segunda, 10 de dezembro de 2018
Economia
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Desigualdade de social na Paraíba é a quarta maior de todo o Brasil

Ellyka Gomes / 06 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
A Paraíba tem a quarta maior desigualdade de renda do Brasil. O grupo dos 10% mais ricos acumula 46,7% da renda do Estado, enquanto que a parcela dos 40% mais pobres concentra 11,3%. Foi o que revelou a Síntese de Indicadores Sociais/2018, divulgada, nessa quarta-feira (5), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O material mostrou que a pobreza na Paraíba caiu 5,21% em 2017, na comparação com 2016, enquanto que a extrema pobreza aumentou 2,64% no mesmo período.

A SIS analisou o mercado de trabalho, os aspectos educacionais e a distribuição de renda da população, utilizando como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE e de outras fontes. De acordo com a análise, o Índice de Palma paraibano, que avalia a desigualdade de renda, foi de 4,15. O indicador ficou atrás apenas do Distrito Federal (5,57), Bahia (4,76) e Amazonas (4,43) - primeiro, segundo e terceiro, respectivamente, com as maiores desigualdade de renda.

Em 2017, apenas 2,7% da população paraibana (108.027 pessoas) vivia com mais de cinco salários mínimos. Já a maior parcela da população (28,9% ou 1.156.289 pessoas) sobrevivia com até um salário mínimo. Em 2016, a proporção de pessoas pobres na Paraíba era de 42,2%. Esse percentual caiu para 39,7% em 2017. No período, esse contingente variou de 1,67 milhão para 1,58 milhão de pessoas.

Já o proporção de pessoas com renda inferior a R$ 140 por mês, que estariam na faixa da extrema pobreza, de acordo com a linha proposta pelo Banco Mundial, representava 10,7% da população paraibana em 2016, contra 10,9% em 2017. Em números absolutos, 12 mil pessoas entraram na faixa da extrema pobreza na Paraíba entre 2016 e 2017. O rendimento médio domiciliar per capita da Paraíba foi de R$ 1.090 em 2017 – o 2º maior do Nordeste - atrás apenas da Bahia, com R$ 1.095.

O rendimento médio domiciliar per capita em João Pessoa foi de R$ 2.038 - 3º maior entre as capitais nordestinas. O maior rendimento ficou com Salvador, com R$ 2 352, e o segundo Recife, com R$ 2 082.

60% na informalidade

Em 2017, o trabalho informal alcançou mais de 865 mil paraibanos, o que representava 55,9% da população ocupada ou quase seis em cada dez trabalhadores na Paraíba. Na análise do mercado de trabalho, a SIS 2018 mostrou que a taxa de desocupação na Paraíba era de 8,1%, em 2014, e subiu para 10,1% em 2017. No ano passado, a taxa de desocupação foi maior entre as mulheres (10,7%), os pretos e pardos (terminologia utilizada pelo IBGE - 10,2%) e na população com idade entre 14 e 29 anos (19,6).

O número de trabalho formal com carteira assinada cresceu 4,10% em 2017, na comparação com 2016. No ano passado, o mercado formal tinha a seguinte conjuntura: mais de 682 mil eram homens (44,1%) e pouco mais de 681 mil mulheres (44%). Os trabalhadores brancos era mais de 739 mil (47,8%) e os pretos e pardos mais de 653 mil (42,2%).

Situação de pobreza

Em apenas um ano, o Brasil passou a ter quase 2 milhões de pessoas a mais vivendo em situação de pobreza. A pobreza extrema também cresceu em patamar semelhante.

De acordo com a pesquisa, em 2016 havia no país 52,8 milhões de pessoas em situação de pobreza no país. Este contingente aumentou para 54,8 milhões em 2017, um crescimento de quase 4%, e representa 26,5% da população todal do país, estimada em 207 milhões naquele ano (em 2016, eram 25,7%).

Já a população na condição de pobreza extrema aumentou em 13%, saltando de 13,5 milhões para 15,3 milhões no mesmo período. Do total de brasileiros, 7,4% estavam abaixo da linha de extrema pobreza em 2017. Em 2016, quando a população era estimada em cerca de 205,3 milhões, esse percentual era de 6,6%.

O gerente da pesquisa, André Simões, enfatizou que o aumento da pobreza se deu pela maior deterioração do mercado de trabalho. Ele lembrou que em 2017 houve um pequeno crescimento do PIB, ao contrário dos dois anos anteriores, mas que essa alta foi puxada pela agroindústria, “que não emprega tanto quanto outras atividades”.

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