sexta, 18 de agosto de 2017
Economia
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Desemprego em alta e os perigos de abrir o próprio negócio sem buscar conhecimento

Fábio Cardoso / 21 de março de 2016
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas divulgados na semana passada apontam a aceleração do desemprego no Brasil em fevereiro. Segundo o IBGE, há no país cerca de 9,2 milhões de desocupados e a expectativa é de agravamento, tendo em vista estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de que teremos uma das maiores altas de desemprego entre os países emergentes em 2016, mais 700 mil pessoas sem trabalho, passando de 7,7 milhões, para 8,4 milhões.

O reflexo desse elevado índice, resultado da política econômica que vive momentos de inércia, com todos os setores praticamente parados, é o aumento do número de pessoas que estão partindo para abrir o seu próprio negócio. Somente até o dia 12 de março já foram abertas 3.346 novos Micros Empreendedores Individuais na Paraíba, um aumento de 23% quando comparado com 14 de março do ano passado. No total, até esta data, o estado tem 82.387 MEIs.

A corrida para a abertura de negócios individuais pode ser uma faca de dois gumes, conforme observa o consultor Fernando Sá, que esteve em João Pessoa para promover um workshop sobre gestão nas áreas de Gastronomia e Hospedagem a convite do Sindicato dos Hotéis Bares e Restaurantes de João Pessoa. Sá se mostra muito preocupado com esse movimento, porque a maioria que está investindo no seu próprio negócio não tem conhecimento do risco do que isso representa.

Na opinião do consultor, muitos trabalhadores correm o risco de perder em três meses todo o dinheiro - fruto do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - que foi juntado em 15, 20 anos de trabalho. Normalmente, quando um trabalhador deixa seu ofício certamente vai buscar alternativa na atividade a qual ele tem conhecimento. No entanto, nem sempre um bom funcionário tem tino para ser o patrão. O risco, no entendimento de Sá, está nessa transição, e mais, o mercado pode não absorver os serviços que pretende oferecer.

O executivo disse que há oportunidades para que as pessoas possam empreender, em especial, no setor gastronômico - um dos mais procurados -, pois o movimento de pessoas que optam pela alimentação fora de casa tem crescido, apesar da crise econômica e do encolhimento do poder aquisitivo dos brasileiros. “Atualmente se come fora de casa por necessidade, seja pelo trabalho ou estudo, ou os dois. E quem chega em casa à noite, busca o serviço de delivery para se alimentar”, enfatiza.

No Brasil, 30% das famílias colocam em seus orçamentos o hábito de comer fora de casa, mas está bem distante da média dos países mais desenvolvidos, onde essa média está em 55%. Estamos em franco crescimento, mas é importante prestarmos atenção a esse movimento e ver que ele é fruto da necessidade por outros motivos alheios aos dos americanos, por exemplo.

Mas, Fernando Sá pede cautela quando se pensa em empreender. O planejamento estabelecido por uma consultoria é fator preponderante para que o empreendimento não naufrague assim que apareça o primeiro iceberg. “Temos que prestar atenção ao movimento do mercado e saber as tendências”, disse. Investir às cegas é o mesmo que entrar em um campo minado.

Além de o futuro empreendedor tomar algumas precauções para administrar seu negócio, Fernando Sá indica que ele procure analistas do Sebrae que, na opinião dele, são peças fundamentais para o desenvolvimento.

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