domingo, 21 de julho de 2019
Economia
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Empresa espanhola compra aeroportos da Paraíba

Fábio Cardoso / 16 de março de 2019
Foto: Divulgação/Infraero
A espanhola Aena venceu um disputado leilão pelo principal bloco de aeroportos realizado pelo Governo Bolsonaro, ontem, na Bolsa de Valores, em São Paulo. Com oferta de outorga de R$ 1,9 bilhões, o consórcio vai administrar os aeroportos do bloco Nordeste, considerado o ‘filé’ das concessões, que compreende os terminais de Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte e Campina Grande.

Aeroportos paraibanos (Castro Pinto/João Pessoa e Campina Grande/João Suassuna) foram rebaixados de categoria e correm o risco de serem utilizados apenas para voos regionais, segundo uma fonte ouvida pela reportagem.

Segundo a fonte, que é especialista no setor de aviação, o edital do leilão limita a operação de aviões de grande porte - de categoria 4C, que compreende os Airbus A319 e A320, ou os Boeings 700 ou 800 -, nos dois terminais paraibanos. Na opinião dele, as companhias aéreas podem ser convencidas a torná-los aeroportos apenas para descolamentos menores, por exemplo, para Recife - que conta com o Hub da Azul Linahs Aéreas - ou Natal.

Na opinião do especialista, a privatização deixou vulneráveis os aeroportos paraibanos, já que os investimentos que constam no edital, de R$ 159 milhões para Campina Grande, não exige, no contrato de concessão, que a empresa faça obras no atendimento da infraestrutura para aviões de maior porte. Nesse contexto, os equipamentos poderiam atender voos com aeronaves da categoria 3C, com modelos Embraer 145, ATR-72 e Brasília.

"Se eles (os espanhóis) entenderem que não haverá concorrência entre os aeroportos, poderão impor uma política de incentivos para que as companhias aéreas foquem seus esforços com os voos partindo de Recife, agregando mais passageiros em Maceió, para destinos no Sul do País, Europa e Estados Unidos. Enquanto os aeroportos de João Pessoa, Campina Grande e Juazeiro do Norte ficariam somente para os deslocamentos menores, com aviões de pequeno porte." - Fonte do Correio

Paraíba tem potencial



Por outro lado, segundo o empresário Delano Campos, proprietário da TAG Linhas Aéreas, companhia aérea paraibana, existe muita preocupação em torno de que o aerporto de João Pessoa perderá espaço por ser próximo a Recife e Natal. “Isto têm seu lado verdadeiro e falso. Verdadeiro, porque é realmente entre os dois e que transporta mais de um milhão de passageiros por ano. Ninguém quer deixar de transportar passageiros. Falso que vamos perder espaço, porque quem investe sabe o que têm efetivamente nas mãos. Têm demanda, têm um governo forte no Turismo”, pontuou.

Delano afirmou que, quando sonhou em criar a companhia aérea, imaginou que a Paraíba seria grande nesta área.

“Sempre penso pelo lado positivo, mas nunca sem tirar os pés do chão. Uma coisa positiva na privatização é que existe a perspectiva de crescimento, muito embora alguns vejam como um passo para trás. Nunca devemos deixar de pensar que todo processo trás ajustes e estes ajustes às vezes, são dolorosos e requerem tempo”.

Leilão arrecadou R$ 2,377 bi



O governo Jair Bolsonaro leiloou ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), 12 aeroportos, divididos em três regiões: Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. No total, a concessão dos terminais por 30 anos arrecadou R$ 2,377 bilhões em outorgas para os cofres públicos. Foi o primeiro leilão da gestão Bolsonaro. O valor é 986% maior que o lance mínimo estabelecido pelo governo, de R$ 218,7 milhões.

Os vencedores também deverão fazer investimentos para a ampliação e a manutenção dos aeroportos. Nos cinco primeiros anos, a previsão do governo é que eles invistam R$ 1,47 bilhão.

Dois dos três blocos colocados no leilão realizado ontem foram arrematados por estrangeiros.

A assinatura dos contratos só deverá ocorrer após a homologação do resultado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), ainda sem data prevista.

Ministério já prepara nova rodada de venda



O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas informou ontem que o governo apresentará na próxima segunda-feira o edital de chamamento para a 6ª rodada de concessão de aeroportos. Freitas deu a informação após o leilão de privatização de 12 aeroportos na B3. A próxima rodada também trará três blocos, com terminais das regiões Norte e Sul, e outro grupo, chamado de Eixo Central. A previsão é que o leilão ocorra em agosto de 2020.

Na prática, o edital dá início aos estudos para a próxima rodada de leilões de aeroportos, definindo valores por cada bloco e expectativas de investimentos.

Serão colocados em leilão mais 22 terminais. O Bloco Sul, formado por nove aeroportos, inclui dois terminais em Curitiba, um em Foz do Iguaçu e um em Londrina, no Paraná; um em Navegantes e um em Joinville, em Santa Catarina; um em Pelotas, um em Uruguaiana e um Bagé, no Rio Grande do Sul. O Bloco Norte engloba sete aeroportos: um em Manaus, um em Tabatinga e um em Tefé, no Amazonas; um em Porto Velho; um em Rio Branco e um em Cruzeiro do Sul, no Acre; e um em Boa Vista. No terceiro lote, o chamado Eixo Central, estão os terminais de Goiânia, de São Luís e Imperatriz, no Maranhão; de Teresina, no Piauí; de Palmas, no Tocantins; e de Petrolina, em Pernambuco.

A sétima rodada de concessão de aeroportos, prevista para o primeiro semestre de 2022, imcluirá os terminais de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro. "Congonhas e Santos Dumont ficam para a ultima rodada. Como são aeroportos muito importantes, eles vão ajudar a compor a sustentabilidade da Infraero. Por isso vamos aguardar os preços irem se sustentando no mercado", afirmou o ministro Tarcísio de Freitas.

Blocos e quais são os aeroportos



Nordeste

Mais cobiçado, o bloco foi arrematado pela espanhola Aena, que venceu com um lance de R$ 1,9 bilhão. A empresa terá que fazer investimentos de R$ 2,15 bilhões nos próximos 30 anos.

A disputa se concentrou entre a Aena e o grupo suíço Zurich Aiport. O grupo espanhol saiu na frente com oferta de R$ 1,85 bilhão. Próximo ao final do leilão, o grupo suíço ofereceu R$ 1,851 bilhão. O lance foi coberto logo em seguida pela Aena, que ofereceu R$ 1,9 bilhão, um ágio de 1.010,69%, e levou o bloco.

Aracaju (SE)

Campina Grande (PB)

João Pessoa (PB)

Juazeiro do Norte (CE)

Maceió (AL)

Centro-Oeste

O bloco foi leiloado ao consórcio Aeroeste, formado por duas empresas de transporte rodoviário, a Socicam (empresa responsável pelo Terminal Tietê, em São Paulo) e a Snart. O grupo pagará R$ 40 milhões à União e deverá fazer investimentos de R$ 770,6 milhões em 30 anos.

Foram duas propostas. A do vencedor, de R$ 40 milhões, representa ágio de 4.739%. O consórcio Construcap-Agunsa ofereceu R$ 31,5 milhões, ágio de 3.711,01%.

Alta Floresta (MT)

Cuiabá (MT)

Rondonópolis (MT)

Sinop (MT)

Macaé (RJ)

Vitória (ES)

Sudeste

O bloco foi arrematado pela companhia suíça Zurich, que venceu o leilão com uma proposta de R$ 437 milhões, que serão pagos à União. Deverão ser feitos investimentos de R$ 3,5 bilhões nos próximos 30 anos.

Foram apresentadas quatro propostas. A Zurich venceu com ágio de 830,15%. A ADP do Brasil ofereceu R$ 304 milhões, ágio de 547%. A CPC (Companhia de Participações em Concessões), deu lance de R$ 167 milhões, ágio de 255,47%, e a Fraport fez uma oferta de R$ 125,002 milhões, ágio de 166,07%.

Macaé (RJ)

Vitória (ES)

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