terça, 19 de janeiro de 2021

Economia
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Em 2017, inflação chegou a quase 3% com peso diferente para cada bolso

Celina Modesto / 11 de janeiro de 2018
Foto: Reprodução
A inflação encerrou o ano de 2017 em 2,95%, conforme informação divulgada nessa quarta-feira (10) pelo IBGE. O valor, que corresponde ao índice acumulado no ano, ficou abaixo do piso da meta do Banco Central, de 4,5% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Para João Bosco Ferraz, economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Paraíba, “o cálculo da inflação realizado pelo IBGE considera o preço médio Brasil. Ou seja, os preços são diferentes em cada região, influenciando na média final”.

Segundo o economista, no caso da cesta básica de alimentos, “umas regiões podem contribuir mais do que outras. Além disso, em cada região, há a influência do clima, da época e da safra, podendo fazer com que os preços dos alimentos caiam mais ou menos. De modo geral, a queda na inflação foi causada pela melhoria da produção agrícola, mas individualmente o preço da gasolina subiu e a energia elétrica também. O aluguel também caiu porque embora exista a oferta, a procura é menor”, disse.

Por isso, os consumidores sentem o peso dos aumentos ou quedas dos preços de forma diferente em cada região, em cada cidade. Por isso, também, a sensação de que os dados são irreais.

Banco Central foi surpreendido

O descumprimento da meta em 2017 já era esperado pelo mercado. Com o resultado, o presidente do Banco C, Ilan Goldfajn, enviou uma carta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicando por que a inflação não ficou dentro do estipulado.

De acordo com Goldfajn, a maior queda no preço dos alimentos em quase 30 anos foi a principal responsável pela inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter fechado 2017 abaixo do piso da meta pela primeira vez na história, informou,nessa quarta-feira (10), o presidente do Banco Central. Em carta aberta para explicar o descumprimento do intervalo mínimo da meta, Goldfajn diz que o Banco Central foi surpreendido pelo comportamento dos preços dos alimentos no domicílio. “Em 2017, a reversão da inflação nos preços dos alimentos no domicílio foi maior do que o previsto, tanto pelo Copom [Comitê de Política Monetária] quanto pelos analistas do mercado”, destaca Goldfajn na carta. Esta foi a primeira vez que a inflação ficou abaixo do piso do sistema de metas desde a criação do sistema, em 1999.

Segundo o Banco Central, a inflação do subgrupo alimentação no domicílio fechou 2017 com deflação (recuo de preços) de 4,85%, a maior para esses itens desde o início da série histórica do IPCA, em 1989. Ao excluir os alimentos, o índice teria encerrado o ano passado em 4,54%, próximo do centro da meta.

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