sábado, 05 de dezembro de 2020

Economia
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Fake news impactam 8,8 milhões de usuários no Brasil

Celina Modesto / 24 de junho de 2018
Foto: Divulgação
A disseminação de notícias falsas na internet tem se tornado uma prática cada vez mais comum no Brasil. Segundo dados do Relatório de Segurança Digital, produzido pelo DFNDR LAB, laboratório da PSafe especializado em cibercrime, mais de 2,9 milhões de acessos a fake news foram impedidos, entre janeiro e março deste ano, apenas pelo sistema de segurança DFNDR. No entanto, a estimativa do laboratório é que o número de pessoas impactadas por notícias falsas seja ainda maior: 8,8 milhões em todo o território brasileiro.

Na comparação com o quarto trimestre de 2017, o crescimento na disseminação de conteúdos falsos foi de quase 12%, sendo o WhatsApp o meio favorito para esta proliferação. Segundo o laboratório de segurança DFNDR LAB, 95,7% das Fake News tiveram o aplicativo de mensagens como disseminador. Os dados do relatório apontam que três em cada quatro usuários que acessaram notícias falsas no 1º trimestre são das regiões Sudeste (47%) e Nordeste (28%) do País.

Uma característica marcante das fake news no Brasil é o apelo a temas populares. Entre as principais temáticas abordadas pelos cibercriminosos, destaque para notícias atreladas a temas de saúde, somando aproximadamente 41% dos artigos. Em seguida, aparecem política (38%) e celebridades (18%). Além disso, os hackers adotam uma redação apelativa, com o objetivo de causar a indignação do leitor e, como reflexo, compartilhamento do dado com a finalidade de alerta.

“O criminoso ataca uma das características mais comuns ao mundo digital, que é a socialização. Ao identificar uma notícia polêmica, muitas vezes o mecanismo de defesa do internauta é compartilhá-la, de forma a defender uma causa ou combate-la, sem se dar conta de que, na verdade, está contribuindo para que mais pessoas acreditem em algo que não é verídico”, comentou Emilio Simoni.

Outro ponto abordado por Simoni é que com a proximidade de grandes eventos, a exemplo da Copa do Mundo na Rússia e as eleições em outubro, a tendência é que as Fake News sejam cada vez mais disseminadas. “Com a aproximação de grandes eventos, prevemos crescimento de mais de 50% no número de bloqueios a acessos para o próximo trimestre. Por isso, é importante ler o que se recebe com cuidado e prestar atenção em detalhes como quem são os especialistas que falam no texto ou até mesmo se tem algum link, pois o smartphone pode até mesmo ser comprometido”, afirmou.

Falta mais transparência

O professor de informática da FBV Wyden, Nisston Moraes, explica que, seja por meio dos aplicativos que são disponibilizados para smartphones e smarTVs ou até mesmo e-mails, os usuários de tecnologia estão bastante vulneráveis, principalmente porque falta transparência e clareza de informações quanto ao que é feito com os dados pessoais coletados pelas empresas de tecnologia.

“Grandes empresas criam os dispositivos, que chamamos de hardware, e os programas internos, que chamamos de software, que colhem informações, a exemplo da temperatura corporal ou da pressão. Além disso, com as redes sociais, estamos muito expostos hoje em dia, seja de maneira direta ou indireta. Qualquer equipamento que se conecta hoje com a internet é capaz de captar nossas informações”, afirmou.

Pior: ninguém está livre desse tipo de exposição, independentemente de o usuário residir no Brasil ou na Europa. “Todos estão expostos da mesma forma, basta estar conectado a internet. Você tem e-mail? Cadastro em lojas de grandes redes? Utiliza aplicativos que consente permissões e acesso aos dados? É o que digo aos meus alunos, se estamos conectados a internet, estamos expostos”, frisou o professor Nisston Moraes.

Políticas de privacidade

Ao mesmo tempo em que se discute acerca da vulnerabilidade dos usuários de aplicativos e tecnologia em relação à privacidade e segurança na internet, também se deve fazer importante ponderação: o mesmo usuário que reclama da falta de privacidade é o que lê os termos e políticas de privacidade ao fazer o download de um aplicativo no smartphone? Esse é um dos pontos argumentados pelo professor de direito digital da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alexandre Pacheco.

“Quantos de nós efetivamente lê o que tem escrito no contrato com os termos e políticas de privacidade? Então, não sabemos que tipo de dado é coletado, como vai ser usado e com quem será compartilhado. Sabendo que ninguém lê o que está nos termos de uso, será que não poderia se pensar em outra maneira de informar esses usos e privacidades e o que farão com os dados coletados?”, questionou Pacheco.

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