quinta, 04 de março de 2021

Economia
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Economia familiar na UTI: 300 mil famílias sobrevivem com um salário mínimo na PB

Rammom Monte / 10 de novembro de 2015
Foto: Arquivo
Mais de 300 mil famílias vivem com uma renda de até um salário mínimo na Paraíba. Os dados são referentes ao ano de 2013 divulgados em uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E para todas essas pessoas, o ano de 2015 não está sendo fácil, principalmente por conta das altas nos preços. Só para se ter uma ideia, em outubro, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Municipal e Estadual (IDEME/PB) o custo total da cesta básica foi de R$ 301,68, o que representou 38,28% do salário mínimo, que é de R$ 788,00. Já para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o valor da cesta foi de R$ 298,17.

Diante deste panorama, segundo o Ideme, um trabalhador que no mês de outubro ganhou um salário mínimo precisou trabalhar o equivalente a 84 horas e 16 minutos para adquirir sua alimentação individual. Já uma família composta por quatro pessoas teria que dispor de R$ 1.206,72 para adquirir apenas a alimentação básica. Além do valor da cesta básica, o consumidor teve que conviver ainda com vários outros aumentos, como o preço da energia, da conta de água, gás de cozinha e do aluguel, entre outros.

Para o economista Celso Mangueira, os números representam um quadro grave, que, segundo ele, se não mudar, pode se tornar cada vez mais complicado. Ele também comparou o poder de compra do brasileiro agora em relação ao passado.

“O salário mínimo brasileiro já teve na faixa de 300 e poucos dólares, hoje está na faixa de 160 dólares, o que em muitos países representa estar abaixo da linha de pobreza. É um quadro efetivamente grave, que se não houver uma reversão, a tendência é se tornar mais difícil”, analisou.

Segundo Celso, uma das alternativas tomadas por algumas dessas famílias é tentar ir em buscar de outra renda ou até cortar itens da cesta básica ou substituí-los por outros mais economicamente viáveis.

“Essas pessoas têm praticamente uma vida de subsistência. Uma das alternativas que eles têm é de reduzir ainda mais a cesta básica, trazer a um patamar mais baixo, para conseguir se alimentar regularmente. Como retirar a carne, por exemplo, que normalmente pesa no bolso. Essa é uma das formas que as pessoas encontram para poder se manterem diante dessas circunstâncias”, finalizou.

Custo de vida em João Pessoa

E não é só a alimentação que está custando mais cara para a população de João Pessoa. De acordo com levantamento divulgado pelo Ideme, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da capital paraibana apresento um acréscimo nos preços médios de 0,94% no mês de outubro. Com esse resultado, o acumulado no ano do custo de vida ficou em 8,74% e nos últimos 12 meses em 10,66%. Dos sete grupos que compõem o estudo, apenas Alimentação e Saúde apresentaram quedas de 1,60% e 2,38%, respectivamente.

De acordo com a pesquisa, as maiores quedas de preços médios registradas no grupo Alimentação ocorreram nos seguintes itens: pescado (5,71%), tubérculos e raízes leguminosas (4,18%), frutas (3,70%) e hortaliças e verduras (1,64%). Os maiores aumentos foram registrados nos itens: frango e ovos (3,50%), alimentação fora do domicílio (2,27%), leite e derivados (1,23%) e sal e condimentos (1,15%).

Já os outros cinco grupos utilizados pelo Ideme para calcular o IPC: Transporte e Comunicação, Vestuário, Serviços Pessoais, Artigos de Residência e Habitação apresentaram variações positivas entre 4,60% a 0,56%. Confira o estudo completo no site do Ideme:www.ideme.pb.gov.br

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