quinta, 21 de janeiro de 2021

Economia
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Crise econômica fez com que os brasileiros adaptassem seus gastos à realidade

Érico Fabres / 07 de março de 2018
Foto: Reprodução
A crise econômica fez com que os brasileiros adaptassem seus gastos à realidade. Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que sete em cada dez brasileiros (72%) mudaram seus hábitos em relação ao dinheiro por causa da crise econômica. Somente 19% garantem não ter feito mudanças.

O orçamento mais curto fez com que muitas famílias modificassem a rotina de compras, além de repensar algumas de suas prioridades. Assim, 55% passaram a evitar compras de bens supérfluos. Outros 55% reduziram os gastos com lazer, enquanto 54% passaram a fazer pesquisas de preço antes de adquirir um produto e 52% ficaram mais atentos às promoções, buscando preços menores.

Sem pensar no futuro. No Brasil, atualmente, existem mais de 12 milhões de pessoas desempregadas, sendo 174 mil na Paraíba (em um universo de 1,5 milhão de empregados).

A mudança de hábitos adquirida durante e após a crise econômica, porém, não fez com que a população começasse a pensar no futuro, tentar fazer uma reserva para se proteger contra uma eventual casualidade de demissão.

A atitude menos adotada no período de recessão foi o hábito de poupar ao menos uma parte dos rendimentos, mencionada por apenas 26%.

Difícil fazer reserva

De acordo com a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, de fato, em momentos de aperto financeiro é mais difícil para o consumidor constituir reserva financeira quando a prioridade é pagar as contas e manter demais compromissos em dia.

“Em momentos de sufoco financeiro é importante os consumidores ficarem mais atentos aos gastos que têm com itens supérfluos ou desnecessários e controlarem os gastos pessoais, mas atitudes como estas são recomendáveis em qualquer contexto para uma prosperidade financeira”, aponta Marcela Kawauti.

“Além disso, ter uma reserva financeira te ajuda a passar por momentos de crise com segurança e tranquilidade”, destaca a economista.

Nova rotina de consumo

A crise fez com que o vendedor Josué Gomes, 35, tivesse que se adaptar duplamente. Suas comissões diminuíram e, consequentemente, seu salário. Além do mais, água, luz, gás, tudo foi reajustado, tendo que racionar ao máximo na sua casa. Ar condicionado somente quando muito necessário e luz ligada também só à noite.

Com a chegada da recessão no Brasil, a intenção é que ele e a família continuem com as mesmas atitudes de hoje, porém, com uma possível melhora nas comissões que tem recebido, ele quer voltar a retomar atividades de lazer que abandonou para economizar. “De vez em quando é preciso sair pra comer fora, ir ao cinema e eu tinha abandonado isso, agora quero retomar”, diz.

Já a professora Lúcia Almeida, 32, afirma que sempre economizou, tanto água quanto energia, e pretende continuar fazendo, porém quer reduzir ao máximo as despesas para fazer uma poupança. “Se mudar mesmo a Previdência, vai ficar difícil se aposentar, então é melhor guardar um dinheirinho para qualquer eventualidade”, revela.

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