sábado, 19 de junho de 2021

Economia
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Drama e revolta na fila do INSS: apesar do fim da greve, usuários não são atendidos

Ellyka Akemy / 27 de janeiro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
“Fui agendada em outubro para a agência do Centro, mas quando cheguei me enviaram para a agência dos Bancários. Lá, me mandaram retornar para o Centro, mas aí os médicos não estavam atendendo por causa da greve. Já estou na terceira remarcação e ainda não passei pelo perito”. Esse relato é da manicure Célia Dias de Lima. Ela está fazendo tratamento contra um câncer no fêmur há um ano. Por conta das dores, precisa tomar morfina três vezes ao dia e comer nos horários certos.

“Nem sei quantas horas fiquei sem comer esperando pelo atendimento. Se ao menos essa espera valesse a pena, mas não, a pessoa sai daqui e tem que voltar de novo”, chora ao contar sua situação. Célia Dias está tentando dar entrar no auxílio-doença para manter os custos do tratamento. Sem ter condições de trabalhar, a manicure está morando com a irmã.

O segundo dia de atendimento no Instituto Nacional de Seguro Nacional (INSS), após o retorno das atividades dos médicos peritos, foi marcado por dramas como o de Maria Célia: paraibanos que pagam seus impostos e, quando mais precisaram, têm seus direitos violados. Revolta e indignação são os principais sentimentos exprimidos por essas pessoas que são vítimas de um sistema ineficiente.

Fila é apenas virtual

“Como a fila de espera é virtual, as pessoas não estão amontoadas na frente das agências. Isso acaba mascarando a situação”, comenta a representante da Associação Nacional dos Médicos Peritos na Paraíba (ANMP), Cláudia Wanderley, ressaltando que a categoria só voltou ao trabalho por causa da população, já que o Governo Federal não atendeu às reivindicações da classe.

O pintor automotivo, Wellington José Silva, não pôde voltar ao trabalho porque ainda não passou pelo médico perito. Resultado: nem está recebendo salário e nem o auxílio-doença. Ele foi baleado, após reagir a um assalto em agosto do ano passado. Felizmente, a bala não perfurou nenhum órgão. Mas Wellington teve a motocicleta e o celular levados pelos bandidos.

Essa é a terceira vez que ele é reagendado. Enquanto isso, ele, a esposa e os dois filhos estão vivendo com dinheiro emprestado pelo padrasto dele.

A diarista Damiana Ferreira sofre de osteoporose há cinco anos. Mas as dores ficam mais intensas e ela não consegue mais fazer tantas faxinas como antigamente. Procurou o INSS para dar entrada no auxílio-doença, mas, desde outubro, vem sendo remarcada.

Sem prazo

No site da Previdência Social consta que “todos os esforços estarão voltados à normalização do atendimento”. Mas Cláudia Wanderley afirma que ainda não houve diálogo entre a categoria e o órgão para discutir como será o atendimento da demanda reprimida e os novos pedidos.

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