sexta, 18 de setembro de 2020

Emprego
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O retrato do desemprego na Paraíba em dez anos

Rammom Monte / 09 de janeiro de 2017
Foto: Divulgação
Por mais que a palavra crise não tenha saído da bocas de inúmeros brasileiros em 2016, o ano passado não foi o pior no quesito desemprego na última década. Com um desemprego de 3,6%, 2015 conseguiu superar 2016 neste quesito e teve a taxa mais alta na última década. Ao todo, foram 148.335 admissões contra 163.588 mil demissões, o que representa um saldo negativo de 15.253. Os dados constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho. Segundo o economista Martinho Campos, as demissões cresceram nos anos 2015 e 2016 em decorrência da recessão que se instalou em nossa economia a partir de 2014.

Assim como em 2015, 2016 também apresentou uma queda. Porém, a taxa foi menor: 1,91%. Ao todo, foram 115.260 admissões e 123.148 demissões, uma diferença de menos 7.888 cargos. Vale ressaltar que  os dados de 2016 são referentes a 11 meses, já que o Caged do mês de dezembro ainda não foi divulgado.

No ano passado, o setor que mais sofreu com o desemprego foi o da Construção Civil, com uma diferença de 9,39 entre admissões e demissões. O único setor que apresentou crescimento foi da Agropecuária, com uma taxa de 3,83%.

Nem tudo foi tão ruim na última década

Apesar dos últimos dois anos terem sido de recessão, de 2007 a 2014 o Brasil sempre apresentou um crescimento no número de empregos, com destaque para 2010, que cresceu  9,68%, com 143.396 admissões e 114.633 demissões, o que representa um saldo de 28.763. Em segundo lugar ficou o ano de 2011, com 153.015 novos empregos e 132.159 demissões, um saldo de 20.856, o que representa uma diferença de 6,30%.

Economista analisa situação

Segundo Martinho, apesar do tempo, o mundo ainda sofre com a crise financeira de 2008. "Há fatores externos e internos. Mundialmente, vive-se ainda os efeitos dá grave crise que estou em 2008. A economia continua patinando na queda dos investimentos globais, amargando sérios aumentos de desemprego, sobretudo nos países menos dotados da zona do Euro (vide Grécia, Espanha, Portugal, por exemplo). No nosso caso, houve sérios erros de política econômica nos períodos do governo Dilma, que buscou manter a mesma linha dos governos Lula, durante os quais os altos preços das composições propiciaram as condições para beneficiar os estamentos sociais dos ricos e dos pobres. O resultado foi o agravamento das condições fiscais e a impossibilidade de manter a política anterior", explicou.

Martinho apontou, ainda, uma possível saída para este momento. "Será preciso que as forças anti neoliberais se juntem agora com todas as forças para impedir que medidas insensatas de restrição fiscal venha a jogar mais combustível na crise. Antes de mais nada e necessária uma política e uma ação objetiva para conter a sanha do mercado financeiro. Uma auditoria da dívida pública interna tornam-se imperativa a cada passo, pois o que gasta com anualmente com o serviço dessa dívida representa o verdadeiro problema da situação fiscal",finalizou.

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