por influência de pais, colegas, mídia e por carreiras em alta ou que estão na moda, e não por um processo de autoconhecimento”, destacou.

Relacionadas