domingo, 09 de maio de 2021

Economia
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Cresce adesão aos cartões pré-pagos em alternativa aos planos e ao SUS

Ellyka Gomes / 16 de agosto de 2018
Foto: Reprodução
Os serviços de cartões de desconto e pré-pagos de saúde surgiram no mercado brasileiro como uma alternativa aos preços praticados pelas operadoras de planos de saúde e aos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na Paraíba, apenas uma empresa oferece este tipo de produto. O Grupo AMI Saúde garante que a venda de cartões pré-pagos aumentou 30% nos últimos cinco anos, com adesão, principalmente, de pessoas que cancelaram seus planos de saúde em virtude da crise econômica.

Como esses produtos não são classificados como planos de saúde, as empresas que oferecem o serviço não são regulamentadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com isso, cada estabelecimento fica livre para determinar que tipo de benefício oferecerá aos seus clientes. A maioria conta com uma rede de médicos, clínicas e laboratórios credenciados, que oferecem serviços com valores entre 60% e 80% mais baixos do que os praticados no mercado.

A auxiliar administrativa do Grupo AMI Saúde, Maria Socorro Neves da Silva, revelou que a empresa opera com cartões pré-pagos de saúde há 25 anos na Paraíba, muito antes do boom ocorrido no Brasil, em meados de 2010, com o surgimento de novas empresas oferecendo este tipo de produto. “Atuamos em João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita, disponibilizando aos nossos clientes atendimento em clínicas particulares com preço de tabela, ou seja, quem tem nosso cartão paga uma mensalidade e quando precisa de assistência médica paga, no máximo, R$ 100 pela consulta”, explicou.

No Brasil, a Ticket, conhecida por seus cartões de refeição e alimentação, anunciou semana passada que vai entrar no mercado de cartões pré-pagos de saúde. O Ticket Saúde chegará primeiro em São Paulo, mas a marca garantiu que pretende expandir suas operações para outras capitais. Segundo a Ticket, o produto é uma possibilidade para que as empresas possam oferecer acesso a serviços de saúde aos seus colaboradores, reduzindo os custos com os planos de saúde.

“Nos últimos anos, a inflação dos planos subiu e o custo do benefício passou a representar até 12% da folha de pagamento, de acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Lançamos essa solução para que as empresas possam oferecer uma assistência à saúde de qualidade aos empregados e ainda economizar”, destacou o Diretor Geral da Ticket, Felipe Gomes.

Idec alerta sobre garantias

A Agência Nacional de Saúde Suplementar ressaltou que tais produtos não estão previstos na lei dos planos de saúde, ou seja, não oferecem garantias como o atendimento aos procedimentos previstos no Rol de Procedimentos da ANS. Por exemplo, as clínicas conveniadas às empresas de cartões de desconto e pré-pagos de saúde não são obrigadas a atender o cliente nos prazos máximos de atendimento estipulados pela Agência. A ANS destacou ainda que as operadoras de plano de saúde não podem se associar ou oferecer esse tipo de serviço.

A advogada e pesquisadora em Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Carolina Navarrete, informou que o consumidor que contratar o serviço de cartão de desconto ou pré-pagos de saúde está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor. “Mas o Idec chama a atenção para o fato de que esses serviços não têm as mesmas garantias de qualidade assistencial e prazos máximos de atendimento que possuem os planos de saúde”, ressaltou.

Segundo Navarrete, o Idec entende que a ANS deveria regular esses serviços. “Isso possibilitaria que, assim como ocorre com os planos e seguros de saúde, os consumidores tivessem o respaldo de determinadas garantias decorrentes da normatização e da fiscalização”, ponderou.

Como funciona?

Você paga uma quantia, que pode ser uma taxa de adesão, anuidade ou mensalidade, para ter acesso ao serviço. Além disso, o cliente precisa recarregar o cartão com um valor livre ou mesmo determinado pela empresa que o vendeu. Com os valores depositados no cartão, o cliente pode pagar consultas ou outros serviços médicos com desconto em estabelecimentos indicados pela empresa

Dúvidas

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) disponibiliza na internet uma cartilha com informações sobre os cartões de desconto e pré-pagos de saúde. O informativo fica está disponível no espaço “Biblioteca ANS”;

Caso o consumidor tenha alguma dúvida se o serviço que comprou é um plano de saúde ou não, basta entrar em contato com a Agência, por meio dos seguintes canais de atendimento Disque ANS: 0800 701 9656 ou Central de Atendimento ao Consumidor (www.ans.gov.br);

O Idec informou que a venda destes serviços como plano de saúde é uma prática ilegal e deve ser denunciada à ANS e ao Procon. Neste caso, o usuário tem direito de rescindir o contrato, exigir o valor pago de volta e até reparação caso tenha sofrido algum dano.

Desperdício custa quase R$ 4 bi

Os supermercados brasileiros desperdiçaram, no ano passado, o equivalente a R$ 3,9 bilhões em frutas, legumes e verduras e produtos das sessões de padaria, peixaria e açougue. Na comparação com 2016, houve queda de R$ 54,2 milhões. Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (15) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), na capital paulista.

O levantamento, feito em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA/Provar), considerou números de 2.335 supermercados do país. Apenas em frutas, verduras e legumes, o desperdício atingiu R$ 1,8 bilhão no ano passado, aproximadamente R$ 600 mil a mais do que em 2014.

O superintendente da Abras, Márcio Milan, disse que sensibilizar o setor supermercadista para o desperdício é mais importante do que considerar as perdas financeiras. "Temos que discutir com todo o setor produtivo. Juntos somos capazes de resolver isso", afirmou Milan.

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), empresa estatal de abastecimento que recebe produtos de 1.500 municípios brasileiros e de 14 países e comercializa de 10 a 12 mil toneladas diariamente, as perdas diárias são estimadas em 1,3%.

Segundo a chefe do Centro da Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da Ceagesp, Anita Gutierrez, para evitar o desperdício, é importante que o alimento tenha qualidade no momento da colheita. "O tratamento pós-colheita - passar cera - ajuda, mas não resolve. Para que se tenha um bom produto na gôndola, ele tem que ser produzido de maneira correta", afirmou Anita.

Anita identifica ainda , entra os principais problemas que levam os alimentos à podridão, danos mecânicos na colheita e na pós-colheita - no momento da embalagem e no manuseio. A perda de água e os machucados nos alimentos, além disso, levam à redução considerável de valor.

Logística contribui para maior perda

O diretor da Associação Brasileira de Agronegócio, Luiz Cornacchioni, também destacou que metade das perdas do setor ocorre durante a logística (processo que envolve armazenagem, circulação e distribuição de produtos). A comercialização com menos intermediários da roça aos supermercados, permitindo melhores ganhos tanto para o produtor, e preços mais baixos para o consumidor, é uma das metas.

Agricultura familiar

Em junho deste ano, a Abras firmou protocolo de intenções para aumentar o relacionamento dos supermercados com a agricultura familiar. O consultor Vitor Correa, da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, informou que técnicos já estão sendo capacitados para esse acompanhamento. Segundo Correa, atualmente, 3,5 milhões de famílias trabalham no setor, sendo 600 mil em cooperativas.

Um dos objetivos é criar uma identificação nos produtos oriundos da agricultura familiar. Os alimentos ficarão em gôndolas específicas dentro dos supermercados, destacando o diferencial da agricultura familiar, como o respeito ao meio ambiente, à sustentabilidade e a preocupação social.

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