terça, 11 de maio de 2021

Economia
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Crise econômica leva brasileiros a praticarem um consumo consciente

Ellyka Gomes / 17 de outubro de 2018
Foto: Reprodução
A recessão econômica brasileira deixou um legado positivo: mais consumidores conscientes. Em 2015, quando o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) lançaram o Índice de Consumo Consciente (ICC), 21,8% da população foram considerados consumidores plenamente conscientes. Neste ano, o percentual subiu para 31%, representando um aumento de 45% em três anos. Para os especialistas ouvidos pelo jornal CORREIO, o aspecto financeiro é o que mais influencia práticas responsáveis.

Vale destacar que o percentual de consumidores “pouco ou nada conscientes” reduziu consideravelmente: 48%. “Ainda que forçadamente, a crise vem ensinando os brasileiros lições valiosas sobre economizar e pesquisar antes de sair comprando”, frisou o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli. “Em vez de procurar sempre um produto novo, é possível buscar a reutilização, a troca, o aluguel, o conserto ou meios que não envolvam, exclusivamente, a decisão de jogar fora e comprar outro”, complementou.

Embora o percentual de consumidores conscientes tenha aumentado, ele não foi suficiente para elevar o ICC em 2018, que atingiu 73%, mantendo-se estável em relação ao ano passado (72%). O ICC pode variar de 0% a 100%, e quanto mais próximo de 100%, maior é o nível de consumo consciente. As perguntas feitas aos consumidores que serviram de base para construir o indicador englobam três grandes dimensões: práticas ambientais, financeiras e sociais.

Apagar as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados; fechar a torneira enquanto escova os dentes; pesquisa de preço, resultando na compra de itens mais baratos; incentivar as pessoas de casa a economizarem água e luz; e doar ou trocar um produto antes de jogá-lo fora estão entre as práticas sustentáveis mais utilizadas pelos brasileiros, segundo Índice de Consumo Consciente (ICC) do SPC Brasil e CNDL.

Considerando as atitudes de impacto social, o estudo mostrou que mais pessoas estão comprando produtos falsificados em virtude dos preços mais atrativos. Em 2015, 50% dos entrevistados alegaram comprar itens nestas condições. Este ano, o percentual subiu para 58%. Em contrapartida, 87% afirmaram evitar compras de produtos de marca ou empresas que utilizam trabalho escravo. Essa prática não estava presente no levantamento de 2015.

Os maus hábitos rotineiros são as principais causas que afastam os entrevistados do consumo consciente. Quando o assunto é economizar água, luz e telefone, 33% reconheceram que a principal barreira é a distração ou esquecimento. Já 22% afirmaram ficar desmotivados por não perceberem resultados diante das mudanças de atitude, enquanto 20% mencionam falta de tempo. A pesquisa ouviu 824 consumidores, nos meses de maio e junho, nas 27 capitais brasileiras, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

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