sexta, 27 de novembro de 2020

Economia
Compartilhar:

Consumidor corre para atacado e economiza até 30%

Érico Fabres / 21 de fevereiro de 2016
Foto: Assuero Lima
As compras por atacado sempre foram um costume dos comerciantes para poderem conquistar um lucro considerável na hora da revenda. A crise econômica que assola o Brasil desde o ano passado fez com que novos costumes surgissem, um deles é o de realizar compras em grande quantidade para conquistarem um desconto hoje considerado fundamental em época de poder de compra diminuído.

De acordo com o doutor em economia Paulo Pacheco, “existe um empobrecimento da classe média, que sai do supermercado e vai fazer uma compra mais barata. A economia no atacarejo (como é chamada hoje a nova modalidade) chega a 20%, 30% no orçamento. Isso é significativo, ainda mais em termos de crise”. Paraibanos contam que chegam a gastar R$ 500 a menos.

No primeiro semestre de 2015, as vendas cresceram 8,5% no atacarejo e caíram 0,2% nos supermercados, comparando com 2014. A tendência é que neste ano a diferença seja ainda maior.

Segundo dados nominais da pesquisa mensal da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), apurada pela Fundação Instituto de Administração (FIA), houve avanço de 9,82% em dezembro de 2015 em relação ao mesmo mês de 2014 e de 15,25% de novembro para dezembro de 2015, na comparação mês a mês. A expectativa para 2016 é, mesmo com um cenário político e econômico ainda imprevisível, consolidar o movimento de recuperação e fechar o ano com números positivos.

Mudança acontecia antes da crise

De acordo com a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, o setor atacadista e distribuidor é formado por diferentes formatos de empresas. Existem os atacadistas que vendem para os varejistas por meio de suas equipes externas e que entregam as mercadorias adquiridas na loja do cliente e o atacado de autosserviço, que muitos conhecem como atacarejo, mistura de atacado com varejo, porque atende tanto aos lojistas quanto ao consumidor final (pessoa física).

De acordo com Thais Campanaro, assessora de comunicação da Abad, “não é de hoje que famílias ou grupos de amigos resolvem se juntar para aproveitar os bons preços dos estabelecimentos, que geralmente vendem em embalagens maiores ou com maior número de unidades. Assim, dividindo a compra, os consumidores economizam. Como é de se esperar, mesmo não sendo um fenômeno novo, nos momentos em que os preços em geral estão subindo de forma acelerada, devido ao aumento da inflação, as compras no atacarejo se intensificam”.

Produtos mais básicos

Thais Campanaro diz que, normalmente, os produtos mais vantajosos para esse tipo de compra são bebidas, produtos de limpeza e itens de alimentação mais básicos, como óleo de cozinha. Dependendo do item e da região, a economia em relação aos supermercados pode superar os 20%. “Outros itens podem estar com preços vantajosos. Cada loja tem sua política de preços e também realiza promoções e ofertas, como qualquer comércio. Não há uma campanha nacional, por exemplo, para atrair clientes. Eles pesquisam preços e são naturalmente atraídos para o atacado de autosserviço”, revela.

32% realizam compras coletivas

Uma pesquisa do Instituto Data Popular feita com 3,5 mil brasileiros da classe C apontou que 32% dos entrevistados fazem compra coletiva com amigos ou vizinhos. Os dados mostram que esta já é a terceira forma de economia mais adotada pelo consumidor, atrás da pesquisa de preço (87%) e da busca de preços na internet antes de comprar (64%). Esse é um dos raros casos onde a vida real imitou a virtual, já que foi o meio precursor da modalidade.

Uma pesquisa inédita realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação Financeira Meu Bolso Feliz sobre o consumo em sites de compras coletivas em 2015 mapeou o perfil e os hábitos de compra destes consumidores que utilizam estes sites e identificou uma relativa queda na demanda destes sites.

De acordo com o panorama geral da pesquisa, quatro em cada dez (42%) consumidores virtuais adquiriram produtos e serviços nos sites de compras coletivas, e 61% deles garantiram realizar ao menos uma compra a cada seis meses. Apesar de expressivos, os resultados indicam que os sites de compra coletiva passam por um momento de relativa baixa demanda: 65% daqueles que fizeram compras coletivas em 2014 admitiram ter reduzido a frequência de consumo (47%) ou ter feito o mesmo número de compras (18%) que nos anos anteriores.

Prazo de validade longo

O casal Sebastião Joaquim da Silva e Emanuela Brito de Oliveira, junto com a mãe dela, Rosicleide Brito de Oliveira e a filha, uma vez por mês vão às compras juntos. Na lista de compras, produtos cuja validade seja longa. Compram em grande quantidade feijão, arroz, suco, material de limpeza em um atacarejo situado em frente ao Estádio Almeidão.

A rotina, que se repete a cada 30 dias, permite uma economia para a família, composta por seis pessoas, de R$ 600. De acordo com Silva, atualmente desempregado, e em uma época de crise, o que se gasta com gasolina é quase irrelevante diante do alívio econômico que a troca do varejo pelo atacado proporciona.

De passagem por João Pessoa, o pernambucano Antônio de Freitas aproveitou os momentos de turismo para tentar economizar nas compras. Junto com a esposa e à filha, foi às compras e conseguiu uma economia entre 15% a 20%. Já o comerciante João oliveira dos Santos, que há um ano tem uma lancheria, aproveita quando sai para repor seu estoque, para abastecer também a casa. De acordo com ele, que gasta por mês R$ 2 mil em produtos, no varejo teria uma despesa de R$ 1 mil a mais, pelo menos.

A aposentada Liniomar Mendes de Souza, aproveita ao menos um dia do mês, em que desfruta de sua recompensa pelos anos de trabalho, dedicando-o às compras. Na lista, principalmente, material de higiene e limpeza, cuja validade é longa. Com isso, de3ixa de gastar por volta de R$ 500.

Leia mais no jornal Correio da Paraíba

Relacionadas